O governo do Equador ameaça abandonar o projeto de preservação da sua reserva petrolífera na Amazônia caso a comunidade internacional não contribua com um fundo destinado à criação de fontes alternativas de energia.
"Se não conseguirmos reunir suficientes adesões e compromisso internacional temos um plano B (...) que é a decisão de explorar esses recursos petrolíferos", afirmou à BBC Brasil Maria Fernanda Espinosa, ministra equatoriana do Patrimônio e coordenadora do projeto ITT- Yasuní.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Para se tornar potência verde, Brasil precisa fazer mudanças na matriz energética
Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis.
Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa - o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.
Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa - o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Apesar dos avanços, combate ao desmatamento ainda enfrenta entraves
Mariana Della Barba
Quando o governo anuncia que a taxa de desmatamento na Amazônia foi a menor desde 1988, até os mais céticos comemoram. Mas a celebração arrefece assim que se observam os dados mais de perto: em um ano, uma área maior que quatro cidades de São Paulo foi ao chão.
Quando o governo anuncia que a taxa de desmatamento na Amazônia foi a menor desde 1988, até os mais céticos comemoram. Mas a celebração arrefece assim que se observam os dados mais de perto: em um ano, uma área maior que quatro cidades de São Paulo foi ao chão.
sábado, 30 de outubro de 2010
Países fecham acordo para proteger biodiversidade e dividir ganhos
Representantes de mais de 190 países reunidos em Nagoia, no Japão, aprovaram nesta sexta-feira um acordo histórico que, se implementado, deve combater ameaças à biodiversidade até 2020 e dividir melhor os recursos obtidos pela exploração do material genético da natureza.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
BBC - Asfalto na floresta: as 'minas de ouro' dos cientistas
Eric Camara
Para quem não conhece, os arbustos e árvores baixas podem até dar a impressão de que a área foi desmatada recentemente, mas o chamado cerrado amazônico é tudo menos isso.
São campos considerados minas de ouro para cientistas - viveiros da biodiversidade amazônica.
Foi em uma dessas regiões de cerrado amazônico que uma nova espécie de gralha foi registrada pela primeira vez pelo pesquisador Mario Cohn-Haft, há menos de um ano.
Ao longo da BR-319, há diversos campos como estes, que podem ser vistos em imagens de satélites.
Eles aparecem como manchas amarelas que - para os leigos, é bom repetir - podem parecer focos de desmatamento. A diferença é que esses tais "focos" ao longo da BR-319 ficam em locais bastante inacessíveis.
Só se chega até eles com um mateiro e várias horas abrindo trilhas floresta adentro.
Por isso é que decidimos pegar um atalho: fomos até o recém-criado Parque Nacional do Mapinguari.
Lá vimos cotias, araras, muitas andorinhas, papagaios e até rastros de anta, o maior mamífero da América do Sul.
Da "nova" gralha, nada. Mas tudo bem, tivemos uma bela impressão do que os inimigos da reabertura da BR-319 dizem estar sob risco de sobrevivência, caso ela realmente seja inteiramente recuperada.
A partir desta segunda-feira, vamos começar a encontrar as pessoas que vivem às margens da rodovia, muitas vezes em condições de pobreza com enormes dificuldades de acesso a serviços básicos, como saúde e educação.
Não vou ficar surpreso, se descobrir que para essas populações, a importância da incrível biodiversidade amazônica fique em segundo plano, diante da necessidade de, por exemplo, chegar rapidamente a um hospital.
Para quem não conhece, os arbustos e árvores baixas podem até dar a impressão de que a área foi desmatada recentemente, mas o chamado cerrado amazônico é tudo menos isso.
São campos considerados minas de ouro para cientistas - viveiros da biodiversidade amazônica.
Foi em uma dessas regiões de cerrado amazônico que uma nova espécie de gralha foi registrada pela primeira vez pelo pesquisador Mario Cohn-Haft, há menos de um ano.
Ao longo da BR-319, há diversos campos como estes, que podem ser vistos em imagens de satélites.
Eles aparecem como manchas amarelas que - para os leigos, é bom repetir - podem parecer focos de desmatamento. A diferença é que esses tais "focos" ao longo da BR-319 ficam em locais bastante inacessíveis.
Só se chega até eles com um mateiro e várias horas abrindo trilhas floresta adentro.
Por isso é que decidimos pegar um atalho: fomos até o recém-criado Parque Nacional do Mapinguari.
Lá vimos cotias, araras, muitas andorinhas, papagaios e até rastros de anta, o maior mamífero da América do Sul.
Da "nova" gralha, nada. Mas tudo bem, tivemos uma bela impressão do que os inimigos da reabertura da BR-319 dizem estar sob risco de sobrevivência, caso ela realmente seja inteiramente recuperada.
A partir desta segunda-feira, vamos começar a encontrar as pessoas que vivem às margens da rodovia, muitas vezes em condições de pobreza com enormes dificuldades de acesso a serviços básicos, como saúde e educação.
Não vou ficar surpreso, se descobrir que para essas populações, a importância da incrível biodiversidade amazônica fique em segundo plano, diante da necessidade de, por exemplo, chegar rapidamente a um hospital.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
BBC - Amazônia pode ficar 10ºC mais quente até 2060, diz estudo
Por James Painter
Cenário prevê manutenção de altos níveis de emissão desde 90.Um aquecimento global de 4ºC deve ter consequências dramáticas para a América Latina e pode subir as temperaturas na região amazônica entre 8ºC e 10ºC, o que levaria à destruição de grande parte da floresta, de acordo com um novo estudo do Departamento de Meteorologia britânico (Met Office).
O cenário catastrófico pode se tornar realidade já em 2060 – quatro décadas antes do previsto pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC).
“Nas nossas melhores estimativas, um aquecimento global de 4ºC aconteceria na década de 2070. Mas em uma situação extrema plausível isso poderia acontecer em 2060”, disse à BBC Brasil o pesquisador Richard Betts, do Hadley Centre, a unidade do Met Office que estuda mudanças climáticas.
Os novos modelos climáticos computadorizados do Hadley Centre foram divulgados durante uma conferência na Universidade de Oxford e simulam situações em que altas emissões de dióxido de carbono são amplificadas pelo efeito de retroalimentação (feedback) dos ciclos de carbono.
Este é o nome dado por cientistas aos ciclos de absorção e liberação de carbono por florestas e oceanos.
As simulações apresentadas em Oxford indicam que a Amazônia é uma das regiões que mais vai sofrer com o aquecimento global. No entanto, para o cientista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um aquecimento global de 4ºC elevaria a temperatura na região amazônica em cerca de 5ºC.
“Este tipo de acréscimo na temperatura já seria pior do que os cenários mais extremos do IPCC”, disse Marengo à BBC Brasil.
Nordeste
Segundo ele, outros modelos indicam que “a probabilidade de um aquecimento de 3,3ºC até 2100 é maior que 50% em um cenário de altas emissões”.
José Marengo já aplicou uma versão do modelo climático desenvolvido pelo Hadley Centre sobre um cenário de altas emissões para investigar as conseqüências desse aquecimento global de 3,3ºC no Nordeste.
O cientista do Inpe descobriu que o acréscimo seria ainda mais dramático na “região mais vulnerável às mudanças climáticas no Brasil, uma das mais vulneráveis da América do Sul”.
O estudo de Marengo indica que até 2100 as chuvas no Nordeste seriam reduzidas entre 40% e 60% em comparação com os níveis atuais.
Além disso, a duração média da temporada seca saltaria de 12 dias para 30 dias por ano, aumentando o risco de estiagens, e a área utilizável para plantações de grãos como arroz, feijão e soja também cairia significativamente.
Hidrelétricas
Marengo afirma estar particularmente preocupado com os impactos sobre a geração de energia hidrelétrica.
Ele cita como exemplo disso a Bacia do Rio São Francisco, que deve registrar uma redução de cerca de 25% no volume d’água, o que afetaria severamente a produção de eletricidade da região.
Além disso, o pesquisador do Inpe lembra que a densidade demográfica no Nordeste é muito maior do que na Amazônia. Os impactos das mudanças climáticas sobre pequenos produtores rurais levariam a movimentos migratórios.
O novo estudo do Hadley Centre mostra fortes variações na subida de temperatura e no regime de chuvas nas várias regiões do planeta.
Na América Central, as consequências do aquecimento global são menos disputadas.
“Deve ser registrada uma queda de pelo menos 20% no volume de chuvas lá, na hipótese de 4ºC”, afirmou Betts.
Mais ao sul do continente, na região da Argentina, por exemplo, a previsão é de um aumento nas chuvas.
Caribe
Na conferência de Oxford, outros cientistas apresentaram estudos que indicam consequências graves para as regiões mais baixas da América Latina e do Caribe, na hipótese de um aquecimento de 4ºC.
O cientista Stefan Rahmstorf, do Instituto de Potsdam, na Alemanha, afirmou que um aquecimento neste nível elevaria o nível do mar entre um metro e 1,3 metro até 2100 em relação aos níveis de 1990.
Os países mais ameaçados pela subida dos oceanos são Guiana, Suriname, Belize, Jamaica, Equador e o território da Guiana Francesa, além da Península de Yucatán, no México.
O Met Office também apresentou mapas na conferência que mostram que grande parte dessas áreas já estão enfrentando a elevação do nível do mar.
A comunidade científica concorda ser possível se preparar para enfrentar o problema porque a elevação acontece vagarosamente. No entanto, a combinação de ressacas, furacões de maior intensidade e a elevação do nível oceânico pode provocar problemas mais imediatos.
Desde o fim da década de 90, as emissões de gases do efeito estufa vêm ficando próximas às previsões mais extremadas do IPCC.
No seu relatório de 2007, o IPCC afirma que, na pior das hipóteses, a temperatura global subiria 4ºC até o fim do século, caso a emissão de gases do efeito estufa continuasse a crescer, embora um aquecimento maior não tenha sido descartado.
No mesmo relatório, o painel de cientistas convocado pelas Nações Unidas recomenda limitar o aquecimento global a 2ºC para evitar conseqüências “potencialmente dramáticas” das mudanças climáticas.
Cenário prevê manutenção de altos níveis de emissão desde 90.Um aquecimento global de 4ºC deve ter consequências dramáticas para a América Latina e pode subir as temperaturas na região amazônica entre 8ºC e 10ºC, o que levaria à destruição de grande parte da floresta, de acordo com um novo estudo do Departamento de Meteorologia britânico (Met Office).
O cenário catastrófico pode se tornar realidade já em 2060 – quatro décadas antes do previsto pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC).
“Nas nossas melhores estimativas, um aquecimento global de 4ºC aconteceria na década de 2070. Mas em uma situação extrema plausível isso poderia acontecer em 2060”, disse à BBC Brasil o pesquisador Richard Betts, do Hadley Centre, a unidade do Met Office que estuda mudanças climáticas.
Os novos modelos climáticos computadorizados do Hadley Centre foram divulgados durante uma conferência na Universidade de Oxford e simulam situações em que altas emissões de dióxido de carbono são amplificadas pelo efeito de retroalimentação (feedback) dos ciclos de carbono.
Este é o nome dado por cientistas aos ciclos de absorção e liberação de carbono por florestas e oceanos.
As simulações apresentadas em Oxford indicam que a Amazônia é uma das regiões que mais vai sofrer com o aquecimento global. No entanto, para o cientista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um aquecimento global de 4ºC elevaria a temperatura na região amazônica em cerca de 5ºC.
“Este tipo de acréscimo na temperatura já seria pior do que os cenários mais extremos do IPCC”, disse Marengo à BBC Brasil.
Nordeste
Segundo ele, outros modelos indicam que “a probabilidade de um aquecimento de 3,3ºC até 2100 é maior que 50% em um cenário de altas emissões”.
José Marengo já aplicou uma versão do modelo climático desenvolvido pelo Hadley Centre sobre um cenário de altas emissões para investigar as conseqüências desse aquecimento global de 3,3ºC no Nordeste.
O cientista do Inpe descobriu que o acréscimo seria ainda mais dramático na “região mais vulnerável às mudanças climáticas no Brasil, uma das mais vulneráveis da América do Sul”.
O estudo de Marengo indica que até 2100 as chuvas no Nordeste seriam reduzidas entre 40% e 60% em comparação com os níveis atuais.
Além disso, a duração média da temporada seca saltaria de 12 dias para 30 dias por ano, aumentando o risco de estiagens, e a área utilizável para plantações de grãos como arroz, feijão e soja também cairia significativamente.
Hidrelétricas
Marengo afirma estar particularmente preocupado com os impactos sobre a geração de energia hidrelétrica.
Ele cita como exemplo disso a Bacia do Rio São Francisco, que deve registrar uma redução de cerca de 25% no volume d’água, o que afetaria severamente a produção de eletricidade da região.
Além disso, o pesquisador do Inpe lembra que a densidade demográfica no Nordeste é muito maior do que na Amazônia. Os impactos das mudanças climáticas sobre pequenos produtores rurais levariam a movimentos migratórios.
O novo estudo do Hadley Centre mostra fortes variações na subida de temperatura e no regime de chuvas nas várias regiões do planeta.
Na América Central, as consequências do aquecimento global são menos disputadas.
“Deve ser registrada uma queda de pelo menos 20% no volume de chuvas lá, na hipótese de 4ºC”, afirmou Betts.
Mais ao sul do continente, na região da Argentina, por exemplo, a previsão é de um aumento nas chuvas.
Caribe
Na conferência de Oxford, outros cientistas apresentaram estudos que indicam consequências graves para as regiões mais baixas da América Latina e do Caribe, na hipótese de um aquecimento de 4ºC.
O cientista Stefan Rahmstorf, do Instituto de Potsdam, na Alemanha, afirmou que um aquecimento neste nível elevaria o nível do mar entre um metro e 1,3 metro até 2100 em relação aos níveis de 1990.
Os países mais ameaçados pela subida dos oceanos são Guiana, Suriname, Belize, Jamaica, Equador e o território da Guiana Francesa, além da Península de Yucatán, no México.
O Met Office também apresentou mapas na conferência que mostram que grande parte dessas áreas já estão enfrentando a elevação do nível do mar.
A comunidade científica concorda ser possível se preparar para enfrentar o problema porque a elevação acontece vagarosamente. No entanto, a combinação de ressacas, furacões de maior intensidade e a elevação do nível oceânico pode provocar problemas mais imediatos.
Desde o fim da década de 90, as emissões de gases do efeito estufa vêm ficando próximas às previsões mais extremadas do IPCC.
No seu relatório de 2007, o IPCC afirma que, na pior das hipóteses, a temperatura global subiria 4ºC até o fim do século, caso a emissão de gases do efeito estufa continuasse a crescer, embora um aquecimento maior não tenha sido descartado.
No mesmo relatório, o painel de cientistas convocado pelas Nações Unidas recomenda limitar o aquecimento global a 2ºC para evitar conseqüências “potencialmente dramáticas” das mudanças climáticas.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
BBC - Subsecretário de desenvolvimento sustentável defende pragmatismo na Amazônia
O subsecretário de desenvolvimento sustentável da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Alberto Lourenço, acredita que o pragmatismo é a única maneira de resolver a questão da terra na Amazônia.
Por Paulo Cabral
Foi na Secretaria de Assuntos Estratégicos, então sob o comando de Roberto Mangabeira Unger, que nasceu a MP da Regularização Fundiária da Amazônia. Lourenço teve intensa participação na elaboração da proposta.
"A MP é profundamente pragmática e não vejo alternativa para isso. O que o Brasil poderia fazer? Acabar com todo o setor rural na Amazônia? Quase toda a terra lá é ocupada, de uma maneira ou de outra, ilegalmente", argumenta.
"O que temos que fazer é separar o passado do futuro. Precisamos colocar em ordem a situação com ela se apresenta agora para poder controlar direitos o uso da Amazônia e impedir novas ocupações".
Lourenço afirma que nada indica fundamento nos temores de ambientalistas de que regularizar terra ocupada ilegalmente fosse causar uma nova onda de ocupações na região.
"Se isso fizesse qualquer sentido já estaríamos assistindo agora a esse movimento de invasão e isto não está acontecendo. As ocupações e o desmatamento caíram vertiginosamente", diz.
Venda de terras
Outro ponto muito levantado por ambientalistas do qual Lourenço discorda diz respeito à venda da terra para os pequenos agricultores.
De acordo com a nova lei, aqueles quem tem até 1 módulo fiscal de terra (de 50 a 100 hectares, de acordo com a região) vão receber a área de graça enquanto os que tem de um a quatro módulos fiscais vão levar a terra a preços abaixo do mercado e com vinte anos para pagar. A maioria dos ambientalistas acredita que todos deveriam pagar preço de mercado pela terra.
"Agricultores com até um módulo fiscal são a verdadeira pobreza rural da Amazônia. Não faz o menor sentido querer que essas pessoas paguem pela pouca terra da qual tiram apenas a subsistência", diz.
"E fazendas de até quatro módulos são também muito pequenas. Querer cobrar desses fazendeiros à vista seria um grande absurdo, uma transferência de renda nunca antes vista do setor produtivo rural para o governo."
Lourenço observa que a lei beneficia os pequenos e médios agricultores e rebate a acusação de que a lei vai acabar resultando numa concentração fundiária ainda maior e novos conflitos de terra.
O que ambientalistas temem é que grandes proprietários usem laranjas para regularizar fazendas muito maiores do que os 1,5 mil hectares previstos na lei ou forcem pequenos proprietários a venderem seus lotes.
"Hoje há mecanismos de controle na Amazônia que nos permitem impedir esse tipo de coisa. Se um fazendeiro dividir uma fazenda em dez laranjas, por exemplo, vamos poder ver por meio de fotos de satélite e mesmo investigações no local que aquilo é, na verdade, uma só fazenda", diz.
Por Paulo Cabral
Foi na Secretaria de Assuntos Estratégicos, então sob o comando de Roberto Mangabeira Unger, que nasceu a MP da Regularização Fundiária da Amazônia. Lourenço teve intensa participação na elaboração da proposta.
"A MP é profundamente pragmática e não vejo alternativa para isso. O que o Brasil poderia fazer? Acabar com todo o setor rural na Amazônia? Quase toda a terra lá é ocupada, de uma maneira ou de outra, ilegalmente", argumenta.
"O que temos que fazer é separar o passado do futuro. Precisamos colocar em ordem a situação com ela se apresenta agora para poder controlar direitos o uso da Amazônia e impedir novas ocupações".
Lourenço afirma que nada indica fundamento nos temores de ambientalistas de que regularizar terra ocupada ilegalmente fosse causar uma nova onda de ocupações na região.
"Se isso fizesse qualquer sentido já estaríamos assistindo agora a esse movimento de invasão e isto não está acontecendo. As ocupações e o desmatamento caíram vertiginosamente", diz.
Venda de terras
Outro ponto muito levantado por ambientalistas do qual Lourenço discorda diz respeito à venda da terra para os pequenos agricultores.
De acordo com a nova lei, aqueles quem tem até 1 módulo fiscal de terra (de 50 a 100 hectares, de acordo com a região) vão receber a área de graça enquanto os que tem de um a quatro módulos fiscais vão levar a terra a preços abaixo do mercado e com vinte anos para pagar. A maioria dos ambientalistas acredita que todos deveriam pagar preço de mercado pela terra.
"Agricultores com até um módulo fiscal são a verdadeira pobreza rural da Amazônia. Não faz o menor sentido querer que essas pessoas paguem pela pouca terra da qual tiram apenas a subsistência", diz.
"E fazendas de até quatro módulos são também muito pequenas. Querer cobrar desses fazendeiros à vista seria um grande absurdo, uma transferência de renda nunca antes vista do setor produtivo rural para o governo."
Lourenço observa que a lei beneficia os pequenos e médios agricultores e rebate a acusação de que a lei vai acabar resultando numa concentração fundiária ainda maior e novos conflitos de terra.
O que ambientalistas temem é que grandes proprietários usem laranjas para regularizar fazendas muito maiores do que os 1,5 mil hectares previstos na lei ou forcem pequenos proprietários a venderem seus lotes.
"Hoje há mecanismos de controle na Amazônia que nos permitem impedir esse tipo de coisa. Se um fazendeiro dividir uma fazenda em dez laranjas, por exemplo, vamos poder ver por meio de fotos de satélite e mesmo investigações no local que aquilo é, na verdade, uma só fazenda", diz.
terça-feira, 16 de junho de 2009
BBC - Progresso em áreas desmatadas na Amazônia não é sustentável, diz estudo
Um estudo publicado na última edição da revista científica Science afirma que a derrubada de florestas para criação de pastagens ou plantações na Amazônia tende a provocar uma elevação inicial rápida nos índices de desenvolvimento humano local, mas a vantagem desaparece na medida em que o desmatamento avança.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas compararam os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) de 286 municípios amazônicos em diferentes estágios de desmatamento, tendo como base o ano 2000.
O IDH é uma metodologia desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir a qualidade de vida e inclui indicadores como renda, expectativa de vida e nível de educação.
Nos municípios que estão nos estágios iniciais do desmatamento ou nos quais o ritmo de desmatamento é alto, os pesquisadores encontraram índices de desenvolvimento humano próximos aos da média nacional e acima da média regional.
Nos municípios com pouco ou nenhum desmatamento e nos municípios com taxas de desmatamentos superior a 60% da área, os índices de desenvolvimento são similares e baixos quando comparados à média nacional.
Duas velocidades
Segundo os pesquisadores, isso sugere que "a expectativa de vida, nível de educação e padrão de vida melhoram mais rápido do que a média nacional nos municípios nos estágios iniciais do desmatamento".
Mas, em um segundo estágio, as condições de vida passam a melhorar num ritmo inferior à média nacional.
O resultado, argumenta o estudo, é que "em termos líquidos, pessoas em municípios que derrubaram suas florestas não estão melhores do que aqueles em muncipíos que não o fizeram."
De acordo com o artigo, a explicação mais provável para o progresso inicial é que "as pessoas se beneficiam dos recursos naturais disponíveis e da melhora no acesso aos mercados oferecida por novas estradas", assim como de investimentos públicos em infra-estrutura, educação e saúde.
A decadência nos padrões de vida "provavelmente reflete a exaustão dos recursos naturais que sustentaram o boom inicial, aliada ao aumento da população local".
O argumento é sustentado por estatísticas que mostram não só a redução da produtividade da exploração da madeira, como também da agricultura e da pecuária - o que "provavelmente reflete a degradação em larga escala dos pastos pela perda de produtividade do solo ou alterações no uso das terras por conta de mudanças nas condições do comércio de terras".
Medidas
Para os pesquisadores, o problema "provavelmente não tem uma solução única".
Entre as medidas propostas, estão apoio a um uso melhor das áreas já desmatadas, restrições a novos desmatamentos e reflorestação de áreas degradadas", além de incentivos a atividades sustentáveis, como manejo florestal e pagamento por serviços ecológicos.
O estudo é assinado por pesquisadores do Instituto Superior Técnico de Portugal, do Imazon, do Centre d'Ecologie Fonctionnelle et Evolutive, da França, e das universidade britânicas de Cambridge, Imperial College London e de East Anglia e coordenado pela pesquisadora Ana Rodrigues, do Instituto Superior Técnico de Portugal.
Um dos autores, o pesquisador Adalberto Veríssimo, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), afirmou à BBC Brasil que o estudo "mostra claramente que desmatamento não compensa, que este modelo baseado na apropriação do patrimônio público não é o caminho nem para o Brasil nem para o mundo".
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse à BBC Brasil que o governo está fazendo a sua parte para quebrar o ciclo de expansão-colapso apontado pelo estudo.
"O que faz sair do ciclo de degradação é injetar tecnologia, recursos e pagar (a população local) para fazer a coisa certa", disse Minc.
O ministro deu como exemplo a nova fase da Operação Arco Verde, iniciada nesta semana pelo governo federal, que deve passar pelos 43 municípios que mais registraram desmatamento, levando informações sobre desenvolvimento sustentável, títulos fundiários e linhas de crédito "verdes".
Para Veríssimo, o ciclo é consequência do "grande dilema do modelo de desenvolvimento baseado na combinação da extração predatória de madeira, seguida pela pecuária". E, para ele, a única forma de sufocar essa dinâmica seria o fim da apropriação ilegal de terras públicas.
"No momento em que a MP 458 está dizendo que vai regularizar as terras de quem faz este jogo (de ocupação ilegal, exploração e novas ocupações), está dando um sinal claro de que as pessoas podem continuar ocupando que o governo em algum momento vai anistiá-la. Do jeito que ela está, ela vai criar condições concretas para que o processo continue na Amazônia", disse Veríssimo.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas compararam os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) de 286 municípios amazônicos em diferentes estágios de desmatamento, tendo como base o ano 2000.
O IDH é uma metodologia desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir a qualidade de vida e inclui indicadores como renda, expectativa de vida e nível de educação.
Nos municípios que estão nos estágios iniciais do desmatamento ou nos quais o ritmo de desmatamento é alto, os pesquisadores encontraram índices de desenvolvimento humano próximos aos da média nacional e acima da média regional.
Nos municípios com pouco ou nenhum desmatamento e nos municípios com taxas de desmatamentos superior a 60% da área, os índices de desenvolvimento são similares e baixos quando comparados à média nacional.
Duas velocidades
Segundo os pesquisadores, isso sugere que "a expectativa de vida, nível de educação e padrão de vida melhoram mais rápido do que a média nacional nos municípios nos estágios iniciais do desmatamento".
Mas, em um segundo estágio, as condições de vida passam a melhorar num ritmo inferior à média nacional.
O resultado, argumenta o estudo, é que "em termos líquidos, pessoas em municípios que derrubaram suas florestas não estão melhores do que aqueles em muncipíos que não o fizeram."
De acordo com o artigo, a explicação mais provável para o progresso inicial é que "as pessoas se beneficiam dos recursos naturais disponíveis e da melhora no acesso aos mercados oferecida por novas estradas", assim como de investimentos públicos em infra-estrutura, educação e saúde.
A decadência nos padrões de vida "provavelmente reflete a exaustão dos recursos naturais que sustentaram o boom inicial, aliada ao aumento da população local".
O argumento é sustentado por estatísticas que mostram não só a redução da produtividade da exploração da madeira, como também da agricultura e da pecuária - o que "provavelmente reflete a degradação em larga escala dos pastos pela perda de produtividade do solo ou alterações no uso das terras por conta de mudanças nas condições do comércio de terras".
Medidas
Para os pesquisadores, o problema "provavelmente não tem uma solução única".
Entre as medidas propostas, estão apoio a um uso melhor das áreas já desmatadas, restrições a novos desmatamentos e reflorestação de áreas degradadas", além de incentivos a atividades sustentáveis, como manejo florestal e pagamento por serviços ecológicos.
O estudo é assinado por pesquisadores do Instituto Superior Técnico de Portugal, do Imazon, do Centre d'Ecologie Fonctionnelle et Evolutive, da França, e das universidade britânicas de Cambridge, Imperial College London e de East Anglia e coordenado pela pesquisadora Ana Rodrigues, do Instituto Superior Técnico de Portugal.
Um dos autores, o pesquisador Adalberto Veríssimo, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), afirmou à BBC Brasil que o estudo "mostra claramente que desmatamento não compensa, que este modelo baseado na apropriação do patrimônio público não é o caminho nem para o Brasil nem para o mundo".
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse à BBC Brasil que o governo está fazendo a sua parte para quebrar o ciclo de expansão-colapso apontado pelo estudo.
"O que faz sair do ciclo de degradação é injetar tecnologia, recursos e pagar (a população local) para fazer a coisa certa", disse Minc.
O ministro deu como exemplo a nova fase da Operação Arco Verde, iniciada nesta semana pelo governo federal, que deve passar pelos 43 municípios que mais registraram desmatamento, levando informações sobre desenvolvimento sustentável, títulos fundiários e linhas de crédito "verdes".
Para Veríssimo, o ciclo é consequência do "grande dilema do modelo de desenvolvimento baseado na combinação da extração predatória de madeira, seguida pela pecuária". E, para ele, a única forma de sufocar essa dinâmica seria o fim da apropriação ilegal de terras públicas.
"No momento em que a MP 458 está dizendo que vai regularizar as terras de quem faz este jogo (de ocupação ilegal, exploração e novas ocupações), está dando um sinal claro de que as pessoas podem continuar ocupando que o governo em algum momento vai anistiá-la. Do jeito que ela está, ela vai criar condições concretas para que o processo continue na Amazônia", disse Veríssimo.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
BBC - Metas na Amazônia devem aumentar cobrança sobre o Brasil
Por Fabrícia Peixoto
O Brasil pode chegar a 2020 como um dos líderes em iniciativas de combate ao aquecimento global, por ter a maior floresta tropical do planeta e a uma matriz energética limpa. Mas antes terá de enfrentar o ceticismo da comunidade internacional em relação à forma como lida com seu principal ativo nessa área: a Amazônia.
Um importante passo para a conquista dessa credibilidade foi a adoção, em dezembro do ano passado, de metas específicas contra o desmatamento na região. O plano prevê uma redução de 70% nas derrubadas até 2017 e o fim do desmatamento até 2040.
Mas especialistas afirmam que, apesar de voluntárias, as metas despertarão ainda mais a vigilância internacional em relação ao que acontece na Amazônia, o que pode colocar o Brasil em posição de destaque entre países emergentes que não assumiram compromissos.
"As metas são fundamentais, pois facilitam a cobrança. É possível saber se o governo está ou não sendo coerente", diz Adalberto Veríssimo, pesquisador da instituição sem fins lucrativos Imazon.
Para Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e especialista em mudanças climáticas, a questão da Amazônia pode colocar o Brasil numa posição complicada no debate internacional sobre a preservação do meio ambiente.
"A Amazônia tem sido nossa maior vulnerabilidade na área ambiental, o que vinha colocando o Brasil em uma situação defensiva no debate", diz ele.
Viola afirma, entretanto, que apesar de o ceticismo internacional em relação à Amazônia ter sido a tônica dos últimos dos anos, existe uma mudança em curso.
"O desmatamento vem caindo e agora temos as metas. Tudo indica que o país está em um caminho de mudança de comportamento", diz Viola.
Os especialistas dizem ainda que a confiança internacional é fundamental para o sucesso dos planos ambientais do país. Um deles, o Fundo Amazônia, pretende recolher doações de países ricos interessados em colaborar com a recuperação da floresta.
Para Veríssimo, o nível de cobrança sobre o governo brasileiro depende também de um outro fator, que nada tem a ver com a Amazônia: o novo governo americano.
"Se o governo Obama for realmente mais proativo do que seu antecessor, os outros países tenderão a acompanhar. Nesse caso, os Estados Unidos deixarão de ser os vilões da mudança climática". O resultado, de acordo com o pesquisador do Imazon, será uma mudança de foco para outros países, sobretudo os emergentes.
Uma possível mudança de rumo ficará mais clara na Conferência do Clima, que acontece no final do ano, em Copenhague. Há uma forte expectativa em torno da reunião, com ambientalistas aguardando um compromisso maior dos Estados Unidos.
Custo baixo
Estimativas apontam o Brasil como responsável por 4% das emissões mundiais de gases do efeito estufa, uma posição favorável frente à posição de outros emergentes, como China (22%), Índia (8%) e Rússia (6%), que formam com o Brasil o bloco dos BRIC.
Além disso, o Brasil tem outra grande vantagem: o país é o que menos tem a perder com a redução das emissões. Um estudo da consultoria McKinsey mostra que, no Brasil, essa redução tem um custo inferior à média internacional.
Segundo o levantamento, que considera projeções para 2030, a maior parte das ações no Brasil teria um custo inferior a 10 euros por tonelada de dióxido de carbono, enquanto a média mundial será de 18 euros.
Essa vantagem financeira vem justamente da Amazônia. Isso porque, no Brasil, o grande vilão das emissões é o desmatamento, que representa mais da metade dos gases emitidos pelo país - ao contrário da maioria dos países, onde fatores urbanos, como transporte e energia, são os maiores emissores.
"Basicamente, é mais barato deixar de desmatar do que desligar uma usina termelétrica", diz Osvaldo Stella, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
Dificuldades
Mesmo com o baixo custo, os especialistas afirmam que ainda assim não é fácil acabar com o desmatamento na Amazônia.
"Prova disso é que o governo ainda aceitará o desmatamento até 2017, o que pode comprometer até 100 mil quilômetros quadrados da floresta", diz Adalberto Veríssimo, do Imazon. A área equivale ao Estado de Pernambuco.
Apesar de o Brasil ter uma legislação rigorosa para fins ambientais, o país ainda encontra problemas para fazer valer a lei em uma região de difícil acesso.
"Qualquer alternativa para a Amazônia será destruída se a ilegalidade dominar o modo de utilização da terra", diz o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
"Se o Brasil conseguisse cumprir a lei, nem precisava assinar qualquer tratado internacional. Bastava cumprir a nossa própria legislação para diminuir a emissão de gases", diz Viola.
Além disso, é cada vez maior o número de pequenos e médios produtores envolvidos com o desmatamento ilegal, o que vai exigir, segundo especialistas, uma solução socioeconômica para a região.
"Não é apenas uma questão de bandidagem, mas também de sustento econômico para milhares de famílias. Não há saída para a Amazônia que não passe por uma alternativa para essas pessoas", diz Veríssimo.
O estudo da McKinsey aponta que os programas para erradicação do desmatamento na Amazônia exigiriam 5,7 bilhões de euros, por ano, até 2030 - o equivalente a R$ 17,1 bilhões anuais.
Na avaliação de Viola, a tarefa não é impossível. Segundo ele, a sociedade brasileira já entendeu a relação entre desmatamento e mudança climática. "Esse fato não pode ser minimizado, pois é a partir dele que vêm as pressões políticas por mudança", diz.
O Brasil ainda não conseguiu colocar o desmatamento dentro de um processo de redução contínua. O desmate vinha caindo desde 2004, mas entre 2007 e 2008 voltou a subir, com uma perda de 11,9 mil quilômetros quadrados em 12 meses.
Além disso, o próprio governo tem sido apontado como um dos maiores culpados pelas derrubadas: assentamentos promovidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão no topo do ranking dos maiores desmatadores.
O Brasil pode chegar a 2020 como um dos líderes em iniciativas de combate ao aquecimento global, por ter a maior floresta tropical do planeta e a uma matriz energética limpa. Mas antes terá de enfrentar o ceticismo da comunidade internacional em relação à forma como lida com seu principal ativo nessa área: a Amazônia.
Um importante passo para a conquista dessa credibilidade foi a adoção, em dezembro do ano passado, de metas específicas contra o desmatamento na região. O plano prevê uma redução de 70% nas derrubadas até 2017 e o fim do desmatamento até 2040.
Mas especialistas afirmam que, apesar de voluntárias, as metas despertarão ainda mais a vigilância internacional em relação ao que acontece na Amazônia, o que pode colocar o Brasil em posição de destaque entre países emergentes que não assumiram compromissos.
"As metas são fundamentais, pois facilitam a cobrança. É possível saber se o governo está ou não sendo coerente", diz Adalberto Veríssimo, pesquisador da instituição sem fins lucrativos Imazon.
Para Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e especialista em mudanças climáticas, a questão da Amazônia pode colocar o Brasil numa posição complicada no debate internacional sobre a preservação do meio ambiente.
"A Amazônia tem sido nossa maior vulnerabilidade na área ambiental, o que vinha colocando o Brasil em uma situação defensiva no debate", diz ele.
Viola afirma, entretanto, que apesar de o ceticismo internacional em relação à Amazônia ter sido a tônica dos últimos dos anos, existe uma mudança em curso.
"O desmatamento vem caindo e agora temos as metas. Tudo indica que o país está em um caminho de mudança de comportamento", diz Viola.
Os especialistas dizem ainda que a confiança internacional é fundamental para o sucesso dos planos ambientais do país. Um deles, o Fundo Amazônia, pretende recolher doações de países ricos interessados em colaborar com a recuperação da floresta.
Para Veríssimo, o nível de cobrança sobre o governo brasileiro depende também de um outro fator, que nada tem a ver com a Amazônia: o novo governo americano.
"Se o governo Obama for realmente mais proativo do que seu antecessor, os outros países tenderão a acompanhar. Nesse caso, os Estados Unidos deixarão de ser os vilões da mudança climática". O resultado, de acordo com o pesquisador do Imazon, será uma mudança de foco para outros países, sobretudo os emergentes.
Uma possível mudança de rumo ficará mais clara na Conferência do Clima, que acontece no final do ano, em Copenhague. Há uma forte expectativa em torno da reunião, com ambientalistas aguardando um compromisso maior dos Estados Unidos.
Custo baixo
Estimativas apontam o Brasil como responsável por 4% das emissões mundiais de gases do efeito estufa, uma posição favorável frente à posição de outros emergentes, como China (22%), Índia (8%) e Rússia (6%), que formam com o Brasil o bloco dos BRIC.
Além disso, o Brasil tem outra grande vantagem: o país é o que menos tem a perder com a redução das emissões. Um estudo da consultoria McKinsey mostra que, no Brasil, essa redução tem um custo inferior à média internacional.
Segundo o levantamento, que considera projeções para 2030, a maior parte das ações no Brasil teria um custo inferior a 10 euros por tonelada de dióxido de carbono, enquanto a média mundial será de 18 euros.
Essa vantagem financeira vem justamente da Amazônia. Isso porque, no Brasil, o grande vilão das emissões é o desmatamento, que representa mais da metade dos gases emitidos pelo país - ao contrário da maioria dos países, onde fatores urbanos, como transporte e energia, são os maiores emissores.
"Basicamente, é mais barato deixar de desmatar do que desligar uma usina termelétrica", diz Osvaldo Stella, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
Dificuldades
Mesmo com o baixo custo, os especialistas afirmam que ainda assim não é fácil acabar com o desmatamento na Amazônia.
"Prova disso é que o governo ainda aceitará o desmatamento até 2017, o que pode comprometer até 100 mil quilômetros quadrados da floresta", diz Adalberto Veríssimo, do Imazon. A área equivale ao Estado de Pernambuco.
Apesar de o Brasil ter uma legislação rigorosa para fins ambientais, o país ainda encontra problemas para fazer valer a lei em uma região de difícil acesso.
"Qualquer alternativa para a Amazônia será destruída se a ilegalidade dominar o modo de utilização da terra", diz o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
"Se o Brasil conseguisse cumprir a lei, nem precisava assinar qualquer tratado internacional. Bastava cumprir a nossa própria legislação para diminuir a emissão de gases", diz Viola.
Além disso, é cada vez maior o número de pequenos e médios produtores envolvidos com o desmatamento ilegal, o que vai exigir, segundo especialistas, uma solução socioeconômica para a região.
"Não é apenas uma questão de bandidagem, mas também de sustento econômico para milhares de famílias. Não há saída para a Amazônia que não passe por uma alternativa para essas pessoas", diz Veríssimo.
O estudo da McKinsey aponta que os programas para erradicação do desmatamento na Amazônia exigiriam 5,7 bilhões de euros, por ano, até 2030 - o equivalente a R$ 17,1 bilhões anuais.
Na avaliação de Viola, a tarefa não é impossível. Segundo ele, a sociedade brasileira já entendeu a relação entre desmatamento e mudança climática. "Esse fato não pode ser minimizado, pois é a partir dele que vêm as pressões políticas por mudança", diz.
O Brasil ainda não conseguiu colocar o desmatamento dentro de um processo de redução contínua. O desmate vinha caindo desde 2004, mas entre 2007 e 2008 voltou a subir, com uma perda de 11,9 mil quilômetros quadrados em 12 meses.
Além disso, o próprio governo tem sido apontado como um dos maiores culpados pelas derrubadas: assentamentos promovidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão no topo do ranking dos maiores desmatadores.
sexta-feira, 6 de março de 2009
BBC - Impacto de seca na Amazônia 'supera emissões' de Europa e Japão
A seca de 2005 na Amazônia teve um impacto de 5 bilhões de toneladas extras de dióxido de carbônico na atmosfera terrestre, o que supera as emissões anuais de Europa e Japão, segundo estudo coordenado pela Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, divulgado na nova edição da revista Science.
Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.
Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.
A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.
"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.
Mais quente
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.
Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.
Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.
"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."
A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.
A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.
Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.
Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.
A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.
"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.
Mais quente
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.
Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.
Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.
"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."
A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.
A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
BBC - MP de terras da Amazônia enfrentará dificuldades, diz 'Economist'
A medida provisória que regulariza a posse de terras na Amazônia Legal, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início deste mês, deve sofrer dificuldades para ser implementada, diz a revista britânica The Economist na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira.
A nova legislação, publicada no último dia 11 de fevereiro no Diário Oficial da União, desburocratiza a regularização fundiária na região e facilita o acesso a títulos de propriedade de terra permanentes a posseiros. O governo prevê que, no prazo de três anos, 80% dos terrenos estejam regularizados.
Citando os resultados "escassos" dos planos anteriores do governo brasileiro para interromper a destruição da Floresta Amazônica, a revista, no entanto, afirma que a MP 458 tem alguns pontos positivos e, "em princípio", funcionamento simples, apesar do ceticismo "justificado" em relação a ela.
"Desta vez, o governo federal parece ter reconhecido a importância de trabalhar com, e não contra, os governos estaduais. (...) Espera-se que (a MP) estimule os posseiros a ficarem e desenvolverem as terras, no lugar de abandoná-las para procurar outro pedaço de floresta virgem".
Exemplificando a posição do governo brasileiro, a publicação traz uma declaração do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Roberto Mangabeira Unger, em que ele afirma que a MP "vai mudar a equação econômica que fez a pilhagem mais atrativa que a preservação e a produção na Amazônia".
Mesmo assim, segundo a revista, iniciativas parecidas fracassaram no passado. Entre os motivos para os insucessos anteriores estariam as desavenças entre o governo federal, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e os Estados, além da "confusa" legislação sobre as terras da região.
A Economist afirma que, "apesar de alguns destes problemas terem sido resolvidos no novo plano", dado o histórico de antagonismos na região, "o processo (de implementação) não deve ser suave".
Além destas dificuldades, a publicação diz que há um risco de que a facilitação no acesso a títulos de propriedade possa "de alguma forma, estimular a demanda (por terras) na floresta virgem, no lugar de extingui-la".
A revista ainda afirma que o governo do presidente Lula tem "uma atitude indulgente com violações de direitos de propriedade por parte do movimento sem-terra em outros pontos do país, o que o torna um guardião improvável desses direitos agora".
"O novo plano não está fadado ao fracasso, mas os céticos terão que ser convencidos", diz a revista.
A nova legislação, publicada no último dia 11 de fevereiro no Diário Oficial da União, desburocratiza a regularização fundiária na região e facilita o acesso a títulos de propriedade de terra permanentes a posseiros. O governo prevê que, no prazo de três anos, 80% dos terrenos estejam regularizados.
Citando os resultados "escassos" dos planos anteriores do governo brasileiro para interromper a destruição da Floresta Amazônica, a revista, no entanto, afirma que a MP 458 tem alguns pontos positivos e, "em princípio", funcionamento simples, apesar do ceticismo "justificado" em relação a ela.
"Desta vez, o governo federal parece ter reconhecido a importância de trabalhar com, e não contra, os governos estaduais. (...) Espera-se que (a MP) estimule os posseiros a ficarem e desenvolverem as terras, no lugar de abandoná-las para procurar outro pedaço de floresta virgem".
Exemplificando a posição do governo brasileiro, a publicação traz uma declaração do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Roberto Mangabeira Unger, em que ele afirma que a MP "vai mudar a equação econômica que fez a pilhagem mais atrativa que a preservação e a produção na Amazônia".
Mesmo assim, segundo a revista, iniciativas parecidas fracassaram no passado. Entre os motivos para os insucessos anteriores estariam as desavenças entre o governo federal, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e os Estados, além da "confusa" legislação sobre as terras da região.
A Economist afirma que, "apesar de alguns destes problemas terem sido resolvidos no novo plano", dado o histórico de antagonismos na região, "o processo (de implementação) não deve ser suave".
Além destas dificuldades, a publicação diz que há um risco de que a facilitação no acesso a títulos de propriedade possa "de alguma forma, estimular a demanda (por terras) na floresta virgem, no lugar de extingui-la".
A revista ainda afirma que o governo do presidente Lula tem "uma atitude indulgente com violações de direitos de propriedade por parte do movimento sem-terra em outros pontos do país, o que o torna um guardião improvável desses direitos agora".
"O novo plano não está fadado ao fracasso, mas os céticos terão que ser convencidos", diz a revista.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
BBC - Estudo questiona 'savanização' da Amazônia
Por James Painter
Um novo estudo realizado por um grupo de cientistas na Grã-Bretanha sugere que a Floresta Amazônica pode ser menos vulnerável a uma seca grave em consequência do aquecimento global do que se pensava anteriormente.
Porém os cientistas advertem que a rápida degradação da floresta tropical em função das mudanças climáticas provocadas pela ação humana permanece uma "possibilidade distinta" neste século.
No estudo, publicado na última edição da revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas pela primeira vez compararam simulações de dezenove Modelos Climáticos Globais com observações empíricas.
Suas principais conclusões foram:
Quase todos os modelos climáticos subestimam a quantidade atual de chuvas na Amazônia, porque não são capazes de identificar a peculiaridade da geografia da América do Sul.
Na parte oriental da Amazônia, atualmente úmida durante o ano todo, a floresta tropical pode se transformar em ‘florestas sazonais', com estações secas e estações úmidas.
Porém deve haver chuvas suficientes durante o ano para que a floresta não se transforme em savana (vegetação seca e rasteira).
A parte ocidental da Amazônia deve manter um clima e um padrão de chuvas condizente com a manutenção de uma floresta tropical, mas talvez não as margens mais secas ao norte e ao sul.
Outras projeções, incluindo as feitas pelo Painel do Clima da ONU, sugeriram que a parte oriental da Amazônia poderia ser gradualmente transformada em savana.
Vulneráveis a incêndios
Este novo estudo adverte que apesar de as florestas sazonais serem bem mais resistentes a uma seca ocasional, elas também serão mais vulneráveis a incêndios, se o desmatamento e o uso generalizado de fogo não forem controlados.
No ano passado, a degradação da Floresta Amazônica foi descrita por um grupo de cientistas internacionais como um dos nove ‘pontos de transbordamento' no sistema climático da Terra, com mudanças que podem ser repentinas e dramáticas ao invés de graduais.
O estudo adverte que a melhor maneira de reduzir o risco de degradação da Amazônia seria controlar as emissões globais de gases do efeito estufa. Mas ele acrescenta que ações governamentais também são necessárias.
"Proteção florestal dentro dessa área poderia representar um importante papel em minimizar as perspectivas de uma grande degradação, ao mesmo tempo contribuindo para combater as mudanças climáticas globais", diz Yavinder Malhi, professor da Universidade Oxford e coordenador do estudo.
"Cobertura florestal pode ajudar a manter o índice pluviométrico local durante a estação seca, limitar a propagação de incêndios e evitar que as temperaturas subam muito", diz Malhi.
A conservação das florestas tropicais é vista por muitos como uma maneira promissora de reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Estima-se que o desmatamento pode ser responsável por cerca de 20% das emissões anuais.
Em agosto do ano passado, o governo brasileiro lançou um fundo internacional para proteção da floresta e para ajudar a combater as mudanças climáticas. Ele pretende arrecadar mais de US$ 20 bilhões até 2021. O governo pretende reduzir o desmatamento em 70% nos próximos dez anos.
"Mesmo com fundos suficientes e vontade política, a implementação da administração da biosfera em tal escala será um desafio significativo", dizem os autores do estudo. "Entender o contexto social, político e econômico será vital."
Um novo estudo realizado por um grupo de cientistas na Grã-Bretanha sugere que a Floresta Amazônica pode ser menos vulnerável a uma seca grave em consequência do aquecimento global do que se pensava anteriormente.
Porém os cientistas advertem que a rápida degradação da floresta tropical em função das mudanças climáticas provocadas pela ação humana permanece uma "possibilidade distinta" neste século.
No estudo, publicado na última edição da revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas pela primeira vez compararam simulações de dezenove Modelos Climáticos Globais com observações empíricas.
Suas principais conclusões foram:
Quase todos os modelos climáticos subestimam a quantidade atual de chuvas na Amazônia, porque não são capazes de identificar a peculiaridade da geografia da América do Sul.
Na parte oriental da Amazônia, atualmente úmida durante o ano todo, a floresta tropical pode se transformar em ‘florestas sazonais', com estações secas e estações úmidas.
Porém deve haver chuvas suficientes durante o ano para que a floresta não se transforme em savana (vegetação seca e rasteira).
A parte ocidental da Amazônia deve manter um clima e um padrão de chuvas condizente com a manutenção de uma floresta tropical, mas talvez não as margens mais secas ao norte e ao sul.
Outras projeções, incluindo as feitas pelo Painel do Clima da ONU, sugeriram que a parte oriental da Amazônia poderia ser gradualmente transformada em savana.
Vulneráveis a incêndios
Este novo estudo adverte que apesar de as florestas sazonais serem bem mais resistentes a uma seca ocasional, elas também serão mais vulneráveis a incêndios, se o desmatamento e o uso generalizado de fogo não forem controlados.
No ano passado, a degradação da Floresta Amazônica foi descrita por um grupo de cientistas internacionais como um dos nove ‘pontos de transbordamento' no sistema climático da Terra, com mudanças que podem ser repentinas e dramáticas ao invés de graduais.
O estudo adverte que a melhor maneira de reduzir o risco de degradação da Amazônia seria controlar as emissões globais de gases do efeito estufa. Mas ele acrescenta que ações governamentais também são necessárias.
"Proteção florestal dentro dessa área poderia representar um importante papel em minimizar as perspectivas de uma grande degradação, ao mesmo tempo contribuindo para combater as mudanças climáticas globais", diz Yavinder Malhi, professor da Universidade Oxford e coordenador do estudo.
"Cobertura florestal pode ajudar a manter o índice pluviométrico local durante a estação seca, limitar a propagação de incêndios e evitar que as temperaturas subam muito", diz Malhi.
A conservação das florestas tropicais é vista por muitos como uma maneira promissora de reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Estima-se que o desmatamento pode ser responsável por cerca de 20% das emissões anuais.
Em agosto do ano passado, o governo brasileiro lançou um fundo internacional para proteção da floresta e para ajudar a combater as mudanças climáticas. Ele pretende arrecadar mais de US$ 20 bilhões até 2021. O governo pretende reduzir o desmatamento em 70% nos próximos dez anos.
"Mesmo com fundos suficientes e vontade política, a implementação da administração da biosfera em tal escala será um desafio significativo", dizem os autores do estudo. "Entender o contexto social, político e econômico será vital."
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
BBC - Amazônia sofreu destruição de 17% em cinco anos, diz ONU
Em apenas cinco anos, 17% da Flores Amazônica foram destruídos, segundo um relatório prestes a ser divulgado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma). A destruição se refere ao período entre 2000 e 2005. Durante este período foram queimados ou destruídos 857 mil km² de árvores - o equivalente ao território da Venezuela, segundo informações divulgadas pelo jornal francês Le Monde e confirmadas pelo Pnuma à BBC Brasil.
A maior parte do desmatamento ocorreu no Brasil, mas os outros sete países que também abrigam a floresta estão sendo responsabilizados pela Pnuma, com exceção da Venezuela e do Peru. O Pnuma prevê que o relatório final, com mais dados ainda sigilosos, seja divulgado durante o encontro anual de seu conselho administrativo, marcado entre 16 e 20 de fevereiro em Nairóbi, no Quênia.
"A progressão das frentes pioneiras na Amazônia e as transformações que elas introduziram são tantas que o movimento de ocupação dessa última fronteira do planeta parece irreversível", disse o órgão da ONU ao Le Monde.
Além do desmatamento, a grande corrida pela apropriação das gigantescas reservas de terra e das matérias-primas da região também tem um papel importante na deterioração da Amazônia, segundo o jornal.
"O modelo de produção dominante não leva em conta critério algum de desenvolvimento sustentável, conduz à fragmentação dos ecossistemas e à erosão da biodiversidade", afirmou o Pnuma.
A entidade também condenou a situação das populações que habitam a floresta, que "vivem uma situação de grande pobreza". "A riqueza retirada da exploração dos recursos naturais não é reinvestida na região", disse.
O Le Monde conclui o artigo citando que o Pnuma pede um maior envolvimento internacional para ajudar financeiramente os países que abrigam a floresta, e cita como possível caminho o Fundo Amazônia, que prevê o investimento de fontes estrangeiras para desenvolver projetos que combatem o desmatamento.
A maior parte do desmatamento ocorreu no Brasil, mas os outros sete países que também abrigam a floresta estão sendo responsabilizados pela Pnuma, com exceção da Venezuela e do Peru. O Pnuma prevê que o relatório final, com mais dados ainda sigilosos, seja divulgado durante o encontro anual de seu conselho administrativo, marcado entre 16 e 20 de fevereiro em Nairóbi, no Quênia.
"A progressão das frentes pioneiras na Amazônia e as transformações que elas introduziram são tantas que o movimento de ocupação dessa última fronteira do planeta parece irreversível", disse o órgão da ONU ao Le Monde.
Além do desmatamento, a grande corrida pela apropriação das gigantescas reservas de terra e das matérias-primas da região também tem um papel importante na deterioração da Amazônia, segundo o jornal.
"O modelo de produção dominante não leva em conta critério algum de desenvolvimento sustentável, conduz à fragmentação dos ecossistemas e à erosão da biodiversidade", afirmou o Pnuma.
A entidade também condenou a situação das populações que habitam a floresta, que "vivem uma situação de grande pobreza". "A riqueza retirada da exploração dos recursos naturais não é reinvestida na região", disse.
O Le Monde conclui o artigo citando que o Pnuma pede um maior envolvimento internacional para ajudar financeiramente os países que abrigam a floresta, e cita como possível caminho o Fundo Amazônia, que prevê o investimento de fontes estrangeiras para desenvolver projetos que combatem o desmatamento.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
BBC - Artista 'recriará' Amazônia na Alemanha
Por Marcio Damasceno
A obra "Amazonien" usará 30 mil fotografias e terá 30 metros Um painel da altura de um prédio de dez andares com um panorama em 360 graus da floresta amazônica promete virar uma das maiores atrações de Leipzig, no leste da Alemanha.
O projeto está sendo criado pelo artista plástico Yadegar Asisi em seu atelier em Berlim e deverá ser inaugurado em março dentro de um antigo gasômetro.
Amazonien ("Amazônia") é o título da obra, a ser montada com ajuda de cerca de 30 mil fotografias feitas na floresta brasileira.
Após o planejamento em computador, uma imagem da selva deverá ser impressa em faixas de poliéster, formando um mural gigante de 100 metros de largura e 30 metros de altura, formando uma imagem de mais de três mil metros quadrados.
"Arquiteto das ilusões"
A partir do dia 28 de março, o público vai poder examinar o resultado de um trabalho de quase dois anos a partir de uma plataforma colocada no centro do salão circular do gasômetro.
Artista plástico e arquiteto nascido em Viena de pais iranianos, Asisi visitou quatro vezes o Brasil, coletando imagens na região do Rio Negro.
Ele afirma que sua mensagem tem característica puramente estética, sem nenhuma intenção ambientalista. “Não me interesso pelo desmatamento da Amazônia”, diz.
"Eu quero somente representar sua beleza e complexidade, que estimulam as pessoas as refletir."
Humboldt
A obra é realizada como parte das celebrações dos 150 da morte do naturalista e explorador alemão Alexander von Humboldt e será acompanhada de uma exposição sobre o ecossistema amazônico, incluindo uma instalação de 25 metros de altura com insetos da região.
Este é seu quarto e maior trabalho que o artista, também conhecido como "arquiteto das ilusões", realiza para sua série Panometer, de pinturas colossais de panoramas em 360 graus.
Nos anteriores, ele reproduziu o Monte Everest, a cidade de Dresden no século 18 e Roma antiga do tempo do imperador Constantino.
Os dois últimos trabalhos podem ser vistos, respectivamente, em Dresden e Leipzig. A paisagem romana, no entanto, sairá de exposição no fim de fevereiro, para dar lugar à vegetação tropical.
Veja as fotos no link: http://www.bbc.co.uk/
A obra "Amazonien" usará 30 mil fotografias e terá 30 metros Um painel da altura de um prédio de dez andares com um panorama em 360 graus da floresta amazônica promete virar uma das maiores atrações de Leipzig, no leste da Alemanha.
O projeto está sendo criado pelo artista plástico Yadegar Asisi em seu atelier em Berlim e deverá ser inaugurado em março dentro de um antigo gasômetro.
Amazonien ("Amazônia") é o título da obra, a ser montada com ajuda de cerca de 30 mil fotografias feitas na floresta brasileira.
Após o planejamento em computador, uma imagem da selva deverá ser impressa em faixas de poliéster, formando um mural gigante de 100 metros de largura e 30 metros de altura, formando uma imagem de mais de três mil metros quadrados.
"Arquiteto das ilusões"
A partir do dia 28 de março, o público vai poder examinar o resultado de um trabalho de quase dois anos a partir de uma plataforma colocada no centro do salão circular do gasômetro.
Artista plástico e arquiteto nascido em Viena de pais iranianos, Asisi visitou quatro vezes o Brasil, coletando imagens na região do Rio Negro.
Ele afirma que sua mensagem tem característica puramente estética, sem nenhuma intenção ambientalista. “Não me interesso pelo desmatamento da Amazônia”, diz.
"Eu quero somente representar sua beleza e complexidade, que estimulam as pessoas as refletir."
Humboldt
A obra é realizada como parte das celebrações dos 150 da morte do naturalista e explorador alemão Alexander von Humboldt e será acompanhada de uma exposição sobre o ecossistema amazônico, incluindo uma instalação de 25 metros de altura com insetos da região.
Este é seu quarto e maior trabalho que o artista, também conhecido como "arquiteto das ilusões", realiza para sua série Panometer, de pinturas colossais de panoramas em 360 graus.
Nos anteriores, ele reproduziu o Monte Everest, a cidade de Dresden no século 18 e Roma antiga do tempo do imperador Constantino.
Os dois últimos trabalhos podem ser vistos, respectivamente, em Dresden e Leipzig. A paisagem romana, no entanto, sairá de exposição no fim de fevereiro, para dar lugar à vegetação tropical.
Veja as fotos no link: http://www.bbc.co.uk/
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