Especial Cerrado
Por Herton Escobar, enviado especial
Para o engenheiro agrônomo Eliseu Alves, pioneiro da Embrapa, desmate seria maior sem as pesquisas
FORMOSO DO ARAGUAIA (TO) - Onde alguns enxergam devastação ambiental, outros enxergam desenvolvimento e segurança alimentar. Essa é a postura de vários pesquisadores do setor agropecuário entrevistados pelo Estado.
Eles não negam os impactos negativos sobre o meio ambiente, mas veem o problema da seguinte forma: o Brasil tem 190 milhões de habitantes; essas pessoas precisam comer alguma coisa; essa comida precisa ser produzida em algum lugar e, se não fosse pelo avanço tecnológico do setor, a destruição seria muito maior.
Desde 1990, a produção de grãos no Brasil cresceu 147% (de 58,3 para 143,9 milhões de toneladas), enquanto a área plantada cresceu apenas 22%, (de 38,9 para 47,4 milhões de hectares), segundo a Conab.
Se a produtividade agrícola do Brasil hoje fosse igual à de 1970, especialistas da Embrapa calculam que teria sido necessário desmatar outros 900 mil km² para a produção de alimentos - uma área do tamanho de Mato Grosso. O Cerrado já teria desaparecido.
"A criação da Embrapa (em 1973) significou uma economia de recursos naturais enorme para o País", diz o engenheiro agrônomo Eliseu Alves, de 77 anos, um dos pioneiros da empresa. "A única forma de aumentar a produção sem derrubar mais floresta é aumentar a produtividade, e isso só se faz com tecnologia. O resto é conversa fiada."
Mineiro de voz alta, Alves não se esquiva do debate nem por um minuto. "Comida tem prioridade sobre o meio ambiente", diz ele. "É muito fácil falar de preservação quando se tem comida sobrando. Se faltasse alimento, a conversa dos ambientalistas seria outra."
Plinio Souza, da Embrapa Cerrados, que ajudou a criar a primeira variedade de soja adaptada ao Cerrado, também defende os frutos de sua pesquisa: "A soja, se for cultivada corretamente, só beneficia o Cerrado", diz. Ele destaca que apenas 6% da área do bioma é plantada com soja, enquanto o desenvolvimento econômico estimulado por ela é enorme.
"Se o Brasil parasse de produzir soja, as consequências seriam catastróficas para a economia e a sociedade", diz o agrônomo José Roberto Peres, chefe de gabinete da presidência da Embrapa, que nos anos 60 ajudou a desenvolver a técnica de fixação biológica de nitrogênio.
Ele ressalta que a preocupação com o meio ambiente na agricultura é um fenômeno recente, que não existia nas décadas de 70 e 80, quando as fronteiras começaram a se expandir sobre o Cerrado. "A sociedade não cobrava, o governo não cobrava, o Código Florestal era uma letra morta. Quando a preocupação chegou, boa parte do Cerrado já tinha ido embora", diz.
Essa reportagem foi comprada pela Embrapa?? Parece mais uma puxação de saco pro lado da Embrapa do que uma investigação jornalística. Quanto à questão da produção de alimentos, esqueceram de dizer que os principais desmatadores que são soja e carne não são para garantir a segurança alimentar dos brasileiros não. Vão ser exportados. Pra barriga de americanos e eurepeus, que por sua vez consomem excessivamente, comem no mínimo 6 vezes mais do que necessitam. Então esse papo de que sem o agronegócio o mundo passaria fome é conversa pra boi dormir. Dá pra todo mundo comer bem sem precisar desmatar, explorar e desgastar o solo como está fazendo o agronegócio e o modelo monocultura, insumos químicos e máquinas.
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