sexta-feira, 6 de março de 2009

OESP - Seca transforma floresta em fonte de gás carbônico

Por Herton Escobar

Estudo de campo na Amazônia mostra que mais árvores morreram na estiagem de 2005; emissão de CO2 foi igual à de combustíveis nos EUA

Seca de 2005, que fez desaparecer rios inteiros na Amazônia, também matou milhões de árvores de sede, desencadeando uma liberação de bilhões de toneladas de gás carbônico para a atmosfera, segundo um estudo publicado hoje na revista Science. Com isso, a floresta inverteu momentaneamente seu papel: em vez de absorver, passou a emitir dióxido de carbono (CO2), o principal gás envolvido no aquecimento global. Se secas como essa tornarem-se mais frequentes no futuro - como preveem vários modelos climáticos -, a Amazônia poderá se transformar em uma fonte permanente de emissão, alertam os cientistas.

A seca de 2005 foi uma das mais intensas dos últimos cem anos na Amazônia, causada por um aquecimento das águas do Atlântico Norte. O estudo, que envolveu cientistas de 41 instituições em 15 países (incluindo vários brasileiros), é o primeiro a calcular o impacto da estiagem sobre o balanço de carbono da floresta, por meio de medições diretas no campo. Os pesquisadores mediram a variação no crescimento da vegetação e no número de árvores mortas em 55 pontos da Amazônia, comparado à média dos últimos 25 anos. Descobriram que, por causa da seca, mais árvores morreram e aquelas que ficaram vivas cresceram mais devagar.

O impacto disso tudo - a soma do carbono que deixou de ser absorvido pelo crescimento reduzido, mais o carbono liberado pela decomposição das árvores mortas - será um acréscimo de aproximadamente 5,5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, segundo o autor principal do trabalho, Oliver Phillips. É quase o mesmo que os Estados Unidos emitiram pela queima de combustíveis fósseis naquele ano (5,75 bilhões de toneladas).

Até 2005, na média dos 25 anos anteriores - desde que medições periódicas começaram a ser feitas pela Rede Amazônica de Inventários Florestais (Rainfor), responsável pelo estudo -, a Amazônia funcionou como um sorvedouro de carbono, retirando da atmosfera cerca de 1,65 bilhão de toneladas de CO2 por ano. Os cientistas medem isso via acréscimo de biomassa, o que significa que a floresta "engordou" durante esse período, ao ritmo de quase uma tonelada por hectare/ano. Mas a seca funcionou como um ano de regime forçado, em que a floresta perdeu mais "calorias" (moléculas de carbono) do que consumiu.

A área mais afetada foi o sudoeste da Amazônia, na região do Acre. O principal problema foi a mortalidade elevada de árvores. Ainda assim, alguém que caminhasse pelas florestas dificilmente notaria a diferença.

"Visualmente, o impacto é muito sutil", disse Phillips ao Estado. "Por causa do tamanho da Amazônia, porém, mesmo um impacto pequeno na vegetação pode ter um impacto grande no balanço de carbono", completou o cientista, da Universidade de Leeds, Inglaterra. O carbono é ingrediente básico da matéria orgânica. Quando a floresta ganha biomassa (engorda), ela acumula carbono. Quando perde biomassa (emagrece), perde carbono.

Os cientistas ressaltam que a emissão das árvores mortas não é instantânea. "Esse carbono não vai direto para a atmosfera", explica o biólogo brasileiro Luiz Aragão, da Universidade de Oxford. "A árvore morre, entra em decomposição e o carbono é liberado ao longo do tempo." Segundo ele, poderá levar até uma década para que o impacto total da seca seja "sentido" na atmosfera.

Ainda é possível que a floresta recupere esse carbono "perdido", se houver um acréscimo de biomassa nos próximos anos. Mas isso não altera a mensagem principal do estudo: de que condições de seca podem inverter o papel da floresta no balanço de carbono. Segundo os cientistas, 2005 foi uma amostra de como a Amazônia poderá se comportar num clima mais seco e quente no futuro.

Folha - Amazônia seca vira chaminé de carbono


EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

Na forte estiagem de 2005, floresta ficou mais vulnerável a queimadas e parou de frear aquecimento global, diz grupo

Previsão de que o ambiente amazônico ficará seco por mais tempo nas próximas décadas é má notícia para combate ao efeito estufa

A dramática falta d'água no ambiente amazônico em 2005 não afetou apenas a vida dos moradores da região. Com a seca, a floresta, que normalmente absorve carbono, passou a emiti-lo no ambiente. As sequelas deixadas pelo grande estiagem, segundo medições inéditas divulgadas hoje, vão durar por décadas. Com menos água, as árvores morreram mais. Cresceram menos. E a floresta passou a colaborar para a piora do aquecimento global.

"A Amazônia, antes de 2005, absorvia 400 milhões de toneladas de carbono por ano. Durante o fenômeno [seca], não absorveu nada e passou a emitir 900 milhões de tonelada de carbono", diz Luiz Aragão, brasileiro pesquisador da Universidade de Oxford (Inglaterra).

Os 400 milhões de toneladas de carbono que a floresta costuma sequestrar por ano, segundo Aragão, servem para empatar com todo o carbono que é lançado no ar por causa do desmatamento e das queimadas.

O número apresentado pelo pesquisador, um dos 66 dos autores de artigo científico publicado hoje na revista científica "Science", foi o primeiro extraído de dados concretos com medidas sistemáticas em toda a Amazônia. Estudos anteriores sobre a seca eram estimativas com imagens de satélite.

O grupo de Aragão monitorou árvores em 136 parcelas -áreas de floresta- de 100 m por 100 m, em várias regiões da Amazônia. "Temos estudos, por exemplo, na Bolívia, no Peru, na Guiana e na Colômbia", disse o pesquisador, que trabalha na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, onde o Museu Goeldi, de Belém, mantém uma estação de pesquisa.
A contribuição da seca de 2005 na Amazônia para o agravamento do aquecimento global não será imediato, afirma Aragão. O carbono que passou a ser emitido pelo sistema não está ainda todo liberado na atmosfera, explica. Ele continua preso, por exemplo, em folhas ou galhos mortos.

"A seca acabou jogando mais combustível no sistema. A floresta, de uma forma geral, ficou mais vulnerável. Isso amplia o problema das queimadas, um dos fatores que vão contribuir para que o carbono excedente do sistema vá para o ar", afirma o pesquisador brasileiro. "Esse processo dura décadas."

Outro estudo já publicado pelo mesmo grupo, segundo Aragão, havia mostrado que em determinadas regiões da floresta a seca de 2005 aumentou o número de queimadas em 33%.

"Esses resultados podem ser projetados para o futuro", diz o pesquisador. Segundo ele, o círculo vicioso visto para os meses de seca da floresta em 2005 poderá ficar cada vez mais intenso nas próximas décadas. "Os modelos mostram que a floresta vai ficar mais seca em alguns locais. Claro que esse balanço desfavorável de carbono poderá ser mais frequente", disse.

O resultado disso é que enquanto a seca de 2005 é atribuída a um fenômeno natural -anomalias climáticas no Atlântico-, a culpa sobre as estiagens futuras provavelmente vai recair sobre a humanidade.

Dado de campo não coincide com o de satélites

DA REPORTAGEM LOCAL

Os dados obtidos nas 136 áreas reais da floresta amazônica durante vários anos, diz o pesquisador brasileiro Luiz Aragão (Universidade de Oxford), não estão de acordo com a tese de que, mesmo com a drástica seca de 2005, a pior em 60 anos, a floresta amazônica verdejou.

"Nossos dados não mostram a mesma coisa. A perda de biomassa ocorreu em grandes áreas", diz Aragão.

De acordo com o cientista, os dados apresentados antes sobre o verdejar da floresta, na mesma revista "Science", foram obtidos apenas por meio de satélites.
"Talvez isso explique as diferenças dos resultados", afirma. A validação dos dados dos satélites muitas vezes não se confirma nas medições reais, diz Aragão.
A tese do verdejar na seca poderia significar que o sistema antiestresse da floresta amazônica teria funcionado bem durante uma forte, mas curta, estiagem. (EG)

Crédito da imagem: Peter Vitzthum

Envolverde - Seca ameaça sequestro de carbono na Amazônia


Por Agência FAPESP

Estudo internacional destaca que seca causa perdas massivas de carbono em florestas tropicais, especialmente por meio da mortalidade de árvores.

Agência FAPESP – A Amazônia é mais sensível à seca do que se acreditava, segundo uma nova pesquisa conduzida na maior floresta tropical do mundo. O estudo, publicado na edição desta sexta-feira (6/3) da revista Science, apresenta a primeira evidência sólida de que episódios de seca causam perdas massivas de carbono em florestas tropicais, principalmente por meio da mortalidade de árvores.

“Durante anos, a Amazônia tem ajudado a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas confiar nesse ‘subsídio’ da natureza é extremamente perigoso”, disse Oliver Phillips, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, que coordenou o estudo.

Participaram da pesquisa diversos países, entre os quais o Brasil, representado por cientistas que integram o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, a Universidade Federal do Acre e a Universidade de Oxford.

“Se o sequestro de carbono realizado pelo planeta diminuir, ou se, em vez de sequestrar carbono as áreas de florestas emitirem, os níveis de dióxido de carbono aumentarão em uma velocidade maior. Por isso, cortes profundos nas emissões de carbono serão necessários para estabilizar o clima”, destacou Phillips.

O estudo, uma colaboração international entre mais de 40 instuições, teve como base a extraordinária seca que afetou a Amazônia em 2005. O episódio ofereceu aos cientistas uma ideia dos efeitos das futuras mudanças climáticas na Amazônia. Estima-se que o aquecimento das águas do Atlântico Norte possa fazer com que a estação seca na Amazônia se torne mais intensa e mais quente.

A seca inverteu drasticamente o processo de absorção de carbono que ocorria há décadas, quando a Amazônia contribuía para diminuir os efeitos das mudanças climáticas.

Normalmente, a floresta absorve quase 2 bihões de toneladas de dióxido de carbono por ano, mas a seca em 2005 causou perda de mais de 3 bilhões de toneladas.

“Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade de árvores aumentou. Devido à imensa dimensão da região amazônica, mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono”, disse Phillips.

“Algumas espécies de árvores, incluindo palmeiras importantes, foram especialmente afetadas, mostrando que a seca ameaça também a biodiversidade”, disse Abel Monteagudo, do Jardim Botânico de Missouri, em Oxapampa, no Peru, outro autor da pesquisa.

O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países que trabalham na Rede Amazônica de Inventários Florestais (Rainfor), iniciativa internacional de pesquisa que se dedica ao monitoramento das florestas ao longo de toda a região. A rede é coordenada pelas universidades de Leeds e de Oxford, no Reino Unido.

Para calcular mudanças no estoque de carbono, os cientistas examinaram mais de 100 parcelas de inventários florestais ao longo dos 600 milhões de hectares da Amazônia, identificaram e mediram o crescimento de mais de 100 mil árvores e registraram tanto árvores mortas como novos exemplares. Os cientistas ainda mediram e mapearam cuidadosamente os padrões climáticos da região.

O estudo revelou que, durante pelo menos 25 anos, a floresta amazônica agiu como sequestradora, retirando dióxido de carbono da atmosfera. Processo similar também ocorre na África. Nas últimas décadas, as florestas tropicais têm absorvido um quinto do carbono emitido mundialmente pela queima de combustíveis fósseis.

Contudo, esse processo foi revertido em 2005. A mortalidade de árvores mostrou-se acelerada em regiões onde a seca foi mais intensa e mesmo em locais com seca menos severa as florestas foram afetadas.

A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, cobrindo uma área de 6 milhões de quilômetros quadrados. Nenhum outro ecossistema do planeta abriga o enorme número de espécies, tampouco exerce tamanho controle no ciclo do carbono.

O artigo Drought sensitivity of the Amazon Rainforest, de Oliver Phillips, Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Aragão e outros, pode ser lido por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org.


(Envolverde/Fapesp )

BBC - Impacto de seca na Amazônia 'supera emissões' de Europa e Japão

A seca de 2005 na Amazônia teve um impacto de 5 bilhões de toneladas extras de dióxido de carbônico na atmosfera terrestre, o que supera as emissões anuais de Europa e Japão, segundo estudo coordenado pela Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, divulgado na nova edição da revista Science.

Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.

Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.

A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.

"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.

Mais quente
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.

Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.

Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.

"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."

A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.

A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.

Só Notícias - Governo e Inpe voltam a divergir sobre dados de desmates em MT

A 'guerra' de dados sobre desmatamento em Mato Grosso está de volta. Hoje, o governo estadual divulgou dados da Transparência Florestal, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), comparando o desmatamento ocorrido em agosto de 2008 a janeiro de 2009 com o mesmo período do ano anterior, houve indícios de redução de 80% no desmatamento em toda a Amazônia Legal. Nesse período, em termos específicos, a redução mais significativa foi registrada em Mato Grosso (-89%), Rondônia (-84%), e Pará (-74%). Segundo o relatório, somente no Acre houve aumento da proporção da área desmatada (+21%). Ontem, conforme Só Notícias já informou, o Inpe apontou que houve aumento nos desmatamentos em Mato Grosso

A informação de hoje aponta que, de agosto de 2008 a janeiro de 2009 -, que corresponde aos seis primeiros meses do calendário atual de desmatamento, foi registrado pelo Imazon 687 quilômetros quadrados de áreas com indícios de desmatamento. Em relação ao ocorrido no mesmo período do ano anterior, quando o desmatamento somou 3.515 quilômetros quadrados, houve redução de 80%.

Já em janeiro de 2009, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registrou 51 quilômetros quadrados com indícios de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representa uma queda de 38% em relação ao mês de janeiro de 2008 quando o desmatamento somou 82 quilômetros quadrados.

O Imazon, a exemplo do que fez o Inpe esta semana ao divulgar seu boletim, alerta para o fato de que os dados de desmatamento de janeiro de 2009 podem estar subestimados. Isso porque nesse mês houve grande cobertura de nuvens na região amazônica, correspondendo a 67% do território total. Não foram mapeados em decorrência disso uma grande área nos Estados do Pará, Amapá, Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia. Nesse período, Mato Grosso teve apenas 28% do seu território coberto por nuvens e o Tocantins, 23%.

Além disso, alerta o Imazon, os indícios de desmatamentos detectados em janeiro de 2009 em Mato Grosso, podem ter ocorrido nos dois últimos meses de 2008, quando a cobertura de nuvens foi bem mais extensa no Estado.

O que pode explicar o fato de que em janeiro de 2009, Mato Grosso aparece com a maioria (85%) do desmatamento enquanto que o Pará aparece com 8%, Rondônia 2% e Acre apenas 1%. Nos outros estados não foi possível detectar desmatamento devido à cobertura de nuvens. Apesar dos números de janeiro, considerando os seis primeiros meses do calendário atual de desmatamento (agosto de 2008 a janeiro de 2009), o Pará lidera o desmatamento com 51% do total registrado no período. Em seguida aparece Mato Grosso (92%). Amazonas e Rondônia contribuíram com 8% cada. Esses quatro estados apresentam 95% do total do desmatamento nesse período.

De acordo com o boletim do Imazon, em janeiro deste ano o desmatamento ocorreu principalmente na região central de Mato Grosso, sul do Pará e oeste do Tocantins sendo que a grande maioria dos desmatamentos (79%) ocorreu em áreas privadas ou em diversos estágios de posse. O restante foi registrado em assentamentos da reforma agrária (8%), unidades de conservação (5%) e em terras indígenas (7%).

Entre os municípios, as situações mais críticas foram registradas pelo Imazon foram em Nova Maringá (MT), 11,7 quilômetros quadrados de áreas desmatadas; em Nova Ubiratã (7,89 quilômetros quadrados) e Brasnorte (5,9 quilômetros quadrados). Alguns desses municípios já foram fiscalizados pela equipe da Sema, que vem intensificando as ações de fiscalização nas áreas de desmatamento e degradação detectadas pelo Sistema de Alerta de Desmatamento. Para isso a coordenadoria de Geotecnologia - vinculada a Superintendência de Monitoramento de Indicadores Ambientais (SMIA) -, vem procedendo a qualificação dos dados com o objetivo de subsidiar as ações de fiscalização e licenciamento da secretaria.

O secretário adjunto de Qualidade Ambiental, Salatiel Araujo disse, ao analisar os dados que, “é necessário fazer uma qualificação das informações para que sejam identificadas e confirmadas as áreas desmatadas e daí proceder à fiscalização”. Ele analisou os valores acumulados de indícios de desmatamento do SAD e do DETER no Estado do Mato Grosso e observou que os mesmos indicam uma redução considerável em relação aos anos anteriores.

“Se a proporção de áreas com desmatamento do tipo corte raso em relação ao desmatamento do tipo degradação progressiva for igual aos anos anteriores (que foi em torno de 60 % do valor total dos indícios de desmatamento) poderemos alcançar um recorde histórico de diminuição de desmatamento em Mato Grosso”.

Outro dado registrado pelo SAD (desde novembro de 2008) a degradação florestal oriunda de áreas que sofreram intensa exploração madeireira e ou que sofreram fogo florestal de várias intensidades aponta que em janeiro de 2009 o SAD registrou 86 quilômetros quadrados de florestas degradadas na Amazônia Legal. Desse total, 85% ocorreu em Mato Grosso, 12% no Pará e 4% no Tocantins.

INPE – Também divulgado nesta semana os dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) mostra que comprados os trimestres de novembro, dezembro e janeiro de 2007/2008, e novembro, dezembro e janeiro de 2008/2009, Mato Grosso apresenta redução de 82,89% nas áreas desmatadas - mesmo tendo sido o primeiro período bastante atípico em relação a cobertura de nuvens e a seca. No primeiro período, foi registrado no estado um desmatamento de 159.597,36 hectares enquanto que no segundo período, houve redução da área para 27.300,00 hectares.

O relatório do Inpe mostra que Mato Grosso se manteve em segundo lugar no índice de desmatamento da Amazônia. O estado do Pará continua a frente no ranking e Maranhão aparece em terceiro.

No período analisado, segundo o Inpe, a Amazônia perdeu 754 quilômetros quadrados de florestas. E a devastação pode ter sido ainda maior, já que a cobertura de nuvens impediu uma avaliação plena da situação.

Em relação a Amazônia, na comparação com o mesmo trimestre (novembro-janeiro) do período anterior (2007/2008), o Inpe registrou 2.527 quilômetros quadrados de desmatamento, houve queda de 70,2%.

No período analisado pelo Inpe, grande parte da Amazônia Legal estava coberta por nuvens que dificultam a visualização dos satélites, daí a abordagem trimestral dos dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) ao invés da mensal.

Em Mato Grosso e no Pará, por exemplo, a cobertura de nuvens no período foi menor, possibilitando um monitoramento mais qualificado do que em outros estados. Já em relação a Amazônia Legal, 86% da região não pode ser visualizada. Alguns estados como o Acre, Amazonas, Amapá e Roraima praticamente não foram monitorados devido à alta proporção de cobertura de nuvens no período.

Em novembro de 2008, o Deter registrou 355 quilômetros quadrados de desmatamento; em dezembro, 177 quilômetros quadrados; e em janeiro, 222 quilômetros quadrados.

No acumulado do trimestre, Pará manteve a liderança entre os estados com maior área desmatada (318,7 quilômetros quadrados de floresta derrubados, o que representa 42% do total registrado. Mato Grosso aparece em segundo lugar, com 272 quilômetros quadrados (36%), seguido pelo Maranhão, onde 88,4 quilômetros quadrados foram desmatados (11%). Rondônia, que sempre aparece entre os estados que mais desmatam, derrubou 58,12 quilômetros quadrados de floresta, 7% do total verificado no período.

O secretário de estado do Meio Ambiente, Luis Henrique Daldegan ao analisar os números divulgados esta semana sobre o desmatamento disse que a Sema continuará priorizando as ações de fiscalização. “Serão autuados todos os proprietários rurais que efetuarem desmatamentos ilegais”, salientou.

Ao comentar a redução da área com indícios de desmatamento, Daldegan disse que “não importa que fiquemos em segundo lugar. O que importa é que estamos conseguindo diminuir os índices de desmatamento no Estado”, destacou o secretário, lembrando que desde o início do Governo Blairo Maggi o desmatamento no Estado vem sendo reduzido.

"O Estado irá enfatizar as ações da Agende Verde, ou seja a valorização da Floresta em pé, o REDD (Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação), a recuperação das áreas degradadas, o reflorestamento e o apoio ao manejo florestal como política sustentável, varolizando a população do Estado que vive da floresta”, finalizou o secretário.

OESP - Expansão da energia trafega na contramão

Por Washington Novaes

Parece inacreditável, mas não é. Como noticiou este jornal (27/2), embora seja um dos países com maior possibilidade de ter uma matriz energética relativamente limpa e renovável, o Brasil "recorre à energia suja" em seu Plano Decenal de Expansão de Energia. Dos 55 mil MW de nova potência previstos nesse documento, nada menos que 20,8 mil MW (quase 40%) virá de fontes térmicas, aí incluídas as usinas a gás, carvão, diesel, óleo combustível ou biomassa, além das nucleares; até 2017 serão 68 novas unidades movidas a combustíveis fósseis, com 15,44 mil MW; e as emissões na área passarão de 14,43 milhões de toneladas anuais para 39,3 milhões de toneladas - na hora em que o mundo, assustado com as mudanças climáticas, esperneia em toda parte para reduzir as emissões. Não por acaso, o plano de expansão fez pipocarem críticas de toda parte, que exigem mais prazo de discussão e mudança de critérios - das organizações não-governamentais; do coordenador do Fórum Brasileiro do Clima, professor Pinguelli Rosa ("estamos na contramão da História"); da ex-ministra Marina Silva; do especialista em energia professor Célio Berman, da USP; da secretária do Clima no Ministério do Meio Ambiente; e de várias outras personalidades.

Mesmo com a implantação das usinas do Rio Madeira, já em curso, e de Belo Monte (Rio Xingu), a participação das hidrelétricas na matriz energética cairá de 85,9% para 75,9% com a expansão da potência instalada, dos atuais cerca de 100 mil MW para 154,7 mil MW (mais 28,9 mil MW em 71 usinas hidrelétricas), e com investimentos de R$ 181 bilhões no setor elétrico em dez anos. E tudo isso no momento em que especialistas e o Tribunal de Contas da União dizem que o Brasil perde pelo menos 17% da energia que gera, principalmente nas linhas de transmissão e distribuição.

É inevitável que diante desse quadro e desses números a memória dê um salto de quase 20 anos para trás, quando foi contratado pela Eletrobrás - para analisar o plano decenal de expansão, que previa mais do que dobrar a potência instalada, chegar a mais de 100 mil MW - um consultor do Banco Mundial, Howard Geller. Este opinou que o plano não fazia sentido: a demanda não cresceria tanto (em dezembro de 2008 o consumo efetivo não precisou nem de 50 mil MW médios) e para atender ao eventual aumento do consumo seria muito mais barato investir em redução/eliminação das perdas do que na construção de novas usinas (como seria ainda hoje). Claro que seu parecer foi jogado no fundo de uma gaveta.

Agora, de certa forma, repete-se o quadro. Argumenta o Ministério de Minas e Energia que o consumo per capita no País aumentará 45% até 2017. E pretende atendê-lo em boa parte com "energia suja", como mostraram vários depoimentos na recente audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal para debate do Plano Decenal, segundo o relato das organizações não-governamentais (www.fboms.org.br). A procuradora Sandra Cureau, por exemplo, mostrou a interferência de 15 das novas unidades hidrelétricas em unidades de conservação e terras indígenas, o número de pessoas afetadas pelos 71 projetos nessa área (cerca de 90 mil), o aumento das emissões de gases nessas usinas (178%) e o quadro preocupante: enquanto as usinas eólicas passarão de 0,3 para 0,9% da potência instalada e as biomassas passarão a responder por 2,7% (hoje, 1%), as usinas térmicas aumentarão sua participação de 0,95 para 5,7% (mais de 500%) - quando mostrou este jornal (1º/1) que os ventos poderiam atender a pelo menos 60% de todo o consumo nacional de energia, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já que em mais de 71 mil km2 do território nacional a velocidade dos ventos é adequada. Não por acaso, Europa, Ásia e Estados Unidos estão investindo pesadamente nessa área (42% da nova geração nos EUA) e na energia solar.

Na audiência pública mencionada, perguntou o professor Célio Berman, da USP: energia para que e para quem se planeja? A seu ver, grande parte da expansão, principalmente com as hidrelétricas amazônicas, destina-se a atender ao mercado internacional, não a necessidades internas (já que grande parte do consumo ficará por conta das exportadoras de eletrointensivos - alumínio e gusa, especialmente; esse setor já responde por cerca de 30% de todo o consumo de energia no País, com altos subsídios, pagos pela sociedade toda). "Temos que redefinir o padrão de produção e consumo", disse ele. "É uma hipocrisia dos países ricos quererem impor esses padrões" (segundo os relatórios do Pnud/ONU, esses países transferem esse tipo de produção que não lhes convém para outros países, que arcam com os custos ambientais e sociais, sem nenhuma compensação). E, na sua opinião, no caso do atual Plano Decenal, não se deve ir em frente sem ouvir a sociedade e as universidades. Na mesma direção se manifestou o professor Carlos Vainer, da UFRJ, para quem o Plano Decenal "mostra uma opção política: a submissão ao mercado", inclusive o dos países desenvolvidos - enquanto "aumenta nossa pegada ecológica".

Críticas semelhantes, em outros fóruns, vieram do pesquisador Philip Fearnside (Instituto de Pesquisas da Amazônia), que demonstra a emissão de gases pelos reservatórios de hidrelétricas, os problemas com abertura e pavimentação de rodovias na Amazônia, a falta de "transversalidade" nas políticas governamentais. Do bispo dom Erwin Krautler ("é um crime enorme o que se está pretendendo fazer com a Hidrelétrica de Belo Monte"). Dos especialistas em energia Joaquim Francisco de Carvalho e Ildo Sauer, principalmente quanto à implantação de usinas nucleares e movidas a carvão - deixando de lado as eólicas.

Por tudo isso e muito mais, não faz sentido que o Plano Decenal de Expansão de Energia seja levado adiante pelo governo federal nos ternos em que está. A sociedade e o saber técnico precisam ser respeitados.

Washington Novaes é jornalista

Envolverde - Ministério propõe pacto municipal pela sustentabilidade para salvar Amazônia


Por Carlos Américo, do MMA

O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, do Ministério do Meio ambiente, Egon Krackekhe, propôs nesta quinta-feira (05/03), a 50 representantes de prefeituras do estado do Pará e de vários órgãos ligados ao setor produtivo, reunidos na abertura da Operação Arco Verde, um "pacto pela sustentabilidade". A operação foi desencadeada a partir da lista dos 36 municípios responsáveis pelos maiores índices de desmatamento na Amazônia. O estado do Pará, onde ficam 12 dos municípios da relação, é o campeão do desmatamento.

O ministério pretende ampliar o diálogo com todos os setores envolvidos para mostrar a necessidade urgente de mudar o "modelo da invasão agrícola não sustentável", conforme classificou Egon. Ele destacou que o governo federal quer integrar as ações estaduais no combate ao desmatamento com as medidas que o Ministério do Meio Ambiente vem implementando na esfera federal. Segundo ele, antes que a Arco Verde entre efetivamente em operação, será necessário outro seminário para alinhavar as ações a serem implementadas.

A maior dificuldade na Amazônia tem sido substituir o atual modelo de desenvolvimento, responsável direto pela degradação da floresta, por um um modelo econômico, mas socioambiental. Por isso, segundo Egon, é necessário que todos, estados e municípios e setor produtivo, passem a integrar a Operação Arco Verde. A partir da avaliação das ações estaduais e municipais e das medidas na esfera federal, ele espera que seja possível planejar e executar ações que contribuam efetivamente para diminuir os impactos ambientais dos processos produtivos, buscando a sustentabilidade econômica.

A regularização fundiária e territorial e o zoneamento ecológico-econômico também foram tratados na reunião. Pelo menos nesse ponto há consenso em todos os setores, que consideram a questão como uma ferramenta fundamental para a proteção e reflorestamento da Amazônia.

Egon ressaltou que as metas de redução das emissões dependem diretamente da sociedade. Isso porque, sem o envolvimento dos agentes econômicos as metas de redução do desmatamento não serão atingidas e em conseqüência se tornará mais difícil para os municípios paraenses saírem da lista incômoda.

(Envolverde/MMA)

Envolverde - Governo inicia trabalho nos municípios que desmatam na Amazônia


Por Suelene Gusmão, do MMA

Nos dias 5 e 6 (quinta e sexta-feira) começam a ser colocadas em prática as primeiras ações da Operação Arco Verde, coordenada pela Casa Civil, com a participação de 13 ministérios, entre eles, o Ministério do Meio Ambiente. O Pará será o primeiro a receber a visita dos integrantes da operação. No estado, 13 municípios fazem parte da lista dos maiores desmatadores da floresta amazônica. Nos dias 9 e 10, a equipe irá a Cuiabá (MT); 11 e 12, Porto Velho (RO); e no dia 13, Manaus (AM).

As primeiras ações estarão focadas nos 36 municípios da Amazônia, relacionados entre os maiores desmatadores, responsáveis por 50% de toda a destruição da floresta amazônica. O objetivo da Operação Arco Verde nestes municípios é oferecer alternativas sustentáveis aos gestores municipais para que consigam fazer a transição das atividades predatórias para a legalidade e sustentabilidade e deixar de fazer parte da lista.

Os primeiros passos da Operação Arco Verde coincide com a demanda apresentada pelos prefeitos da região amazônica, em recente reunião em Brasília, que demonstraram ao ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, uma ansiedade em estabelecer parceria com o governo federal para que suas economias deixem de ter por base as atividades ilegais. De acordo com o secretário Egon Krakhecke, de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, do MMA, a operação, articulada pela Casa Civil, está ancorada em dois conjuntos de ações, as emergenciais e as estruturantes.

De acordo com o secretário, entre as emergenciais destacam-se as ações conjuntas entre o Ministério do Trabalho (MT) e o Ibama. Representantes do MT acompanham as ações de fiscalização realizadas pelo Ibama para assegurar que os direitos trabalhistas dos empregados afetados pelo eventual fechamento de uma atividade ilegal sejam respeitados e que eles possam, por exemplo, utilizar o seguro-desemprego, até que se estabeleçam em outra atividade. "São ações de rápida execução para que se possa reverter as reações negativas para a população local", explicou Krakhecke.

O outro grupo de ações está sendo chamado de estruturante. Entre elas, a oferta de tecnologias sustentáveis, com a participação direta da Embrapa e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); a oferta de assistência técnica para incentivar e embasar a transição do modelo predatório para a utilização de tecnologias sustentáveis, com a participação do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); regularização fundiária; regularização do passivo ambiental e a capacitação de força de trabalho para sua inserção em atividades sustentáveis.

Programas do MMA - Durante os dois dias de visita da equipe do governo federal ao Pará serão realizados seminários com a participação de representantes dos governos do estado e dos municípios. Na pauta apresentação e discussão das ações governamentais de combate ao desmatamento ilegal e compartilhamento de responsabilidades entre as três esferas de governo. Fundo Amazônia, Agenda 21, Gestar, Desenvolvimento Florestal são programas do MMA divulgados no seminário.

(Envolverde/MMA)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Valor - Adubo da Amazônia, a chave para o clima?

Na bacia amazônica brasileira, os agricultores há muito encontraram uma forma especial de fertilizante - uma substância local parecida com um adubo e louvada por suas fantásticas qualidades para revigorar solos pobres. Eles a compram em sacas ou a encontram no solo, em buracos de até 1,80 metro de profundidade. Espalhada pelos campos, a substância mantém suas qualidades férteis por longos períodos.

Os agricultores a chamam de terra preta do índio. Densa, rica e argilosa, representa um contraste gritante com os solos pobres da região. Parece paradoxal, mas os solos da floresta tropical têm baixa fertilidade. É por isso que os fazendeiros que derrubam a floresta para fins agrícolas precisam continuar cortando árvores - após alguns anos de colheita, o rendimento desaba e eles precisam mudar-se para outro local.

Esses buracos preenchidos com terra preta estendem-se por muitos hectares, mas até recentemente ninguém sabia realmente o que era a misteriosa substância. Alguns supunham que era vulcânica, sedimento de antigos lagos ou o resíduo de alguma vegetação há muito decomposta. Poucos imaginavam que era obra do homem.

A terra preta, comprovaram modernas análises, é um dos últimos traços remanescentes da agricultura pré-colombiana na bacia amazônica. Foi produzida há mais de 2,5 mil anos (podendo chegar talvez a 6 mil anos) por pessoas que moravam ao longo do rio. Essas culturas conseguiram sustentar formas complexas de agricultura, apesar do solo pobre, produzindo sua própria terra. Valiam-se dos suspeitos de sempre: estrume, peixe, ossos de animais e sobras de plantas. Mas o ingrediente-chave e que também lhe dá sua cor preta é um carvão essencialmente vegetal.

"É um material maravilhoso", diz Simon Shackley, professor de ciências sociais da Universidade de Edimburgo. "Começamos a conhecer o assunto quando cientistas holandeses começaram a avaliá-lo nos anos 60. É realmente produto da agricultura de derrubada e queimada e outros resíduos orgânicos, incorporado aos solos por centenas ou até milhares de anos. E parece ser fértil indefinidamente, o que é algo muito estranho".

Esse produto ancestral da Amazônia agora é objeto de intensas investigações de cientistas que estudam as mudanças climáticas. A tenacidade do carvão da terra preta, retendo suas propriedades fertilizantes ao longo dos séculos, deu-lhes uma ideia. Esse tipo de carvão é uma forma de carbono, resultado de resíduos queimados de plantas e materiais animais. Então, por que não reter mais carbono no solo desta maneira, uma vez que pode ficar intacto por tanto tempo, sem ser liberado como gás, na forma de dióxido de carbono?

Os cientistas começaram a referir-se ao carvão produzido a partir de plantas com o fim de armazenar carbono como "biocarvão" (biochar, em inglês). A teoria é que a biomassa - qualquer planta ou material animal - pode ser transformada em carvão, depois de aquecida na ausência de oxigênio. Retirar o CO2 da atmosfera poderia ter um impacto imenso no clima.

Os solos contêm naturalmente grandes quantidades de carbono da vegetação decomposta. Esse carbono, contudo, é relativamente instável em termos climáticos: o solo libera gás carbônico quando perturbado, como com a aragem, o que o torna tanto uma fonte de carbono quanto um reservatório de carbono. Portanto, a ideia de tentar reter o carbono em solos vinha encontrando pouca receptividade entre os cientistas climáticos - de fato ganhou até má reputação, já que agricultores queriam lucrar, argumentando que seus campos deveriam qualificar-se para receber os créditos de carbono idealizados para dar suporte financeiro a projetos como as usinas eólicas ou de energia solar.

A diferença do biocarvão é que a estabilidade do carvão deve possibilitar prender por centenas de anos o carbono que contém. O carbono é mineralizado, portanto é muito resistente a rompimentos. Além disso, os benefícios secundários - não apenas a melhora das características do solo, mas certos subprodutos de sua produção - devem ser suficientes para torná-lo economicamente atraente.

Quando é produzido, cerca de 30% de sua biomassa é transformada em carvão, outro terço em gás de síntese que pode ser queimado para gerar eletricidade; e o restante em um substituto do petróleo bruto, que pode ser muito útil na produção de plásticos, embora de difícil uso como combustível para transporte. Tim Flannery, um eminente naturalista e explorador australiano, argumenta que essas propriedades do biocarvão permitem "resolver três ou quatro crises cruciais de uma só vez: a crise da mudança climática, a crise energética e as crises dos alimentos e da água", porque colocar o biocarvão no solo não apenas o fertiliza, mas também ajuda a reter água.

Até que ponto o biocarvão poderia mudar o equilíbrio de carbono no mundo? Há pouca dúvida de que seriam necessárias enormes quantidades. A cada ano, as atividades humanas contribuem para a emissão de 8 bilhões a 10 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. A maior parte desse gás não afeta diretamente o clima - o mundo tem seu próprio ciclo natural de carbono, pelo qual o dióxido de carbono na atmosfera é absorvido e reemitido por "depósitos de carbono" da vegetação, solos, mares e outros processos naturais. Esses processos, no entanto, estão sendo severamente sobrecarregados, portanto o conteúdo de carbono na atmosfera está aumentando. Hoje, está em 387 partes por milhão, mais alto do que em qualquer outro período dos últimos 650 mil anos e provavelmente dos últimos 20 milhões.

Segundo o Projeto de Carbono Mundial (GCP), entre 2000 e 2007, o carbono nos depósitos das terras e dos oceanos - como florestas e o plâncton nos oceanos - removeu cerca de 54%, ou 4,8 bilhões de toneladas por ano do CO2 que o homem jogou na atmosfera. Isso deixa o excesso de carbono em cerca de 4 bilhões de toneladas por ano. Mesmo com a conversa dos governos de "economia de baixa emissão de carbono", as emissões de gases-estufa sobem com rapidez.

Para a Comissão Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões teriam de chegar a seu pico - e passar a cair - entre 2015 e 2020, para evitar os efeitos mais catastróficos das mudanças climáticas. Pelas atuais projeções, isso seria impossível. A menos que sejam encontrados métodos de remover o CO2 de forma fácil e barata, e de gerar eletricidade limpa de formas que possam ser adotadas em todo o mundo com mais rapidez do que as tecnologias de fontes renováveis atuais.

Algumas primeiras estimativas sobre o potencial do biocarvão apontam que essa substância maravilhosa poderia, sozinha, promover todas as reduções de carbono necessárias para impedir qualquer aquecimento mundial adicional. Johannes Lehmann, da Universidade Cornell, e outros pesquisadores calcularam que o biocarvão poderia remover anualmente entre 5,5 bilhões e 9,5 bilhões de toneladas de carbono do ar. Mas, diz Shackley, essas estimativas baseiam-se em premissas "heroicas" sobre a capacidade de produzir biocarvão facilmente em todo o mundo. "Recentemente, verifica-se uma tendência conservadora diante de números muito grandes", observa ele. "Hoje, eu diria que as pessoas estão falando mais na faixa de 1 bilhão a 2 bilhões de toneladas por ano".

Isso pode parecer desapontador em comparação com afirmações grandiosas anteriores, mas constitui, ainda assim, uma contribuição potencial extraordinária originada de um único método, diz Shackley. "Sem dúvida, não é algo trivial", concorda Tim Lenton, professor de ciência de sistemas terrestres na Universidade de East Anglia, na Inglaterra. "Poderá representar uma fatia significativa do que necessitamos, e produziria benefícios colaterais substanciais - é um jogo onde todos ganham".

Se outras técnicas para redução de carbono - como preservação e replantio de florestas e o empenho em melhorar a eficiência energética - fossem implementados simultaneamente, o mundo poderia realizar os cortes necessários em nosso "orçamento de carbono" para evitar um desastre climático.

Essas possibilidades, e as peculiares qualidades do biocarvão estão fazendo dele uma das mais empolgantes novas áreas de pesquisas sobre mudanças climáticas. A ideia de sequestro do carbono empregando biocarvão conquistou a adesão de alguns peso-pesados da ciência, como James Lovelock. Cientistas na Universidade Cornell pesquisam maneiras de sequestrar carbono em solo enriquecido com biocarvão. No Reino Unido, um centro de pesquisas de biocarvão foi estabelecido na Universidade de Edimburgo. Outros europeus copiam o exemplo, e um pequeno número de empresas está nos estágios iniciais das tentativas de encontrar maneiras de comercializar a produção de biocarvão.

Carvão vegetal não é, evidentemente, algo novo. As pessoas vêm produzindo esse tipo de carvão há milênios, sobretudo para usá-lo como combustível. O processo é simples: pegue madeira, palha ou resíduos de colheitas, e aqueça-os na ausência de oxigênio. Tradicionalmente, isso era feito tocando fogo na biomassa e empilhando terra por cima do material para que o material ardesse durante muito tempo. Fornos modernos podem tornar o processo mais eficiente, mas o princípio é o mesmo.

Mas há muita coisa sobre o biocarvão que continua envolta em mistério. Por exemplo, os efeitos sobre a fertilidade do solo. Por que é que o carvão vegetal melhora tanto o solo? "A resposta simples é: não sabemos exatamente", diz Shackley. "É, provavelmente, uma combinação de vários fatores. O carvão vegetal é poroso, de modo que age como uma esponja ao reter água e os nutrientes dissolvidos em água, algo que os solos pobres não fazem muito bem. E [sua natureza porosa] também significa que é um bom material para cultivar muitas bactérias importantes".

Outro fator crucial a seu favor é que usar biocarvão como fertilizante pode tomar o lugar dos fertilizantes artificiais à base de nitrogênio, que liberam oxido nitroso, um gás que provoca o efeito estufa 300 vezes mais poderoso do que CO2. E o biocarvão não é tóxico, acrescenta Lenton: "Até agora, ninguém disse existir algum grande perigo oculto associado a ele".

Mas Saran Sohi, professora de ciência dos solos, adverte que qualquer pessoa que espere que o biocarvão sozinho solucionará os problemas de fertilidade está iludido - o biocarvão não é, por si só, suficiente para fazer a diferença que a "terra preta" tem para os solos pobres brasileiros. "Os solos de terra preta também contêm outros nutrientes, provenientes das outras substâncias que eles contêm - coisas como ossos, que são ricos em fósforo [essenciais para crescimento saudável das plantas]", diz ela. O biocarvão desempenha um papel na manutenção desses nutrientes reunidos, assegurando que eles permaneçam disponíveis para as raízes das plantas, mas os nutrientes precisam ser disponibilizados por outros meios. "Ninguém conseguiu, ainda, recriar terra preta", acrescenta Shackley.

Para produzir biocarvão em escala industrial, métodos tradicionais de produção seriam impraticáveis. Em vez disso, pesquisadores examinam o processo de pirólise - uma forma de decomposição térmica controlada de material orgânico na ausência de oxigênio, a temperaturas que alcançar 600°C.

O uso de pirólise também permite a captura de gás de síntese e dos subprodutos líquidos, ambos passíveis de ser usados como combustível para gerar eletricidade ou para o processo de aquecimento.

A quantidade de biocarvão a ser produzida depende da aceleração ou desaceleração no processo de pirólise: métodos rápidos produzem 20% de biocarvão, 20% de gás de síntese e 60% de bio-óleo, ao passo que métodos lentos produzem cerca de 50% de biogás e quantidades bem menores de óleo. "É também muito mais fácil tornar mais lenta a pirólise", diz Adrian Higson, do Conselho Nacional Britânico de Colheitas Não-alimentícias. "E mais barato". Como as modernas usinas, a pirólise pode ser alimentada exclusivamente com gás de síntese, a produção fica entre três e nove vezes o insumo energético necessário, segundo o Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável.

O que usar para produzir o biocarvão? Destruir florestas seria insano. Mas a agricultura produz grandes quantidades de resíduos de plantas e de animais - palha, cascas e esterco. Até rejeitos de humanos - tudo o que vai para o esgoto ou algumas formas de lixo domiciliar - poderiam ser usados. E o uso de produtos residuais criam uma dupla economia de carbono: se deixados apodrecendo, produzem metano, 20 vezes mais poderoso do que o CO2.

Mas a dificuldade está em reunir os rejeitos e em tornar o processo economicamente viável. Será preciso alguma dose de persuasão para convencer os agricultores de que faz sentido financeiramente dar-se ao trabalho de conservar e cozinhar seus rejeitos para convertê-los em biocarvão, e eles poderão necessitar novo maquinário para fazê-lo. Em nível de rejeitos municipais, o problema estará em separar os resíduos orgânicos, que podem ser convertidos em biocarvão, do resto do lixo - e provar que isso é mais barato e mais proveitoso do que simplesmente enterrá-los.

O IGSD sugere uma forma de casar métodos industriais e de pequena escala para a produção do carvão, que, se refinado, poderá viabilizar economicamente a produção de biocarvão em regiões urbanas, rurais e até pobres.

Ele sugere três sistemas possíveis. O primeiro é um plano centralizado, pelo qual todos os resíduos de biomassa numa determinada região poderiam ser levados a uma planta central para processamento; o segundo é um sistema descentralizado, no qual cada agricultor ou pequeno grupo de agricultores teria seu próprio forno pirolítico de baixa tecnologia. O terceiro sistema propõe uma alternativa móvel, na qual um veículo equipado com um pirolisador movido a gás sintético visitaria pequenos estabelecimentos agrícolas, devolvendo o biocarvão para uso dos agricultores e ao mesmo tempo coletando o bio-óleo a ser transportado a uma refinaria e transformado em biocombustível líquido para veículos.

Como exemplo, o IGSD menciona a indústria da cana no Brasil, na qual as partes superiores da cana, normalmente queimadas no campo, e o bagaço (o resíduo da produção de açúcar) poderiam ser transformados eficazmente em biocarvão. Ele estima que, das 460 milhões de toneladas da safra anual de cana, até metade poderia estar disponível para pirólise.

Um grupo de empresas agora analisa esses problemas e procura comercializar o biocarvão como um remédio para o clima e para o solo, e como uma fonte de energia.

Conforme observa com certo pesar Mike Mason, co-fundador da companhia de compensação de carbono Climate Care, comprada pelo JPMorgan, até agora ele havia planejado passar grande parte do seu tempo perambulando pela África procurando elefantes (ele nasceu no Reino Unido mas foi criado no leste da África). Em vez disso, decidiu que a mudança climática é um problema grande demais para ser deixado como está e, com a sua nova empresa, Biojoule, tem investigado formas de transformar biocarvão em um negócio economicamente viável.

Em Ontário, no Canadá, a Dynamotive está produzindo biocarvão e até 100 toneladas diárias de bio-óleo numa planta de processamento de madeira. A Crucible Carbon, na Austrália, estima que sua tecnologia permitirá o sequestro de carbono a partir do biocarvão a um custo de cerca de 29 dólares australianos (US$ 13) a tonelada.

Mesmo sem os problemas logísticos, porém, outras pessoas estão menos convencidas dos benefícios do produto. Robert Trezona, chefe de pesquisa e desenvolvimento na Carbon Trust, uma instituição que recebe recursos do governo do Reino Unido que ajuda as empresas a reduzir suas emissões de gás estufa, teme que considerar o biocarvão como o principal produto resultante da queima de biomassa possa ser um entendimento equivocado da questão. A Carbon Trust está concorrendo para desenvolver plantas pirolíticas, mas visando produzir combustíveis líquidos para transporte a partir da biomassa, usando técnicas pirolíticas velozes, ante as quais o biocarvão é um sub-produto de utilidade questionável. Na verdade, estimular agricultores a produzir biocarvão por meios tradicionais de baixa tecnologia pode resultar em mais emissões de gases-estufa do que queimar plantas para obter combustível ou descartá-las, diz.

Amazonia.org.br - Desmatamento diminui 38%, registra Imazon

Por Thais Iervolino

Segundo os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto Homem e Meio Ambiente (Imazon), em janeiro de 2009 houve 51 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representa uma queda de 38% em relação ao mês de janeiro de 2008 quando o desmatamento somou 82 km².

Desta vez, o Estado campeão em devastação foi o Mato Grosso, responsável por 85% dos 51 km² desmatados. O segundo da lista foi o Pará, com 8%, seguido por Rondônia (2%) e Acre (1%).

De acordo com o Imazon, os dados de desmatamento de janeiro de 2009 podem estar subestimados, pois nesse mês houve grande cobertura de nuvens na região amazônica, correspondendo a 67% do território total. A região não-mapeada está em grande parte nos Estados do Pará, Amapá, Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia.

Do ponto de vista fundiário, a maioria (79%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou em diversos estágios de posse. O restante do desmatamento ocorreu em Assentamentos de Reforma Agrária (8%), Unidades de Conservação (5%) e em Terras Indígenas (7%)

O instituto também afirma que o desflorestamento detectado em janeiro pode ter ocorrido nos dois meses anteriores. "De fato, mais de dois terços do desmatamento detectado em janeiro de 2009 estavam em áreas não-mapeadas em novembro e dezembro de 2008", diz o Boletim Transparência Florestal, que divulga os dados.

Seis meses Ao todo, 687 km² de floresta amazônica foram devastados nos seus primeiros meses do calendário atual de desmatamento, que vai de agosto de 2008 a janeiro de 2009. Em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior (3.515 quilômetros quadrados), houve uma redução de 80%.

Amazonia.org.br - Políticas para Amazônia evitaram 3 mil km² de desmatamento, diz Imazon

Por Bruno Calixto

Instituto divulga resultados preliminares de um estudo que avalia as políticas do governo federal contra o desmatamento. A conclusão é a de que medidas como restrição ao crédito e bois piratas funcionaram

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou hoje (5) estudos preliminares que mostram que as medidas do governo federal para combater o desmatamento na Amazônia estão surtindo efeito. No geral, o estudo mostra que graças às políticas cerca de 3.300 km² de desmatamento foram evitados.

O instituto comparou as taxas de desmatamento, analisados tanto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quanto pelo próprio sistema do Imazon, com as variações do preço de mercadorias agrícolas, especialmente o boi gordo e a soja. Segundo o Imazon, o preço dessas commodities está interligado às taxas de desmatamento.

Na projeção com os dados do Inpe, o instituto descobriu que sem as novas políticas o desmatamento poderia ter sido de 13.700 km². "Como a taxa medida ficou em torno de 12.000 km², estimamos que as novas políticas evitaram cerca de 1.700 km² de desmatamento no período (até julho de 2008). Assim, as novas políticas foram suficientes para reduzir o efeito do crescimento dos preços de produtos agrícolas no ano anterior".

Ao fazer uma projeção com base nos dados do próprio Imazon, a ONG estimou em 3.300 km² a quantidade de desmatamento que foi evitado após a implementação das novas políticas. Desse valor, o Imazon também analisou o efeito nos 36 municípios considerados críticos pelo Ministério do Meio Ambiente. Em média, o desmatamento em cada município foi 42 km² menor. Ou seja, o efeito exclusivo da política voltada para os 36 municípios foi uma redução de 1500 km² em 2008.

Medidas

De acordo com o Imazon, a queda do índice de desmatamento está associada, principalmente, a duas medidas. Primeiro, a apreensão de cerca de 3 mil cabeças de gado, criadas ilegalmente numa Unidade de Conservação no Pará, posteriormente leiloadas, chamadas pelo ministro de Meio Ambiente Carlos Minc de "Bois Piratas". Como a punição pela criação ilegal foi relativamente rápida, teve um efeito demonstrativo importante.

Em segundo, o instituto considera a restrição de crédito para imóveis rurais com irregularidades fundiárias e ambientais. A crise financeira internacional, que também restringiu crédito, pode ter influenciado na queda expressiva.

O Imazon enfatiza a importância dessas políticas, mas faz um alerta. "O fato de as novas políticas estarem funcionando aumenta a resistência local contra elas – por exemplo, há pressão agora para reduzir as Unidades de Conservação de onde foi retirado gado ilegal. Para contrapor essa resistência será necessário acelerar os investimentos nas políticas favoráveis ao desenvolvimento sustentável, como o manejo de florestas nativas e o reflorestamento de áreas degradadas, e no aumento da produtividade agrícola nas áreas desmatadas. Assim, seria possível aumentar a produção e manter empregos sem desmatar novas áreas".

Veja a apresentação dos dados preliminares do Imazon: Qual o efeito das novas políticas contra o desmatamento na Amazônia?

G1 - Imazon confirma queda do ritmo de desmatamento na Amazônia

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

Relatório da ONG aponta que avanço da devastação caiu 38% em janeiro.
Medidas do governo estão surtindo efeito, apontam pesquisadores.

A principal instituição independente que mede o desmatamento da Amazônia confirmou a diminuição da devastação apontada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo relatório publicado nesta quinta-feira (5) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em janeiro houve a destruição de 51 quilômetros quadrados de florestas na Amazônia Legal, área equivalente a três vezes a Ilha de Fernando de Noronha.

Apesar de alto, o índice aponta uma queda de 38% em relação ao mês de janeiro de 2008, quando o desmatamento somou 82 quilômetros quadrados. A organização ressalva que os dados podem estar subestimados, pois nesses dois últimos meses houve grande cobertura de nuvens na região. Além disso, a parte do Maranhão que compõe a Amazônia Legal não foi analisada.

Ações do governo

De acordo com estudo realizado pelo Imazon, a diminuição do desmatamento verificada nos últimos meses se deve à maior fiscalização, à apreensão e venda de ‘bois piratas’ e, principalmente, à proibição de empréstimos agrícolas a proprietários de terras que haviam desmatado.

Levando em consideração a alta do preço do boi e da soja em 2008 – esses índices costumam influenciar a taxa de desmatamento – o Imazon calcula que as medidas governamentais conseguiram reduzir cerca de 3.300 km² de devastação, o equivalente a duas vezes o município de São Paulo.

Estimativas da ONG mostram que o desmatamento começou a cair fortemente em julho de 2008, no mês que entrou em vigor a medida do Banco Central proibindo os empréstimos a agricultores que não estavam em dia com a legislação ambiental.

“Esses dados mostram que o crédito agrícola tem um grande papel [na diminuição da devastação]”, afirma o pesquisador Paulo Barreto, um dos autores do estudo do Imazon.

Para Barreto, também são necessárias mais apreensões de gado criado em situação irregular, principalmente nos parques e reservas. “São Félix do Xingu [onde ocorreu a apreensão dos ‘bois piratas’], no Pará, foi um dos municípios que mais diminuiu o desmatamento”, explica.

Envolverde - Gado será ilegal em propriedade com desmatamento


Por Redação do Amazonia.org.br

Os rebanhos de criadores que desmatarem serão ilegais, segundo o Ministério da Agricultura. O ministro da pasta, Reinhold Stephanes, disse ao Jornal Folha de São Paulo que somente serão liberadas as Guias de Trânsito Animal (GTAs) para propriedades que não tenham desmatamento ilegal nos meses anteriores à solicitação.

O rebanho que não tem GTA é considerado irregular e não pode ser transportado da fazenda ao frigorífico. Acredita-se que, com a medida, o ministro busque ganhar pontos com o presidente Lula para propor mudanças ao atual Código Florestal Brasileiro.

A fiscalização será feita por um técnico federal ou estadual, que irá à propriedade e emitirá a GTA apenas se for autorizado a isso pela Embrapa, responsável por emitir indicação on-line de que a área não possui desmatamento ilegal. A legislação ambiental brasileira prevê que propriedades da Amazônia devam manter 80% de sua propriedade como reserva legal.

De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o monitoramento por satélite deveria ser também feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), já parceiro do Ibama (Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis) para esse controle.

Ambientalistas apontam a pecuária como principal causador da derrubada de árvores na Amazônia e, segundo o IBGE, o estado do Pará tem o quinto maior rebanho do país. Antes que o plano entre em vigor será preciso fazer um mapeamento das áreas e equipar técnicos, já que 90% das GTAs, das informações técnicas sobre os animais e dos cadastros do produtores hoje são emitidas manualmente.


(Envolverde/Amazônia.org.br)

Envolverde - Gradual lança fundo de investimentos que reverterá recursos para a conservação da natureza


Por Redação da WWF-Brasil

O WWF-Brasil e a Gradual Investimentos fizeram parceria corporativa e criaram o Fundo Gradual Amazônia Viva FI Renda Fixa, que tem como meta garantir recursos para projetos que visam a promover a conservação da natureza e o uso sustentável dos recursos naturais. O fundo será lançado na próxima quinta-feira, dia 5 de março, a partir das 19h, no Hotel Da Vinci em Manaus.

Ao adquirir uma cota do Gradual Amazônia Viva, além de garantir retornos compatíveis aos seus objetivos pessoais, o investidor colabora para conservar o meio ambiente e garantir qualidade de vida para a presente e as futuras gerações.

Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode investir. Até mesmo estrangeiros podem participar. Os primeiros recursos doados serão destinados à compra de equipamentos para unidades de conservação (UCs) na Amazônia.

"Para o WWF-Brasil, as unidades de conservação, ou áreas protegidas, têm se mostrado um instrumento de sucesso para a promoção do desenvolvimento sustentável nas regiões onde são implementadas e funcionam como importante barreira à expansão do desmatamento e degradação ambiental, impulsionada pela expansão da soja, da pecuária e pela grilagem, especialmente na Amazônia. Contribuir com implementação de UCs significa fortalecer esses bons resultados", declarou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.

Financeiramente, o Fundo Amazônia Viva tem como objetivo alcançar retorno próximo aos Certificados de Depósito Interbancário (CDI) no longo prazo, por meio de uma gestão ativa de investimentos em renda fixa, basicamente através de títulos do governo. O fundo não permite alavancagem e nem operações com Renda Variável. Além disso, não tem taxa de performance e a taxa de administração é de 1,20% ao ano. A aplicação inicial, movimentação mínima e saldo mínimo são de R$ 1.000,00.

Crédito da imagem:Gradual Investimentos


(Envolverde/WWF-Brasil)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Folha - Inpe aponta queda de 70% no desmate da Amazônia

Desmatamento em áreas indígenas cresce 9%; Funai culpa não-índios por derrubadas

Segundo o ministro Carlos Minc, queda na devastação se deve à maior fiscalização e à resolução do BC que veta o crédito aos desmatadores

Dados de monitoramento por satélite divulgados ontem pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que o desmatamento na Amazônia Legal caiu 70% de novembro de 2008 a janeiro de 2009 em relação ao mesmo trimestre entre 2007 e 2008.
A comparação entre os dois trimestres mostra que a devastação caiu de 2.527 km2 para 754,3 km2. Ou seja, o equivalente a mais de um município de São Paulo (1.509 km2) deixou de ser desmatado. Os Estados que lideram o desmatamento foram Pará (318,7 km2), Mato Grosso (272,3 km2) e Maranhão (88,4 km2).

Apesar disso, o desmate em áreas indígenas da Amazônia Legal atingiu 70,42 km2 de novembro de 2008 a janeiro de 2009 -um aumento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O levantamento cita possíveis derrubadas em 11 áreas indígenas de Mato Grosso (4), Pará (3), Maranhão (2) e Rondônia (2). As derrubadas somam 9% do total desmatado na Amazônia no período.

Em Mato Grosso, dos 227 pontos de possíveis derrubadas, só 15 foram identificados nas reservas indígenas, mas eles respondem por 17% da área total derrubada no Estado.
A maior parte dos pontos (31) foram identificados em duas áreas com histórico de conflitos fundiários e invasões por não-índios: a terra indígena Maraiwatsede (MT) e a terra indígena Cachoeira Seca (PA). Homologada em 1998, a Maraiwatsede é palco de uma arrastada disputa entre índios, posseiros e fazendeiros.

"Quem desmata ali não são os índios. Há naquela área muitas fazendas antigas e que estão em plena atividade. Os índios não utilizam este tipo de prática em suas lavouras", disse o administrador da Funai em Cuiabá, Benedito de Araújo.
Os dados provêm do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que só captura parte do desmatamento devido à menor resolução das imagens e às nuvens.
Segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), a queda na devastação se deve à maior fiscalização e à resolução do Banco Central que vetou crédito a desmatadores nos 36 municípios mais devastados.

(RODRIGO VARGAS, JOÃO CARLOS MAGALHÃES E HUDSON CORRÊA)

OESP - Área desmatada em 3 meses é igual a metade da cidade de SP

Por Lígia Formenti, BRASÍLIA

754 km2 foram destruídos, mas n.º pode ser maior porque nuvens cobriam 76% da região
O desmatamento na Amazônia atingiu, em um período de três meses, o equivalente a uma área de 91 mil campos de futebol. Entre novembro de 2008 e janeiro deste ano, a devastação da floresta atingiu 754,3 km2, de acordo com dados captados pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados ontem.
Os números mostram uma queda de 70,2% de desmatamento comparado com o período de novembro de 2007 a janeiro de 2008, quando foram registrados 2.527 km2 de floresta derrubada. Essa alta taxa de desflorestamento levou o governo, no início do ano passado, a adotar uma série de medidas, como a Operação Arco de Fogo, chamada à época de "maior investida policial na Amazônia Legal", envolvendo mais de 300 integrantes da Polícia Federal, Força Nacional de Segurança e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os dados deste ano, no entanto, podem ser piores. No período medido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 76% da área monitorada estava coberta por nuvens, o que impediu a captação de imagens de desmatamento pelo sistema. Acre, Amazonas, Amapá e Roraima praticamente não foram acompanhados por causa das condições meteorológicas.

Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esse dado não impede a comemoração na redução do desmatamento. "No ano passado, também houve uma grande cobertura por nuvens." No período 2007/2008, a área coberta por nuvens foi de 69%. "Se a área monitorada fosse muito diferente, o número poderia ser questionado. Mas a queda do desmatamento é três vezes mais significativa do que a diferença de cobertura", avaliou.

Minc atribuiu a redução à adoção de medidas de fiscalização. Para ele, os efeitos da crise econômica ainda não podem ser sentidos na atividade de desmatamento. "Não deu tempo. Isso deve ser visto a partir de abril", afirmou. Tradicionalmente, todas as vezes em que há aumento de preços de commodities, o desmatamento aumenta. Movimento inverso também ocorre, mas, para Minc, tais reflexos não são imediatos.

O ministro anunciou que este ano deverão ser publicados editais para contratação de mil fiscais da área de meio ambiente. Parte deles vai para o Instituto Chico Mendes, parte para o Ibama. Quatro aviões foram contratados para fazer o monitoramento de áreas suspeitas de desmatamento. Ele lembrou ainda que o monitoramento do desmatamento será ampliado. "Na revisão do Plano do Clima, em março do próximo ano, já deverão ser incluídas metas para redução de desmatamento de outros biomas."

A área campeã de desmatamento foi o Pará, com 318,7 km2 de floresta derrubada. Em segundo lugar vem Mato Grosso, com 272,3 km2, seguido do Maranhão, com 88,4 km2. Para a delegada da Polícia Federal Fernanda Santos, o fato de o Maranhão figurar entre Estados com maior atividade de desmatamento é explicado pelo aumento da fiscalização em outras áreas, consideradas prioritárias. "Houve uma migração para áreas de menor fiscalização", afirmou. A expectativa agora é que haja um aumento do número de policiais para fiscalizar a atividade no Estado.

Dados revelados pelo Deter mostram que as áreas de desmatamento apresentam um traçado muito semelhante ao das rodovias na região: BR-163, BR-364 e Transamazônica. Um fenômeno que não surpreende o ministro. "É uma tendência conhecida, mas que pode ter seus efeitos neutralizados."

DESTRUIÇÃO

754,3 quilômetros
quadrados foi a área desmatada na Amazônia no trimestre de
novembro de 2008 e janeiro de 2009

318,4 quilômetros
quadrados foi a área derrubada no Pará, o Estado que mais
desmatou no período

Envolverde - Três meses a mais, 754 km² a menos


Por Redação da agência Fapesp

Pará, com 319 km², foi o estado com mais áreas desmatadas na Amazônia. Dados de tendências no desmatamento no trimestre são do sistema Deter.

Nos últimos três meses foram registrados 754 km² de desmatamento na Amazônia Legal. Os dados são do sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram divulgados nesta terça-feira (3/3).

Em novembro, dezembro e janeiro foram registrados, respectivamente, 355 km², 177 km² e 222 km² de desmatamentos por corte raso ou degradação progressiva.

Entre novembro e abril, meses em que a intensidade de nuvens na região amazônica prejudica a observação por satélites, são divulgados os dados apurados pelo Deter a cada trimestre. Os números referentes aos meses de fevereiro a abril serão divulgados até o fim de maio. A análise é feita mensalmente no período seco, de maio a outubro.

Em dezembro, as nuvens chegaram a cobrir 86% da região. Em novembro, 63% da Amazônia Legal esteve encoberta e em janeiro, 76%. No trimestre, o estado com mais áreas desmatadas foi o Pará, onde foram registrados 319 km² do total de 753 km². No Mato Grosso, nos três meses, o desmate atingiu 272 km².

Os mapas que indicam as áreas com nuvens, gráficos e tabelas com os números do desmatamento registrados pelo sistema em cada estado e em cada mês estão disponíveis no site do Deter.

Segundo o Inpe, em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Deter não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia. A informação sobre áreas serve para indicar prioridades aos órgãos responsáveis pela fiscalização. O Inpe destaca que o Deter mostra apenas tendências do desmatamento.

Como sistema de alerta, o Deter mapeia tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, como áreas em processo de desmatamento por degradação florestal. Os dados são organizados por município, estado, base operativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e unidades de conservação, para facilitar e agilizar as operações de fiscalização.

Mais informações: http://www.obt.inpe.br/deter

Crédito da imagem:Inpe

(Envolverde/Agência Fapesp)

terça-feira, 3 de março de 2009

Envolverde - Pagamentos por serviços ambientais podem reduzir desmatamento


Por Redação do MMA

O pagamento por serviços ambientais na Amazônia Legal poderia reduzir o desmatamento e a degradação da floresta em até 13 milhões de hectares, área próxima ou tamanho do Amapá, até 2016. A estimativa aparece em estudo que será lançado nesta terça-feira (3) pelo Departamento de Articulação de Ações da Amazônia, no auditório do Edifício Marie Prendi, 505 Norte, às 9h30, com a presença do ministro Carlos Minc.

Os estudos do Projeto de Apoio ao Monitoramento e Análise do DAAM resultaram na publicação "Pagamentos por serviços ambientais perspectivas para a Amazônia Legal", que traz um estudo detalhado sobre as possibilidades de uso dos pagamentos para diminuir as emissões de carbono na Região Amazônica.

Pagar as populações tradicionais para manter a floresta de pé em áreas de risco potencial para aumento de desmatamento pela atividade agropecuária, extrativista ou exploração do turismo não chega a ser novidade. Mas um estudo que apontasse os problemas envolvidos com a adoção dos pagamentos, sua capacidade de redução de emissões e as perspectivas de impacto positivo no combate às mudanças globais pretendem contribuir para o debate da idéia. A discussão está avançando no país, tanto que seis Projetos de Lei sobre o assunto tramitam no Congresso.

A publicação analisa programas de pagamento por serviços ambientais dentro e fora do Brasil, começando pela Costa Rica, que foi o primeiro país a adotar a medida e passando pelos casos brasileiros, como o Bolsa Floresta, do governo do estado do Amazonas e o Programa de Desenvolvimento Socioambiental de Produção Familiar (Proambiente), também amazonense.


(Envolverde/MMA)

Amazonia.org.br - Focos de queimadas na Amazônia aumentam nos primeiros meses de 2009

Por Bruno Calixto

Especialista alerta, entretanto, que é cedo para dizer se existe tendência para aumentar a quantidade de focos e que os dados ainda não são conclusivos

Durante os meses de janeiro e fevereiro de 2009, a quantidade de focos de queimadas nos estados da Amazônia Legal teve um aumento de cerca de 20%. Foram 582 focos nos dois meses de 2009 contra 480 focos em janeiro e fevereiro em 2008, de acordo com o sistema de monitoramento de queimadas por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Até o momento, Mato Grosso teve 225 focos de queimadas, um número bem superior se comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram detectados 37 focos, e é o estado que mais apresentou focos neste ano. O segundo da lista é o Maranhão, com 146 focos, e depois vem o Pará, com 107.

Os três estados apresentaram, durante o período, mais focos de queimadas do que no mesmo período de 2008. Na lista do ano passado, o estado que mais queimou no período foi Roraima, com 179 focos, e que só teve até agora 21 focos em 2009.

Durante todo o ano de 2008 ocorreram 22 mil focos no Pará, 19 mil no Maranhão e 18 mil em Mato Grosso.

Em todo o país, foram 2868 focos de queimada em 2009, contra 2014 no mesmo período do ano passado. Até o momento, a maior quantidade de focos aparece no estado do Ceará, com 544 focos. "É importante observar que esse número não quer dizer muita coisa no contexto do que ocorre de queimadas. Por enquanto temos cerca de 2800 focos em todo o país, mas quando consolidarmos o ano todo teremos mais de 200 mil focos", analisa Alberto Setzer, pesquisador responsável pelo monitoramente de queimadas do Inpe.

Apesar do aparente aumento, Setzer explica que ainda é cedo para se falar em tendência de aumento nas queimadas. "Se você analisar estados como Mato Grosso ou Pará, eles aparecem, por enquanto, numa posição inferior no ranking. Mas esses estados são os que mais desmatam e os números devem aumentar quando entrarmos no período de queimadas", explica Setzer.

Nesta época do ano o número de focos de queimada na Amazônia é menor do que no resto do país, pois é o período de chuvas na região. O período de seca, principalmente os meses de agosto, setembro e outubro, são os que mais ocorrem queimadas e desmatamento.

Amazonia.org.br - Inpe detecta queda de 70% no desmatamento da Amazônia Legal

Por Bruno Calixto

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou, entre novembro e dezembro de 2008 e janeiro de 2009, 754 quilômetros quadrados de desmatamento. Os números são positivos se comparados ao mesmo período do ano anterior, quando o desmatamento foi de 2.527 km2, o que representa uma queda de aproximadamente 70% no desmatamento.

O Inpe alerta, no entanto, que os números podem estar subestimados, já que é o período de chuvas."Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia. A informação sobre áreas serve para indicar prioridades aos órgãos responsáveis pela fiscalização".

Durante todo o período analisado, o grande campeão de desmatamento foi o Pará, que desmatou 318,7 km2 de florestas. Seguem-no Mato Grosso (272,3 km2), Maranhão (88,4 km2) e Rondônia (58,1 km2).

Avaliação mensal
No mês de outubro de 2008, foram registrados 354 km2 de desmatamento, com 63% de cobertura de nuvens nos estados da Amazônia Legal. O estado do Pará foi o que mais desmatou, com 221,7 km2, seguido por Maranhão (53,6 km2) e Mato Grosso (40,7 km2). O total desmatado foi bem menor do que o do mesmo período de 2007, que registrou 966 km2 de floresta desmatada.

Em dezembro de 2008, o sistema Deter apontou desmatamento em apenas três estados, Pará (9,13 km2), Mato Grosso (57,7 km2) e Rondônia (28,2 km2), totalizando apenas 177 quilômetros quadrados. Comparado com o mesmo período de 2007, a queda da quantidade de desmatamento foi grande, já que em dezembro do ano passado foram 923 km2 de florestas desmatadas. A quantidade de nuvens encontradas, no entanto, foi bastante alta, cobrindo 86% da Amazônia Legal.

Em janeiro de 2009 foram desmatados ao todo 222 quilômetros quadrados de florestas, com destaque para a participação do estado do Mato Grosso, com 173,9 km2, seguido pelo Maranhão, com 34,8 km2, e 76% da Amazônia Legal estava coberta por nuvens. No ano anterior, o desmatamento foi de 638 km2.

Qualificação
Os dados do Inpe são gerados a partir do Deter – Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real, com base em imagens de satélites. O Inpe também elabora uma qualificação dos dados, para a qualificação dos números. De acordo com essa qualificação, 58% dos alertas foram confirmados como corte raso (total supressão da floresta), 37% como degradação progressiva e 5% não apresentaram indícios de desmatamento.

Veja os relatórios do Deter:

AVALIAÇÃO TRIMESTRAL DO DETER - Novembro de 2008 a Janeiro de 2009

Deter - Dezembro de 2008

Deter - Janeiro de 2009

Deter - Novembro de 2008

Envolverde - Desmatamento na Amazônia em três meses equivale à metade do município de São Paulo


Por Luana Lourenço, da Agência Brasil

Brasília - Entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, a Amazônia perdeu 754 quilômetros quadrados de florestas, o equivalente à metade do município de São Paulo. E a devastação pode ter sido ainda maior, pois a alta cobertura de nuvens na região dificultou a visualização dos satélites. As informações fazem parte de relatório do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e foram divulgadas hoje (03/03) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Na comparação com o mesmo trimestre (novembro-janeiro) do período anterior (2007/2008), quando o Inpe registrou 2.527 quilômetros quadrados de desmatamento, houve queda de 70,2%, como adiantou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. No entanto, esse período havia sido atípico, o que levou inclusive ao desencadeamento da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal e do Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Normalmente, os números do Deter são divulgados mensalmente, mas, por causa do chamado “inverno amazônico", o Inpe preferiu reunir os dados em uma base trimestral “para assegurar melhor amostragem e melhor representatividade espacial das análises”, de acordo com o relatório do instituto. Em novembro de 2008, o Deter registrou 355 quilômetros quadrados de desmatamento; em dezembro, 177 quilômetros quadrados; e em janeiro, 222 quilômetros quadrados.

No acumulado do trimestre, Mato Grosso manteve a liderança entre os estados desmatadores, com 318,7 quilômetros quadrados de floresta derrubados (42% do total registrado). O Pará aparece em seguida, com 272 quilômetros quadrados (36%), seguido pelo Maranhão, onde 88,4 quilômetros quadrados foram desmatados (11%). Rondônia, que sempre aparece entre os estados que mais desmatam, derrubou 58,12 quilômetros quadrados de floresta, 7% do total verificado no período.

De acordo com o Inpe, em Mato Grosso e no Pará a cobertura de nuvens no período foi menor, o que possibilitou monitoramento mais qualificado do que em outros estados. A cobertura de nuvens na região chegou a impedir a visualização de 86% da Amazônia Legal no período. “Alguns estados como Acre, Amazonas, Amapá e Roraima praticamente não foram monitorados devido à alta proporção de cobertura de nuvens no período. Dessa forma, os resultados obtidos nessa avaliação são mais representativos para os estados de Mato Grosso e Pará”, aponta o relatório.

O Deter mapeia corte raso (derrubada total) e áreas em processo de desmatamento, a chamada degradação progressiva. O sistema serve de alerta para as ações de fiscalização e controle dos órgãos ambientais.


(Envolverde/Agência Brasil)

Envolverde - Livro analisa pagamentos por serviços ambientais na Amazônia


Por Redação do Amazonia.org.br

Uma contribuição para o debate sobre os mecanismos de pagamento por serviços ambientais na Amazônia. Foi o que pretendeu o Ministério do Meio Ambiente ao produzir o livro "Pagamentos por serviços ambientais - perspectivas para a Amazônia Legal", lançado hoje (03/03), em Brasília.

Com 136 páginas,a publicação analisa, caracteriza, contextualiza e, quando é possível, quantifica os fatores que delimitam o potencial para o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), tanto para manter ou aumentar a provisão de serviços ambientais relacionados a carbono e biodiversidade, quanto para melhorar as condições de vida da população rural na Amazônia brasileira.

A partir de 2000, iniciou-se no Brasil uma discussão mais intensa sobre o potencial de PSA com o lançamento do Programa de Desenvolvimento Socioambiental da Produção Familiar Rural (Proambiente), cuja experiência pioneira em várias localidades da região amazônica mostrou uma série de barreiras a serem superadas na implementação de esquemas de PSA na Amazônia. Desde então, vários projetos de lei foram propostos visando à inclusão de PSA na política ambiental do país.

Segundo o livro, essa política atualmente tem como principal componente instrumentos de comando e controle e a criação de áreas protegidas, que vem a contribuir direta ou indiretamente para a manutenção de serviços ambientais na Amazônia. "Superar a principal barreira legal, que é o estabelecimento de uma base legislativa para a inserção de PSA no orçamento federal, é apenas o primeiro passo. Além disso, há muitas peculiaridades, numa região tão grande e diversa como a Amazônia brasileira, que precisam ser levadas em consideração no desenho de mecanismos públicos de transferência de recursos em prol do meio ambiente", descreve a publicação.

Veja o livro na íntegra aqui: "Pagamentos por serviços ambientais - perspectivas para a Amazônia Legal". - http://www.amazonia.org.br/guia/detalhes.cfm?id=302089&tipo=6&cat_id=44&subcat_id=186


(Envolverde/Amazônia.org.br)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Folha - Equilibrando os pratos

O TSUNAMI econômico-financeiro que varre o mundo será um dia lembrado pelos gigantescos socorros estatais a empresas privadas. Essas medidas podem se justificar, mas é preocupante observar que talvez se limitem à postura do equilibrista a girar suas varetas para que os pratos não se espatifem no chão. Não é fácil escolher os pratos a serem mantidos no ar. Diante da diversidade de interesses, os objetivos devem ser claros e os critérios, transparentes.

À corrida para salvar os pratos da economia tradicional falta a noção de complexidade da situação, inclusive da ameaça ambiental expressa no aquecimento global. A opção de resolver a crise com mais destruição ambiental, afrouxando leis e controles, é falsa e perigosa. É hora de descarbonizar a economia e exigir contrapartidas, tais como processos produtivos mais ecoeficientes, com fortalecimento da governança ambiental em todos os níveis. A solução para o sufoco deve ser, necessariamente, inovadora e sustentável.

Ao mesmo tempo, segmentos de vanguarda comprometidos com a sustentabilidade, mas ainda de frágil inserção no mercado, estão sendo tragados pela crise sem que lhes seja dada pelo menos pequena parcela do apoio prestado à chamada grande economia. No Brasil, isso acontece, por exemplo, no setor de madeira certificada. A pioneira Associação de Produtores Florestais Certificados na Amazônia, criada em 2003, reúne empresas e comunidades tradicionais que, dentro dos padrões do FSC (Forest Stewardship Council), manejam 90% das florestas naturais certificadas e respondem por 2% da madeira produzida na Amazônia, empregando 15 mil pessoas em toda a cadeia produtiva. A área de floresta certificada cresceu de 300 mil hectares, em 2003, para cerca de 3 milhões em 2007.

Contudo, apesar de sua importância estratégica para o futuro da Amazônia, esse segmento corre sério risco. Com a recente retração de mais de 80% nas exportações, sua consolidação e sua expansão estão ameaçadas, bem como os empregos gerados. Medidas podem e devem ser tomadas para ampliar o mercado interno para seus produtos, usando a capacidade de compra do governo ou aquela gerada por empréstimos de bancos oficiais, como faz a Caixa Econômica Federal. Também seria justo criar linha de crédito do BNDES para garantir capital de giro nas operações de exportação.

O que não dá é para deixar a crise econômica arrastar o futuro. Se emergirmos dela nas mãos do mesmo e velho sistema predatório e autocentrado, não teremos aprendido nada e estaremos, aí sim, no rumo de uma nova crise de dimensões apocalípticas.

Envolverde - O consumo de carne e a degradação da Floresta Amazônica


Por Redação do IHU On-line

Na opinião da bióloga e cientista ambiental holandesa Elke Stehfest, o desmatamento realizado para a agricultura, seja para plantio de alimentos ou para o plantio de pastagens para o gado, é o fator de maior impacto na diminuição da Floresta Amazônica. Na entrevista que concedeu ao Instituto Humanitas Unisinos - IHU por e-mail, a pesquisadora que trabalha na Agência de Avaliação Ambiental da Holanda, na equipe IMAGE, destaca o “forte efeito da produção pecuária, especialmente criação de gado, sobre o efeito estufa”. Isso é confirmado no estudo que realizaram, acentua. A equipe IMAGE esteve extensivamente envolvida no recente relatório do IPCC e em vários outros estudos e avaliações sobre mudanças ambientais globais.

Stehfest acentua que o consumo mundial de carne precisa ser reduzido, e enumera vários outros motivos para diminuir esse consumo, para além do aumento do aquecimento global. Saúde, conservação da biodiversidade e bem-estar animal são alguns desses motivos.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - A dieta do clima proposta pela Agência de Impacto Ambiental da Holanda sugere consumir até 400g de carne por semana. Com isso, a pretensão é que se reduza a emissão dos gases estufa em 10%, já que se diminuiria o número de animais criados. Qual é a viabilidade dessa proposta?


Elke Stehfest - Nós realmente calculamos um cenário com cerca de 400g de consumo de carne por semana e per capita, no mundo todo. Para muitos países desenvolvidos, isso significaria reduzir seu consumo de carne para 2/3. Para alguns países africanos isso na verdade significaria um crescimento comparado com a referência. É difícil dizer algo sobre a viabilidade, e não examinamos isso em nosso artigo. Isso obviamente depende de medidas que devem ser tomadas para que se consiga uma redução no consumo de carne. As possíveis medidas são:

- Informar os consumidores a respeito dos benefícios da redução do consumo de carne para a biodiversidade, clima e para sua própria saúde. Talvez introduzindo rótulos informativos nos produtos;

- Viabilizar alternativas saborosas para a carne. Por exemplo, burgers vegetarianos e molhos;

- Um passo ainda maior seriam medidas para proteger florestas tropicais, colocando um preço no carbono da terra. Nas negociações climáticas de Copenhagen, o mecanismo “Reduzindo Emissões do Desmatamento e Degradação” (”Reducing Emissions from Deforestation and Degradation”, REDD) é discutido como uma medida possível para reduzir emissões. Ambas podem ter um efeito nas áreas usadas para produção de carne e alimento.

IHU On-Line - Quais são as evidências científicas entre a criação dos bovinos e o aumento do efeito estufa?

Elke Stehfest - O forte efeito da produção pecuária, especialmente criação de gado, sobre o efeito estufa é muito bem estabelecido, e novamente confirmado em nosso estudo. Um dos mais bem conhecidos estudos é “A grande sombra da pecuária” (”Livestock’s long shadow” - FAO ).

IHU On-Line - Que outros hábitos alimentares humanos vêm interferindo seriamente no clima?


Elke Stehfest - A produção pecuária para carne e leite/laticínios tem mesmo o maior impacto nas emissões de gases de efeito estufa.

IHU On-Line - Nesse estudo, vocês sugerem que se inclua nos rótulos o custo ambiental da carne. Acredita que a população já está suficientemente preparada e mobilizada para esse tipo de alerta?

Elke Stehfest - Alguns governos, como o holandês, também perceberam o grande impacto do consumo de carne. O governo não quer controlar a escolha dos consumidores, mas quer prover todas as informações que os farão ter uma escolha informada.

IHU On-Line - Além do fator ambiental, que outros motivos teríamos para não ingerir carne?

Elke Stehfest - Embora não sejamos especialistas nessas áreas e não examinamos isso em detalhe, afirmo que existem outras razões bem conhecidas pelas quais as pessoas comem menos carne. Saúde deve ser a razão mais importante para a redução do consumo de carne bovina e suína, uma vez que ambas são suspeitas de contribuírem para câncer no intestino e doenças coronárias.

Outras razões ambientais, junto com a mudança climática, são a conservação da Natureza e da biodiversidade, isto é, menos desmatamento tropical para a produção de carne e soja. O bem-estar animal é uma das outras importantes razões pelas quais as pessoas tentam comer menos carne ou mesmo sejam vegetarianas.

IHU On-Line - O economista norte-americano Jeremy Rifkin afirma que estamos destruindo a Amazônia para alimentar vacas. Como esse ecossistema vem reagindo a essa investida pecuarista?


Elke Stehfest - O desmatamento para a agricultura, tanto para plantio quanto para pastagem para o gado, é a mais importante razão para a degradação da Floresta Amazônica. Os efeitos desse desmatamento são:

- perda de habitats naturais

- extinção de espécies

- degradação ou erosão dos solos

- efeitos hídricos como aumento de inundações

- problemas na viabilidade de recursos hídricos com menos tamponamento florestal

- desmatamento em larga escala pode causar a morte de ainda mais florestas

- queda das chuvas em áreas de plantio no leste do Brasil (uma vez que as nuvens/chuvas são produzidas sobre a floresta tropical amazônica).

IHU On-Line - Segundo estimativas, para cada 900 kg de alimento produzido, se produz apenas 1 kg de carne. Chegou a hora de revermos nosso padrão alimentar?

Elke Stehfest - Sim, a produção de carne, especialmente a bovina, utiliza uma grande quantidade de investimento, e também investimento de terra em função de alimentar a crescente população mundial. Para conservar os habitats naturais do mundo, o atual consumo de carne dos países em desenvolvimento não pode ser seguido. Ele deve ser reduzido.

IHU On-Line - Para esse mesmo 1kg de carne produzido são necessários de 20 a 30 mil litros de água. Além disso, a pecuária é responsável por 1/3 da poluição de águas potáveis com nitrogênio e fósforo. Pode-se falar em um comprometimento do potencial hidrológico do qual dispomos em função da criação de gado?

Elke Stehfest - Os números do uso de água para a produção de carne bovina parece alto, possivelmente porque inclui a evaporação/transpiração do pasto. Se considerarmos apenas o consumo de água pelo gado da ordem de 4 a 10 litros por quilo de alimentação seca consumida e a conversão de eficiência de 30 a 60 quilos de alimento seco por quilo de carne, o consumo de água é de uma magnitude menor.

No que se refere à poluição das águas superficiais e subterrâneas, não achamos que os problemas são tão graves quanto em países como a Holanda, onde mais gado é criado em estábulos e o esterco é espalhado por áreas relativamente pequenas de terra. Nos estados brasileiros com áreas importantes de criação de gado, os sistemas são geralmente mais extensos. Com lençóis de água profundos e transporte lento de água e nitrato pelo sistema subterrâneo, as chances de ocorrer desnitrificação são grandes. Mas sim, é correto dizer que a produção de carne bovina pode contribuir para a poluição da água da superfície e subterrânea, mas é difícil dizer sem mais informações que essa contribuição é de 1/3.

Crédito da imagem: Instituto Peabiru


(Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

domingo, 1 de março de 2009

Amazonia.org.br - Gado será ilegal em propriedade com desmatamento

Os rebanhos de criadores que desmatarem serão ilegais, segundo o Ministério da Agricultura. O ministro da pasta, Reinhold Stephanes, disse ao Jornal Folha de São Paulo que somente serão liberadas as Guias de Trânsito Animal (GTAs) para propriedades que não tenham desmatamento ilegal nos meses anteriores à solicitação.

O rebanho que não tem GTA é considerado irregular e não pode ser transportado da fazenda ao frigorífico. Acredita-se que, com a medida, o ministro busque ganhar pontos com o presidente Lula para propor mudanças ao atual Código Florestal Brasileiro.

A fiscalização será feita por um técnico federal ou estadual, que irá à propriedade e emitirá a GTA apenas se for autorizado a isso pela Embrapa, responsável por emitir indicação on-line de que a área não possui desmatamento ilegal. A legislação ambiental brasileira prevê que propriedades da Amazônia devam manter 80% de sua propriedade como reserva legal.

De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o monitoramento por satélite deveria ser também feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), já parceiro do Ibama (Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis) para esse controle.

Ambientalistas apontam a pecuária como principal causador da derrubada de árvores na Amazônia e, segundo o IBGE, o estado do Pará tem o quinto maior rebanho do país. Antes que o plano entre em vigor será preciso fazer um mapeamento das áreas e equipar técnicos, já que 90% das GTAs, das informações técnicas sobre os animais e dos cadastros do produtores hoje são emitidas manualmente.