quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Produção de madeira cai pela metade na Amazônia

Itabela, sul da Bahia, paisagem de Mata Atlântica. Caminhões carregados com eucalipto para construção civil estão prontos para iniciar o percurso até o destino final, o Pará. "A procura por parte desse mercado é crescente", atesta Ricardo Covre, proprietário da Fazenda Sempre Viva. Sinal de novos tempos para a Amazônia, principal fonte da madeira vendida no país?

Números do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) indicam a resposta. Entre 2004 e 2009, a produção de madeira nativa na região diminuiu quase pela metade, passando de 24, 4 milhões para 14 milhões de metros cúbicos. Com isso, grandes consumidores, como o setor moveleiro e a construção civil, migram para opções de menor risco, como eucalipto. Além da compra em outras regiões, há na Amazônia 308 mil hectares de plantio de eucalipto, a maior parte para celulose e ferro-gusa, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf).

"A queda do dólar, com impacto nas exportações, a variação nos preços de commodities, como soja, e o maior controle, fiscalização e combate à ilegalidade pelo governo explicam a redução", analisa o pesquisador Daniel Santos, do Imazon. "A tendência é a produção se manter nesse patamar de sustentabilidade", prevê Santos. Em 2010, a receita da exploração madeireira na Amazônia somou US$ 2,5 bilhões, segundo o Imazon. A quantidade de serrarias diminuiu um terço e o número de empregos caiu de 344 mil para 203 mil.

O instituto verificou que um quinto da madeira é produzida por microsserrarias no estuário dos rios, sem controle e com baixa qualidade. Em 18% dos casos, as toras são extraídas por tratores com cabos de aço que rasgam a floresta, derrubando o que encontram pela frente. Um terço da produção é escoada por estradas de barro quase intransitáveis e, nas serrarias, o rendimento varia de 28% a 45% -- ou seja, mais da metade do que sai da floresta, muitas vezes com impactos, é desperdiçada. A maioria das toras (72%) é transformada em madeira serrada bruta, indicando o baixo grau de beneficiamento. Apenas 22% da produção são exportados, tendo os Estados Unidos como principal consumidor. No mercado interno, São Paulo é o principal Estado comprador, concentrando 17% da demanda.

"Diante dos problemas fundiários que persistem, faltam áreas disponíveis para o manejo florestal", adverte Santos. No leste do Pará, onde há historicamente intensa exploração, o déficit é de 100 mil quilômetros quadrados.

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