Agência Senado
BRASÍLIA - Diante de uma plateia de cerca de oito mil representantes de partidos e organizações de esquerda que lotaram o ginásio do Hangar - Centro de Convenções e Eventos da Amazônia na noite de quinta-feira (29), em Belém, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) pregaram a união dos países latino-americanos e a intervenção estatal para minimizar os efeitos da crise econômica sobre a população. Os presidentes participaram do debate "América Latina: os desafios da crise", do Fórum das Autoridades Locais da Amazônia (Fala), que integra a programação do Fórum Social Mundial .
Os chefes de Estado responsabilizaram a cobiça dos países ricos pelo atual descontrole da economia mundial.
- A crise não nasceu por causa do socialismo bolivariano do Hugo Chávez. Não nasceu por causa das brigas pela Constituição de Evo Morales. A crise nasceu porque, durante os anos 80 e 90, eles [os países ricos] defenderam a lógica de que o Estado não podia nada e que o deus mercado ia desenvolver o país e fazer justiça social. Esse deus mercado quebrou por falta de controle, por irresponsabilidade - disse Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o presidente, é uma ironia que os organismos internacionais - como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que sempre pregou que a receita para o desenvolvimento passava pelo corte de gastos na área social e pela liberdade do mercado em relação aos governos - estejam sendo obrigados a rever suas posições num momento em que grandes corporações são obrigadas a recorrer justamente ao Estado para sobreviver.
- Espero que o FMI diga ao Barack Obama o que ele tem que fazer para consertar a economia - ironizou o presidente brasileiro.
Rafael Correa comemorou o fato de estarem se reunindo ali, pela primeira vez, quatro presidentes latino-americanos. Para ele, o encontro demonstra que, na América Latina, a mudança de paradigmas que a crise demandava já havia começado há muito tempo.
Evo Morales lembrou que, nos últimos anos, diversas crises vêm sacudindo o mundo - como a crise energética e a das mudanças climáticas - e todas elas, em sua avaliação, têm em sua origem a depredação dos recursos do planeta pelo capitalismo. Assim, para ele, a eclosão da crise financeira é, na verdade, uma grande oportunidade de inversão de comportamentos.
- Se não formos capazes de sepultar o capitalismo, o capitalismo sepultará o planeta - sentenciou Morales.
Fernando Lugo reforçou que a América Latina não deve esperar pelos "responsáveis pela crise" para traçar suas próprias alternativas. Hugo Chávez, por sua vez, citou dado da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que estima que mais de 50 milhões de pessoas perderão o emprego no mundo neste ano.
Definições
O senador José Nery (PSOL-PA), que acompanhou os quatro presidentes visitantes durante a tarde desta quinta-feira num debate com os movimentos sociais, alertou que o mundo não deve tomar o pronunciamento dos chefes de Estado da América Latina como a palavra do Fórum Social Mundial em relação à crise econômica.
- As proposições mais significativas do enfrentamento da crise estão sendo discutidas de maneira mais ampla nessa gama de atividades promovidas pelos movimentos ao longo do fórum. O que eles [os chefes de Estado] disseram foi insuficiente - disse o senador.
A seu ver, os presidentes poderiam ter ressaltado, por exemplo, que os recursos públicos não devem ser utilizados para socorrer instituições financeiras, mas sim para promover políticas públicas de geração de empregos.
José Nery também lembrou que as definições gerais do Fórum Social Mundial serão anunciadas na Carta de Belém, que será apresentada no domingo, na Assembleia das Assembleias, que reunirá todos os participantes.
A senadora Fátima Cleide (PT-RO) compareceu ao evento com os presidentes, no Hangar, ao lado da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
G1 - 'Fui a Davos quando achei interessante', diz Lula no Fórum Social
Presidente brasileiro participou do evento nesta quinta, em Belém.
Lula defendeu também soberania do Brasil sobre a Amazônia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta sexta-feira (30) que não participou do Fórum Econômico Mundial em Davos neste ano porque foi lá “quando achou interessante”. Lula participou do Fórum Social Mundial em Belém (PA) nesta quinta-feira (29) e encontrou-se nesta manhã com representantes da organização do evento.
Questionado sobre a sua ausência em Davos, Lula disse que não tinha nenhum compromisso de ir para o evento na Suíça, que reúne líderes das principais economias para discutir a crise financeira internacional.
“Eu não desisti de ir a Davos porque eu não marquei de ir a Davos. Eu fui a Davos quando achei que era interessante ir e vou ao Fórum Social quando eu acho que é interessante ir.”
Lula afirmou que a edição de Belém do Fórum Social Mundial está “recuperando o prestígio do evento”. “Em um encontro representativo, como este, de boa qualidade, acho que um presidente não poderia deixar de participar de forma nenhuma.”
O presidente afirmou ainda que seria impossível que não acontecessem críticas ao Brasil no Fórum de Belém, mas defendeu a política do governo para a Amazônia e a soberania do país sobre a região. “As pessoas que visitam o Brasil precisam saber do seguinte: tomem conta do que é seu, que o Brasil toma conta do que é dele."
Lula defendeu também soberania do Brasil sobre a Amazônia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta sexta-feira (30) que não participou do Fórum Econômico Mundial em Davos neste ano porque foi lá “quando achou interessante”. Lula participou do Fórum Social Mundial em Belém (PA) nesta quinta-feira (29) e encontrou-se nesta manhã com representantes da organização do evento.
Questionado sobre a sua ausência em Davos, Lula disse que não tinha nenhum compromisso de ir para o evento na Suíça, que reúne líderes das principais economias para discutir a crise financeira internacional.
“Eu não desisti de ir a Davos porque eu não marquei de ir a Davos. Eu fui a Davos quando achei que era interessante ir e vou ao Fórum Social quando eu acho que é interessante ir.”
Lula afirmou que a edição de Belém do Fórum Social Mundial está “recuperando o prestígio do evento”. “Em um encontro representativo, como este, de boa qualidade, acho que um presidente não poderia deixar de participar de forma nenhuma.”
O presidente afirmou ainda que seria impossível que não acontecessem críticas ao Brasil no Fórum de Belém, mas defendeu a política do governo para a Amazônia e a soberania do país sobre a região. “As pessoas que visitam o Brasil precisam saber do seguinte: tomem conta do que é seu, que o Brasil toma conta do que é dele."
Envolverde - Frei Betto encanta e alerta

Por Fabrício Ângelo, especial para IPS/TerraViva
Um dos mais importantes teólogos da Brasil aponta avanços na democracia na América Latina, mas alerta para a falta de políticas públicas consistentes com o desenvolvimento sustentável e a preservação da Amazônia.
Em um debate onde a senadora brasileira Marina Silva não pode comparecer, quem roubou a cena foi um inspirado Frei Betto, que se apresentou para mais de 200 pessoas na manhã desta quinta-feira, no Palco 2 do FSM 2009. Com um discurso simples e cheio de irreverência, encantou a platéia que não perdeu a atenção por nenhum minuto, mesmo sob um calor de mais de 30 graus.
Carlos Alberto Libânio Christo, conhecido como Frei Betto, é um escritor e religioso adepto da Teologia da Libertação e militante de movimentos pastorais e sociais. Foi assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2004 e coordenador de Mobilização Social do programa Fome Zero.
De acordo com Frei Betto, todos somos seres naturais e isso nos faz iguais a qualquer outro. Para ele a religião nada mais é do que uma forma de realçar os valores humanos. “O ser humano tem em sua existência o amor, a compaixão e a solidariedade, e isso não é nenhuma ideologia que forma, e sim nossa própria humanidade”, disse.
Betto declarou que a maior função do ser humano é ajudar o outro a criar juízo. “Apesar de tudo temos prazo de validade e defeito de fabricação”, brincou arrancando sorrisos e aplausos do publico. “Deus está sempre conosco, mas achar que vai ficar observando e julgando tudo o que fazemos é ilusão. Ser humano é lutar pela plenitude da vida”.
Ao ser perguntado sobre se acreditava em vida fora do planeta, mais uma vez Frei Betto foi irreverente, “claro que sim, mas penso que eles já devem ter captado algumas imagens de televisão, que são as ondas de maior alcance existente, e visto que aqui não há vida inteligente”, falou. Usando mais seriedade ele ressaltou a importância de uma aliança ecológica universal por toda a Terra.
“Temos que pensar em uma aliança de preservação e veneração de natureza ética e solidária. Não adianta lutar pela preservação do meio ambiente sem lutar pelo fim da pobreza”.
“A Amazônia é habitada há pelo menos 40 mil anos. Vinte por cento da água que abastece os mares vem daqui. Temos apenas 3% de água potável em todo o planeta e querem acabar com tudo isso, sem falar no desmatamento e nos projetos públicos”, continuou.
Segundo Frei Betto o solo amazônico não tem muita profundidade e perde rapidamente seus nutrientes. “Se o desmatamento continuar o futuro da Floresta Amazônica é o presente do Saara africano. E não é só isso, as chuvas que caem aqui abastecem a agricultura do Sul e Sudeste do Brasil, então o risco é nacional”, destacou.
Continuando, o religioso alertou que o cultivo de soja na região cresceu 18% “e soja não dá sombra nem ajuda na preservação de lençóis freáticos. A região tem mais de 100.000 espécies de flora e fauna. O milagre da vida está sendo destruído, é o que chamamos de ecocídio”, avisou. Ele alertou, principalmente os estrangeiro, a só comprar madeira certificada e não alimentar uma indústria que movimenta mais de um bilhão de reais por ano e destruindo a floresta.
Mais uma vez Frei Betto brincou com as palavras quando disse que os homens são bichos difíceis de domesticar e que nascemos naturalmente capitalistas e egoístas, ”vejam os bebes, por exemplo, são extremamente egoístas, quando estão com fome choram, esperneiam, nem querem saber se os pais tem de acordar cedo para trabalhar”.
Ao ser questionado sobre o trabalho escravo, o frei afirmou que no Brasil a escravidão é sofisticada, pois não precisamos mais trazer pessoas de nações mais pobres para dominar. “É só fazer uma promessa de trabalho fácil e depois mantê-los sobre pretexto de dívidas. E isso tudo é aceito pela sociedade”, afirmou.
O palco da discussão é a região amazônica, e seus problemas estão sendo debatidos em quase todas as mesas de discussão do FSM 2009, por isso Frei Betto continuou batendo com firmeza nessa tecla. “Ainda falando de Amazônia, se continuar o desmatamento em 2030 já teremos estrago em uma área que equivale a 32 Bélgicas. A maioria desses devastadores não pensa em sustentabilidade ou em gerações futuras, só no capital”, falou.
Frei Betto comentou o momento político vivido pela América do Sul na atualidade. “Pela primeira vez temos governos democráticos e populares. No continente tivemos três importantes fases, a ditadura, o ciclo neoliberal e hoje a democracia popular. Mas de nada adianta se não tivermos uma democracia de verdade, política e principalmente econômica”, declarou.
Conforme Betto mesmo com suas falhas a atual situação tem grandes avanços, pois vários dos presidentes da região vieram de classes populares e conhecem de perto as dificuldades enfrentadas por essa população. “Temos que fortalecer os movimentos populares e sociais, senão sempre ficaremos nas mãos da elite.
Mas esses movimentos precisam aprender a fazer política pública e não ficar esperando que algum deputado ou senador faça por eles. Dar um basta nesse sistema econômico desigual, pois como diz o ditado, o cachorro só é o melhor amigo do homem porque não conhece dinheiro”, finalizou mais uma vez irreverentemente. (IPS/TerraViva)
(Envolverde/IPS/TerraViva)
OESP - Líderes sul-americanos atacam o capitalismo no Fórum Social
REUTERS
BELÉM - Quatro presidentes sul-americanos entusiasmaram na quinta-feira a plateia do Fórum Social Mundial em Belém, fazendo duros ataques ao capitalismo e propondo um novo mundo socialista.
O venezuelano Hugo Chávez, o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e o paraguaio Fernando Lugo foram aclamados pela multidão no encontro "Perspectivas da Integração Popular da América Latina".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do evento, mas se reuniria depois com os quatro colegas.
Durante o debate, os presidentes fizeram inúmeros ataques ao "imperialismo norte-americano", e somaram suas vozes a cantos de protesto e aos coros usados há décadas por militantes de esquerda, sindicalistas, indígenas e diversos outros movimentos.
Houve momentos de homenagem ao guerrilheiro de origem argentina Ernesto "Che" Guevara, heroi da revolução cubana, morto na Bolívia na década de 1960, e gritos de saudação ao revolucionário cubano Fidel Castro, afastado definitivamente do poder por motivo de saúde.
"Enquanto (no Fórum Econômico Mundial) em Davos, Suíça, se reúne o mundo que morre, aqui se reúne o mundo que nasce. Estamos onde nasce um mundo novo, uma nova era", disse Chávez ao desembarcar em Belém.
Criado há oito anos em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial habitualmente coincide com o evento de Davos, onde a elite empresarial e política mundial se reúne todos os anos.
Em seu pronunciamento, Chávez voltou a atacar o ex-presidente norte-americano George W. Bush, e reservou uma recepção apenas cautelosa ao sucessor dele na Casa Branca, Barack Obama.
"Estaremos à espera, observando, a atuação do novo governo dos Estados Unidos, que tem um problema muito grave dentro das suas fronteiras: a crise econômica", disse.
Acrescentou, porém, que não se ilude quanto a mudanças. "O império está intacto (...), e o próprio presidente (Obama) já disse que Chávez é um obstáculo."
Correa também atacou o capitalismo e disse ser parte de um grupo de "governos progressistas que buscam um sistema mais justo" por meio do "socialismo do século 21", no qual vigore "a supremacia do ser humano e do trabalho humano sobre o capital."
Morales admitiu que pode cometer erros, mas prometeu jamais abandonar "a luta contra o imperialismo norte-americano".
O ex-bispo Lugo, mais recente integrante do bloco de esquerda sul-americano, disse que, graças aos grupos militantes, a América Latina vive um profundo processo de mudanças.
"Movimentos populares, camponeses, indígenas, de mulheres e de jovens nos deram a possibilidade de gerar essa mudança em nosso país", afirmou Lugo, cuja vitória eleitoral, no ano passado, encerrou décadas de governo conservador do Partido Colorado.
Texto de Julio Villaverde
BELÉM - Quatro presidentes sul-americanos entusiasmaram na quinta-feira a plateia do Fórum Social Mundial em Belém, fazendo duros ataques ao capitalismo e propondo um novo mundo socialista.
O venezuelano Hugo Chávez, o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e o paraguaio Fernando Lugo foram aclamados pela multidão no encontro "Perspectivas da Integração Popular da América Latina".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do evento, mas se reuniria depois com os quatro colegas.
Durante o debate, os presidentes fizeram inúmeros ataques ao "imperialismo norte-americano", e somaram suas vozes a cantos de protesto e aos coros usados há décadas por militantes de esquerda, sindicalistas, indígenas e diversos outros movimentos.
Houve momentos de homenagem ao guerrilheiro de origem argentina Ernesto "Che" Guevara, heroi da revolução cubana, morto na Bolívia na década de 1960, e gritos de saudação ao revolucionário cubano Fidel Castro, afastado definitivamente do poder por motivo de saúde.
"Enquanto (no Fórum Econômico Mundial) em Davos, Suíça, se reúne o mundo que morre, aqui se reúne o mundo que nasce. Estamos onde nasce um mundo novo, uma nova era", disse Chávez ao desembarcar em Belém.
Criado há oito anos em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial habitualmente coincide com o evento de Davos, onde a elite empresarial e política mundial se reúne todos os anos.
Em seu pronunciamento, Chávez voltou a atacar o ex-presidente norte-americano George W. Bush, e reservou uma recepção apenas cautelosa ao sucessor dele na Casa Branca, Barack Obama.
"Estaremos à espera, observando, a atuação do novo governo dos Estados Unidos, que tem um problema muito grave dentro das suas fronteiras: a crise econômica", disse.
Acrescentou, porém, que não se ilude quanto a mudanças. "O império está intacto (...), e o próprio presidente (Obama) já disse que Chávez é um obstáculo."
Correa também atacou o capitalismo e disse ser parte de um grupo de "governos progressistas que buscam um sistema mais justo" por meio do "socialismo do século 21", no qual vigore "a supremacia do ser humano e do trabalho humano sobre o capital."
Morales admitiu que pode cometer erros, mas prometeu jamais abandonar "a luta contra o imperialismo norte-americano".
O ex-bispo Lugo, mais recente integrante do bloco de esquerda sul-americano, disse que, graças aos grupos militantes, a América Latina vive um profundo processo de mudanças.
"Movimentos populares, camponeses, indígenas, de mulheres e de jovens nos deram a possibilidade de gerar essa mudança em nosso país", afirmou Lugo, cuja vitória eleitoral, no ano passado, encerrou décadas de governo conservador do Partido Colorado.
Texto de Julio Villaverde
OESP - MST reúne presidentes latinos no PA, mas exclui Lula
SÃO PAULO - A Via Campesina, representada no Brasil pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), levou ontem quatro presidentes da América Latina para o ginásio esportivo do campus da Universidade Estadual do Pará, onde ocorre um encontro paralelo ao Fórum Social Mundial. Conduzidos por João Pedro Stédile e Jayme Amorim, da direção nacional do MST, lá adentraram Hugo Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Fernando Lugo, do Paraguai, e Rafael Correa, do Equador. Porém, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou de fora do encontro.
Segundo João Paulo Rodrigues, porta-voz dos sem-terra, o presidente Lula não foi convidado porque o encontro se destinava a fortalecer a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), organização proposta por Chávez para se contrapor à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), sugerida pelo ex-presidente norte-americano George Bush. Sobre o fato do Paraguai não integrar a Alba, o porta-voz disse: ?Ele tem demonstrado grande simpatia pela organização.?
O tema oficial do encontro, que começou uma hora e meia depois do horário anunciado, devido a um atraso de Chávez, era Diálogo sobre Integração Popular de Nossa América. Em seu discurso, o presidente do Paraguai abordou um tema delicado nas relações com o Brasil: a revisão do tratado de Itaipu. Ele quer renegociar a dívida de seu país e modificar o acordo assinado nos anos da ditadura militar. ?Não acreditamos em um tratado assinado na época da ditadura?, disse. ?O Paraguai merece um preço justo pela sua energia.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo João Paulo Rodrigues, porta-voz dos sem-terra, o presidente Lula não foi convidado porque o encontro se destinava a fortalecer a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), organização proposta por Chávez para se contrapor à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), sugerida pelo ex-presidente norte-americano George Bush. Sobre o fato do Paraguai não integrar a Alba, o porta-voz disse: ?Ele tem demonstrado grande simpatia pela organização.?
O tema oficial do encontro, que começou uma hora e meia depois do horário anunciado, devido a um atraso de Chávez, era Diálogo sobre Integração Popular de Nossa América. Em seu discurso, o presidente do Paraguai abordou um tema delicado nas relações com o Brasil: a revisão do tratado de Itaipu. Ele quer renegociar a dívida de seu país e modificar o acordo assinado nos anos da ditadura militar. ?Não acreditamos em um tratado assinado na época da ditadura?, disse. ?O Paraguai merece um preço justo pela sua energia.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
OESP - Lula encontra Evo, OESP - Chávez e Lugo e diz que ''deus mercado quebrou''
Por Leonencio Nossa, BELÉM
Presidente defende rediscussão do sistema financeiro internacional em reunião com colegas na capital paraense
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou ontem, ao participar do Fórum Social Mundial, na capital paraense, que governo não deve ceder a pressões por cortes de gastos nas áreas social e de infraestrutura para enfrentar a crise financeira.
A declaração foi feita em meio à polêmica gerada pela ampliação do programa Bolsa-Família ao mesmo tempo em que o governo anuncia um congelamento de gastos do Orçamento de 2009 que pode chegar a R$ 37 bilhões.
Aos ativistas reunidos em Belém - e aos outros quatro presidentes latino-americanos participantes do evento -, Lula disse que os países ricos não têm lições a oferecer no combate à crise que provocando aumento do desemprego e queda na produção em praticamente todo o mundo.
"Eles (os países ricos) tinham a solução para todos os nossos problemas e diziam o que tínhamos de fazer. Parecia que eles eram infalíveis e nós, incompetentes. Mas Deus escreve certo por linhas tortas, porque o ?deus mercado? quebrou", ironizou.
"Eles diziam que tínhamos de fazer ajuste fiscal, cortar gasto, fazer choques de gestão e mandar trabalhadores embora. É hora, na verdade, de investirmos, de colocarmos dinheiro nos setores produtivos", acrescentou Lula, aproveitando a ocasião para falar do plano de seu governo de promover a construção de 1 milhão de casas populares nos próximos dois anos.
O Fundo Monetário Nacional, uma das organizações internacionais mais criticadas pelos grupos participantes do fórum, foi alvo de ironias por parte do presidente. "Agora espero que o FMI diga para o nosso querido Obama como ele tem de consertar os Estados Unidos e que diga para os outros países ricos como eles têm de consertar a crise."
Lula fez uma retrospectiva de sua participação no fórum desde o primeiro encontro, em Porto Alegre, em 2001. Ressaltou que os organizadores e participantes do evento sempre fizeram sugestões na área financeira e econômica contrárias às apresentadas por especuladores e pelo chamado Consenso de Washington, que aplicava, nas suas palavras, cartilhas muito rígidas aos países pobres, inibindo o crescimento econômico.
"A gente dizia que outro mundo era possível", afirmou, se referindo ao slogan do fórum. "Agora dizemos que outro mundo é necessário e imprescindível."
O presidente ressaltou a necessidade de discutir a formação de "uma nova ordem econômica" mundial e destacou a importância do G-20 - grupo que reúne os chamados países emergentes - como palco desse debate. "O G-20 tem de discutir o controle do mercado financeiro."
Ao criticar a falta de regulação financeira internacional e as teses de diminuição do papel do Estado, Lula afirmou: "É o Estado que não prestava para nada que está colocando bilhões de dólares para consertar a economia. Agora eles fecharam a boca, porque quebraram por pura especulação."
Observado pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Fernando Lugo, do Paraguai, disse que a eleição deles representa uma nova correlação de forças no continente.
CRISE
Lula pretende aproveitar o fórum - e o público amplamente simpático às teses que defende - para destacar que seu governo promoveu e incentivou um importante mercado de consumo, formado por pessoas de baixa renda, que hoje contribui para amenizar os efeitos da crise econômica no País. Esse mercado foi levantado por programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, segundo destacou Lula em tópicos preparados antes do encontro, a cujo teor o Estado teve acesso.
O presidente também pretendia abordar na visita a Belém o problema da devastação da Amazônia. Em um dos tópicos do documento, ele destacou que é preciso um modelo de preservação sustentável da floresta. A área ambiental do governo, segundo avaliações do próprio Palácio do Planalto, é uma das mais deficientes da gestão Lula. Desde 2003, o governo não conseguiu apresentar uma política concreta para o setor.
O discurso de Lula foi feito no final da noite no seminário A América Latina e o Desafio da Crise Financeira Internacional. O presidente foi o último a discursar. Antes do seminário, contudo, Lula se reuniu com Chávez, Correa, Morales e Lugo, no Hotel Hilton. O encontro foi a portas fechadas.
Presidente defende rediscussão do sistema financeiro internacional em reunião com colegas na capital paraense
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou ontem, ao participar do Fórum Social Mundial, na capital paraense, que governo não deve ceder a pressões por cortes de gastos nas áreas social e de infraestrutura para enfrentar a crise financeira.
A declaração foi feita em meio à polêmica gerada pela ampliação do programa Bolsa-Família ao mesmo tempo em que o governo anuncia um congelamento de gastos do Orçamento de 2009 que pode chegar a R$ 37 bilhões.
Aos ativistas reunidos em Belém - e aos outros quatro presidentes latino-americanos participantes do evento -, Lula disse que os países ricos não têm lições a oferecer no combate à crise que provocando aumento do desemprego e queda na produção em praticamente todo o mundo.
"Eles (os países ricos) tinham a solução para todos os nossos problemas e diziam o que tínhamos de fazer. Parecia que eles eram infalíveis e nós, incompetentes. Mas Deus escreve certo por linhas tortas, porque o ?deus mercado? quebrou", ironizou.
"Eles diziam que tínhamos de fazer ajuste fiscal, cortar gasto, fazer choques de gestão e mandar trabalhadores embora. É hora, na verdade, de investirmos, de colocarmos dinheiro nos setores produtivos", acrescentou Lula, aproveitando a ocasião para falar do plano de seu governo de promover a construção de 1 milhão de casas populares nos próximos dois anos.
O Fundo Monetário Nacional, uma das organizações internacionais mais criticadas pelos grupos participantes do fórum, foi alvo de ironias por parte do presidente. "Agora espero que o FMI diga para o nosso querido Obama como ele tem de consertar os Estados Unidos e que diga para os outros países ricos como eles têm de consertar a crise."
Lula fez uma retrospectiva de sua participação no fórum desde o primeiro encontro, em Porto Alegre, em 2001. Ressaltou que os organizadores e participantes do evento sempre fizeram sugestões na área financeira e econômica contrárias às apresentadas por especuladores e pelo chamado Consenso de Washington, que aplicava, nas suas palavras, cartilhas muito rígidas aos países pobres, inibindo o crescimento econômico.
"A gente dizia que outro mundo era possível", afirmou, se referindo ao slogan do fórum. "Agora dizemos que outro mundo é necessário e imprescindível."
O presidente ressaltou a necessidade de discutir a formação de "uma nova ordem econômica" mundial e destacou a importância do G-20 - grupo que reúne os chamados países emergentes - como palco desse debate. "O G-20 tem de discutir o controle do mercado financeiro."
Ao criticar a falta de regulação financeira internacional e as teses de diminuição do papel do Estado, Lula afirmou: "É o Estado que não prestava para nada que está colocando bilhões de dólares para consertar a economia. Agora eles fecharam a boca, porque quebraram por pura especulação."
Observado pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Fernando Lugo, do Paraguai, disse que a eleição deles representa uma nova correlação de forças no continente.
CRISE
Lula pretende aproveitar o fórum - e o público amplamente simpático às teses que defende - para destacar que seu governo promoveu e incentivou um importante mercado de consumo, formado por pessoas de baixa renda, que hoje contribui para amenizar os efeitos da crise econômica no País. Esse mercado foi levantado por programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, segundo destacou Lula em tópicos preparados antes do encontro, a cujo teor o Estado teve acesso.
O presidente também pretendia abordar na visita a Belém o problema da devastação da Amazônia. Em um dos tópicos do documento, ele destacou que é preciso um modelo de preservação sustentável da floresta. A área ambiental do governo, segundo avaliações do próprio Palácio do Planalto, é uma das mais deficientes da gestão Lula. Desde 2003, o governo não conseguiu apresentar uma política concreta para o setor.
O discurso de Lula foi feito no final da noite no seminário A América Latina e o Desafio da Crise Financeira Internacional. O presidente foi o último a discursar. Antes do seminário, contudo, Lula se reuniu com Chávez, Correa, Morales e Lugo, no Hotel Hilton. O encontro foi a portas fechadas.
Folha - MST exclui Lula de evento de presidentes

Por ANA FLOR
ENVIADA ESPECIAL A BELÉM (PA)
Em outro encontro, brasileiro reconhece divergências entre países, mas diz que eles são capazes de resolver problemas "à mesa"
Declaração de petista foi uma resposta a críticas recebidas em encontro do MST, que reuniu Chávez, Morales, Lugo e Correa
Em um encontro ontem à noite com Hugo Chávez (Venezuela), Fernando Lugo (Paraguai), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), no Fórum Social Mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu divergências entre os países, mas disse que todos eles são capazes de "sentar à mesa" e resolver os problemas.
As declarações foram uma resposta do petista a críticas recebidas à tarde em um encontro com os quatro presidentes -do qual o brasileiro foi excluído-, promovido pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) para discutir a "integração popular" na América Latina.
"Temos divergências, mas é melhor ter divergências e sentar em torno de uma mesa e resolver do que aquele tipo de governo em que parecia que estava tudo bem e era um enganando o outro. Agora é o jogo da verdade", afirmou Lula.
O petista fez questão de citar todos os quatro presidentes e as diferenças entre seus países e o Brasil. Começou por Lugo, que à tarde foi mais duro com o brasileiro. "Lugo sabe que tem divergência com o Brasil. Reconheço que temos divergências, mas nós nos respeitamos para sentar numa mesa e encontrar uma solução que atenda aos interesses dos dois povos", disse.
À tarde, Lugo trouxe à tona as disputas com o Brasil em torno da hidrelétrica de Itaipu. "Não acredito que um tratado leonino firmado no tempo da ditadura [vá nos separar]. Lula não pode dizer não a um preço justo e também à livre disponibilidade dessa energia." Ao falar em "livre disponibilidade", Lugo reforçou a reivindicação pelo direito de vender a quem quiser sua parte gerada pela binacional. Hoje o Brasil fica com 95%.
Já "preço justo" tem a ver com a discussão do preço que o Brasil paga pela energia que compra do Paraguai (45% do produzido em Itaipu), atrelado ao pagamento da dívida que o país vizinho contraiu no governo brasileiro para a construção da hidrelétrica. Ex-bispo, Lugo foi eleito em 2008 e conta com o apoio do MST para mudar o contrato de Itaipu.
À noite, Lula falou ainda sobre como foi atacado quando defendeu Morales em meio à nacionalização do gás boliviano. Disse que chegou a ser chamado de "frouxo". "Eu jamais iria permitir que um metalúrgico de São Paulo fosse brigar com um índio boliviano."
O presidente brasileiro ainda deu por encerrada a divergência com Rafael Correa, em relação ao empréstimo do BNDES ao Equador -em dezembro, em um evento no qual Lula estava presente, Correa criticou o Brasil pelo empréstimo. "Nós tivemos divergência com Rafael Correa. Fomos resolvê-la numa mesa de negociação, cada um respeitando sua soberania."
Ainda afirmou que mantém "possivelmente" a melhor relação com a Venezuela de Hugo Chávez que o Brasil já teve. "Eu ando o mundo defendendo o Chávez, porque todo mundo é contra o Chávez. Quero dizer que tenho orgulho de ser o presidente que mantém possivelmente a melhor relação com a Venezuela que o Brasil já teve."
No evento à noite, os quatro presidentes, que falaram antes de Lula, reforçaram a ideia de que a culpa da crise econômica é dos países desenvolvidos e apontaram como uma solução o socialismo que têm tentado levar adiante em seus países.
No lugar de um debate sobre a crise financeira, o evento acabou virando uma série de discursos dos presidentes, como tradicionalmente ocorre. Mais de 8.000 pessoas compareceram, muitas delas militantes petistas e de centrais sindicais.
O encontro do MST à tarde oficialmente falaria da Alba (Alternativa Bolivariana das Américas), criada por Chávez em 2001 como reação à Alca (Área de Livre Comércio das Américas), e que não tem a adesão do Brasil. Apesar de ser a explicação dada pelo MST para não chamar Lula, a Alba acabou desaparecendo do encontro.
Crédito da imagem:Marlene Bergamo/Folha Imagem
O Globo - Governo e PT ocupam o Fórum para reaproximar Lula dos grupos sociais
Executivo federal enviou 200 servidores e gastou R$ 77,5 milhões
BELÉM. A popularidade em baixa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre setores dos movimentos sociais motivou um desembarque dos governos federal e do estado do Pará e de líderes do PT no Fórum Social Mundial (FSM). Além de Lula em pessoa e 12 ministros, ao menos 200 servidores federais participam da nona edição do evento, com objetivo de recuperar o apoio dos grupos que historicamente eram próximos ao presidente.
Juntas, essas três forças aliadas atuam em cerca de 140 atividades do FSM, o equivalente a 10% dos eventos de cunho político. Os gastos do governo com as despesas dos servidores, montagem de espaços físicos e viagens não foram divulgados.
O governo do Pará, comandado pela petista Ana Júlia Carepa, informa que o Executivo federal investiu aproximadamente R$ 120 milhões. Seriam R$ 77,5 milhões de acordo com a Secretaria-Geral da Presidência, que diz não ter ainda números exatos. Parte das obras beneficiará a população de Belém após o Fórum.
Governo faz propaganda de ações sociais no evento Segundo fontes, os investimentos são estratégicos para Lula. De um lado, o presidente sente necessidade de uma reaproximação com a esquerda mundial. De outro, ele quer fazer dos movimentos sociais aliados no enfrentamento da crise econômica, pois sabe que a tendência agora é de acirramento da esquerda.
O mapeamento das áreas mais críticas do governo diante do FSM foi preparado em 2008.
Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social, Meio Ambiente, Justiça, Direitos Humanos, Casa Civil e Secretaria-Geral são considerados os mais estratégicos dentro do FSM.
As organizações cobram de Lula ações principalmente em meio ambiente, reforma agrária e obras. Mas o apoiam nas polêmicas ligadas ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
O governo também apela à propaganda. Milhares de revistas começaram a ser distribuídas ontem, informando que “o Bolsa Família melhora a vida de 46 milhões de pessoas” e que a União investe em educação e jovens pobres, multiplicou por cinco os recursos da agricultura familiar e devolveu aos índios a Raposa Serra do Sol.
(Maiá Menezes e Soraya Aggege, enviadas especiais).
BELÉM. A popularidade em baixa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre setores dos movimentos sociais motivou um desembarque dos governos federal e do estado do Pará e de líderes do PT no Fórum Social Mundial (FSM). Além de Lula em pessoa e 12 ministros, ao menos 200 servidores federais participam da nona edição do evento, com objetivo de recuperar o apoio dos grupos que historicamente eram próximos ao presidente.
Juntas, essas três forças aliadas atuam em cerca de 140 atividades do FSM, o equivalente a 10% dos eventos de cunho político. Os gastos do governo com as despesas dos servidores, montagem de espaços físicos e viagens não foram divulgados.
O governo do Pará, comandado pela petista Ana Júlia Carepa, informa que o Executivo federal investiu aproximadamente R$ 120 milhões. Seriam R$ 77,5 milhões de acordo com a Secretaria-Geral da Presidência, que diz não ter ainda números exatos. Parte das obras beneficiará a população de Belém após o Fórum.
Governo faz propaganda de ações sociais no evento Segundo fontes, os investimentos são estratégicos para Lula. De um lado, o presidente sente necessidade de uma reaproximação com a esquerda mundial. De outro, ele quer fazer dos movimentos sociais aliados no enfrentamento da crise econômica, pois sabe que a tendência agora é de acirramento da esquerda.
O mapeamento das áreas mais críticas do governo diante do FSM foi preparado em 2008.
Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social, Meio Ambiente, Justiça, Direitos Humanos, Casa Civil e Secretaria-Geral são considerados os mais estratégicos dentro do FSM.
As organizações cobram de Lula ações principalmente em meio ambiente, reforma agrária e obras. Mas o apoiam nas polêmicas ligadas ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
O governo também apela à propaganda. Milhares de revistas começaram a ser distribuídas ontem, informando que “o Bolsa Família melhora a vida de 46 milhões de pessoas” e que a União investe em educação e jovens pobres, multiplicou por cinco os recursos da agricultura familiar e devolveu aos índios a Raposa Serra do Sol.
(Maiá Menezes e Soraya Aggege, enviadas especiais).
Folha - Para sociólogo, fórum deveria ser nos EUA
Entrevista
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
Um dos principais intelectuais de esquerda do país, Chico de Oliveira diz que para o Fórum Social ganhar repercussão parecida com a que teve anteriormente ele deveria ser realizado nos EUA. (JCM)
FOLHA - A crise econômica tende a fortalecer o fórum?
CHICO DE OLIVEIRA - A crise abre um flanco para uma crítica contundente. Se o fórum fizer isso, benefício do fórum. Se ficar maquilando [a discussão], prejudica muita coisa. É claro que faz algum tempo que ele declinou um pouco, perdeu centralidade na agenda. Tentaram passar para a África, mas não deu certo. Não teve a mesma repercussão. Agora, de fato, a crise econômica abre uma crítica que o fórum já vinha fazendo. E a fratura é exposta. Depende da habilidade da crítica.
FOLHA - O Fórum Social pode transformar as realidades que discute?
OLIVEIRA - Não. O fórum transformou a forma de cooperação de organizações sociais, movimentos, até partidos. Tornou-se uma Internacional [Socialista] não partidária. Só transformará [realidades] se essas organizações, agora articuladas, forem capazes de processar esses novos recursos.
FOLHA - O senhor vê uma correlação entre o contexto internacional em 2001 e o de hoje?
OLIVEIRA - Se o pessoal do fórum de fato quisesse inovar, deveria ter feito ele nos EUA. Porque daí você surfaria na crista da onda do Obama. E botava os conflitos norte-americanos na agenda do fórum, porque eles nunca estão.
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
Um dos principais intelectuais de esquerda do país, Chico de Oliveira diz que para o Fórum Social ganhar repercussão parecida com a que teve anteriormente ele deveria ser realizado nos EUA. (JCM)
FOLHA - A crise econômica tende a fortalecer o fórum?
CHICO DE OLIVEIRA - A crise abre um flanco para uma crítica contundente. Se o fórum fizer isso, benefício do fórum. Se ficar maquilando [a discussão], prejudica muita coisa. É claro que faz algum tempo que ele declinou um pouco, perdeu centralidade na agenda. Tentaram passar para a África, mas não deu certo. Não teve a mesma repercussão. Agora, de fato, a crise econômica abre uma crítica que o fórum já vinha fazendo. E a fratura é exposta. Depende da habilidade da crítica.
FOLHA - O Fórum Social pode transformar as realidades que discute?
OLIVEIRA - Não. O fórum transformou a forma de cooperação de organizações sociais, movimentos, até partidos. Tornou-se uma Internacional [Socialista] não partidária. Só transformará [realidades] se essas organizações, agora articuladas, forem capazes de processar esses novos recursos.
FOLHA - O senhor vê uma correlação entre o contexto internacional em 2001 e o de hoje?
OLIVEIRA - Se o pessoal do fórum de fato quisesse inovar, deveria ter feito ele nos EUA. Porque daí você surfaria na crista da onda do Obama. E botava os conflitos norte-americanos na agenda do fórum, porque eles nunca estão.
JB - Vannuchi defende modelo de educação popular no Fórum Social Mundial
Agência Brasil
BELÉM - O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, defendeu hoje, em Belém, a educação popular como forma de preparar indivíduos mais conscientes de seus direitos e deveres e capazes de contribuir para a redução das desigualdades sociais. Vannuchi foi uma das autoridades públicas presentes na programação do Fórum Social Mundial (FSM) que será realizado até o próximo domingo, na capital do Pará.
- A educação popular é um sentido especial de educação que reúne um conjunto de práticas onde os estudantes se organizam para refletir sobre questões que vão além da sua vida escolar, como a maneira de se organizar para resolver problemas e superar injustiças diversas - disse.
Ao lado do escritor Frei Betto – um dos principais representantes da luta pelos Direitos Humanos no Brasil - e da diretora de relações institucionais do Instituto Paulo Freire, Salete Camba, Paulo Vannuchi destacou o papel dos movimentos sociais para o fortalecimento da educação popular. Ele afirmou que o FSM é uma experiência bem-sucedida de educação popular.
- No FSM, temas como meio ambiente, trabalho escravo e aperfeiçoamento judiciário, entre muitos outros, são trazidos para o debate plural. A articulação entre os participantes do fórum, incluindo o fundamental papel dos movimentos sociais, será capaz de propagar muito mais adiante, entre diversas outras pessoas, a necessidade de colocar essa proposta como um modelo permanente de educação - afirmou.
O conceito de educação popular surgiu com o educador Paulo Freire na década de 60. Segundo os ideais de Freire, divulgados amplamente nas instituições de ensino superior brasileiras, os princípios da educação popular relacionam-se ao reconhecimento, à valorização e à emancipação dos indivíduos.
BELÉM - O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, defendeu hoje, em Belém, a educação popular como forma de preparar indivíduos mais conscientes de seus direitos e deveres e capazes de contribuir para a redução das desigualdades sociais. Vannuchi foi uma das autoridades públicas presentes na programação do Fórum Social Mundial (FSM) que será realizado até o próximo domingo, na capital do Pará.
- A educação popular é um sentido especial de educação que reúne um conjunto de práticas onde os estudantes se organizam para refletir sobre questões que vão além da sua vida escolar, como a maneira de se organizar para resolver problemas e superar injustiças diversas - disse.
Ao lado do escritor Frei Betto – um dos principais representantes da luta pelos Direitos Humanos no Brasil - e da diretora de relações institucionais do Instituto Paulo Freire, Salete Camba, Paulo Vannuchi destacou o papel dos movimentos sociais para o fortalecimento da educação popular. Ele afirmou que o FSM é uma experiência bem-sucedida de educação popular.
- No FSM, temas como meio ambiente, trabalho escravo e aperfeiçoamento judiciário, entre muitos outros, são trazidos para o debate plural. A articulação entre os participantes do fórum, incluindo o fundamental papel dos movimentos sociais, será capaz de propagar muito mais adiante, entre diversas outras pessoas, a necessidade de colocar essa proposta como um modelo permanente de educação - afirmou.
O conceito de educação popular surgiu com o educador Paulo Freire na década de 60. Segundo os ideais de Freire, divulgados amplamente nas instituições de ensino superior brasileiras, os princípios da educação popular relacionam-se ao reconhecimento, à valorização e à emancipação dos indivíduos.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Amazonia.org.br - "A decisão do tribunal foi boa, mas ainda não resolve o problema", diz líder indígena de Raposa Serra do Sol

Por Fabíola Munhoz
Para ele, falta fiscalização para que os fazendeiros não invadam a área
Dionito Macuxi, do povo macuxi que vive em Raposa Serra do Sol declarou que os arrozeiros continuam invadindo as terras contínuas pertencentes aos indígenas conforme já decidido pela maioria dos ministros do STF. Sua declaração aconteceu no encontro entre povos indígenas de nove países da Amazônia, realizado hoje (29), durante as atividades do Fórum Social Mundial.
Segundo ele, "a decisão do tribunal foi boa, mas ainda não resolve o problema. Falta fiscalização para que os fazendeiros não entrem nas áreas que são do nosso povo.
O líder indígena afirmou como outra ameaça a presença do Exército nas fronteiras onde foi reconhecida a posse das terras a seu povo. De acordo com ele, falta aos militares o preparo adequado para lidar com os indígenas sem assustá-los e explicando que sua missão é proteger o território e não agredir. "Algumas vezes, quando os militares entram em nossa área, as crianças passam todo o tempo escondidas na mata ou nos rios, com medo, pelo jeito agressivo como eles atuam", disse Dionito.
Ele ainda informou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) de Roraima foi invadida recentemente em protesto dos índios de Raposa Serra do Sol contra a ação de arrozeiros que fornecem alimentos e outros favores a alguns poucos índios para que anunciem à mídia serem contrários a demarcação contínua das terras da região. "É tudo mentira! Queremos as terras a que temos direito, e não migalhas como querem nos dar", concluir Dionito.
Mais sobre o Fórum
Lançado no ano de 2001, em Porto Alegre (RS), o Fórum Social Mundial é um espaço - plural, diversificado, não-governamental e não-partidário- que estimula o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos sociais, do âmbito local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo.
Milhares de pessoas do mundo inteiro se reúnem em Belém (PA) para discutir, entre outros assuntos, questões relacionadas ao meio ambiente, política e direitos humanos. Sempre com o lema "Um Outro Mundo é Possível", o fórum aproveita algumas das principais preocupações mundiais, entre elas o meio ambiente e as mudanças climáticas, para eleger como tema da edição 2009 a Amazônia.
O Liberal - Santa Bárbara desmente desmate
Em referência à matéria publicada na edição do último domingo, 26, neste jornal, publicamos abaixo o direito de resposta concedido à empresa Agropecuária Santa Bárbara:
A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A informa que não são verdadeiras as informações da reportagem 'Ibama aponta maior devastador - Instituto revela que o banqueiro Daniel Dantas é quem mais derruba as florestas', 'referentes a desmatamento' em suas propriedades pecuárias no Estado do Pará.
A Santa Bárbara jamais desmatou um hectare sequer de florestas em terras de sua propriedade ou em terras alugadas.
A reportagem, contudo, propaga as seguintes falsidades:
1. 'Segundo o órgão...'. O Ibama jamais se pronunciou publicamente a respeito de qualquer área que teria sido desmatada pela Santa Bárbara. Trata-se de informações espúrias vindas de um suposto fiscal não identificado. O Ibama recentemente publicou uma lista com os 100 maiores desmatadores do Brasil e a Santa Barbara não figura nesta relação.
2. 'Especula-se hoje que o número de animais de Dantas tenha ultrapassado a marca de 1 milhão'. Outra informação sem fonte ou suporte fático. Conforme divulgado por administradores da companhia, a Santa Barbara administra rebanho de cerca de 500 mil cabeças de gado.
3. 'Ao menos três dos seis municípios onde a Agropecuária Santa Bárbara atua no Pará constam da lista negra de municípios que mais desmataram a Floresta Amazônica nos últimos anos.' Tenta-se demonstrar que a Santa Barbara comete irregularidades ambientais por ter operações em municípios onde supostamente existe esta prática, o que é um absurdo.
4. '...dívida com o Ibama'. A Santa Bárbara não tem qualquer dívida com o Ibama e jamais foi condenada em qualquer processo administrativo, esclarecendo já ter apresentado as defesas, comprovando que as fazendas mencionadas nos autos de infração lavrados foram desmatadas antes de adquiridas ou alugadas pela empresa.
5. '...propriedade do banqueiro'. Daniel Dantas é um dentre vários investidores da Agropecuária Santa Bárbara. Não tem qualquer função executiva, não sendo verdade que é o seu proprietário, como menciona a reportagem.
A Agropecuária Santa Bárbara realmente foi autuada, confia na Justiça e por isso já apresentou as defesas, comprovando que as fazendas mencionadas nos autos de infração lavrados pelo Ibama foram desmatadas em períodos anteriores.
A maior parte das infrações mencionadas, cerca de R$ 11 milhões, refere-se a uma fazenda, situada em Santana do Araguaia (PA), com seus pastos alugados pela Santa Bárbara. Portanto, se houve desmatamento não foi feito pela Santa Bárbara.
Um Auto de Infração no valor de R$ 500 mil refere-se à área onde estão implantados dois projetos de assentamento do Incra, denominados Ayrton Senna e Campo Alegre, cuja área não é explorada pela Santa Bárbara, mas sim por assentados do Incra. Portanto, um Auto de Infração irregular.
O outro Auto de Infração, também de R$ 500 mil, diz respeito a imóvel adquirido pela Agropecuária Santa Bárbara no dia 10 de março de 2007. A autuação foi lavrada com alegação de que a Santa Bárbara está utilizando as pastagens sem a Licença Ambiental. Ressalte-se que a Licença para exploração da pecuária passou a ser exigida recentemente e a Santa Bárbara já está trabalhando no sentido de atender esta exigência..
O Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), órgão do Governo Federal assim como o Ibama, tem sob seu domínio o levantamento fotográfico histórico dos imóveis por satélite, o que comprova que a Agropecuária Santa Bárbara reafirma: jamais desmatou um hectare sequer de florestas em terras de sua propriedade ou em terras de terceiros.
A Santa Bárbara é, na verdade, uma das maiores empregadoras do Pará com quase 2.000 empregos diretos e cerca de 12.000 indiretos, todos acreditando que é possível produzir e crescer protegendo o meio ambiente.
A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A informa que não são verdadeiras as informações da reportagem 'Ibama aponta maior devastador - Instituto revela que o banqueiro Daniel Dantas é quem mais derruba as florestas', 'referentes a desmatamento' em suas propriedades pecuárias no Estado do Pará.
A Santa Bárbara jamais desmatou um hectare sequer de florestas em terras de sua propriedade ou em terras alugadas.
A reportagem, contudo, propaga as seguintes falsidades:
1. 'Segundo o órgão...'. O Ibama jamais se pronunciou publicamente a respeito de qualquer área que teria sido desmatada pela Santa Bárbara. Trata-se de informações espúrias vindas de um suposto fiscal não identificado. O Ibama recentemente publicou uma lista com os 100 maiores desmatadores do Brasil e a Santa Barbara não figura nesta relação.
2. 'Especula-se hoje que o número de animais de Dantas tenha ultrapassado a marca de 1 milhão'. Outra informação sem fonte ou suporte fático. Conforme divulgado por administradores da companhia, a Santa Barbara administra rebanho de cerca de 500 mil cabeças de gado.
3. 'Ao menos três dos seis municípios onde a Agropecuária Santa Bárbara atua no Pará constam da lista negra de municípios que mais desmataram a Floresta Amazônica nos últimos anos.' Tenta-se demonstrar que a Santa Barbara comete irregularidades ambientais por ter operações em municípios onde supostamente existe esta prática, o que é um absurdo.
4. '...dívida com o Ibama'. A Santa Bárbara não tem qualquer dívida com o Ibama e jamais foi condenada em qualquer processo administrativo, esclarecendo já ter apresentado as defesas, comprovando que as fazendas mencionadas nos autos de infração lavrados foram desmatadas antes de adquiridas ou alugadas pela empresa.
5. '...propriedade do banqueiro'. Daniel Dantas é um dentre vários investidores da Agropecuária Santa Bárbara. Não tem qualquer função executiva, não sendo verdade que é o seu proprietário, como menciona a reportagem.
A Agropecuária Santa Bárbara realmente foi autuada, confia na Justiça e por isso já apresentou as defesas, comprovando que as fazendas mencionadas nos autos de infração lavrados pelo Ibama foram desmatadas em períodos anteriores.
A maior parte das infrações mencionadas, cerca de R$ 11 milhões, refere-se a uma fazenda, situada em Santana do Araguaia (PA), com seus pastos alugados pela Santa Bárbara. Portanto, se houve desmatamento não foi feito pela Santa Bárbara.
Um Auto de Infração no valor de R$ 500 mil refere-se à área onde estão implantados dois projetos de assentamento do Incra, denominados Ayrton Senna e Campo Alegre, cuja área não é explorada pela Santa Bárbara, mas sim por assentados do Incra. Portanto, um Auto de Infração irregular.
O outro Auto de Infração, também de R$ 500 mil, diz respeito a imóvel adquirido pela Agropecuária Santa Bárbara no dia 10 de março de 2007. A autuação foi lavrada com alegação de que a Santa Bárbara está utilizando as pastagens sem a Licença Ambiental. Ressalte-se que a Licença para exploração da pecuária passou a ser exigida recentemente e a Santa Bárbara já está trabalhando no sentido de atender esta exigência..
O Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), órgão do Governo Federal assim como o Ibama, tem sob seu domínio o levantamento fotográfico histórico dos imóveis por satélite, o que comprova que a Agropecuária Santa Bárbara reafirma: jamais desmatou um hectare sequer de florestas em terras de sua propriedade ou em terras de terceiros.
A Santa Bárbara é, na verdade, uma das maiores empregadoras do Pará com quase 2.000 empregos diretos e cerca de 12.000 indiretos, todos acreditando que é possível produzir e crescer protegendo o meio ambiente.
O Liberal - Índios pedem socorro para a Amazônia
Cerca de 1,2 mil índios do mundo inteiro se reuniram ontem de manhã em frente ao palco principal da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) para protestar em favor da preservação da Amazônia, no primeiro dia do Fórum Social Mundial (FSM). Eles fizeram uma faixa humana com os dizeres 'Salve a Amazônia' e 'S. O. S. Amazônia'. Diversos participantes do evento se uniram ao ato ao observar a movimentação.
Antes de começar o ato, os índios Xavantes fizeram um ritual de purificação para que tudo corra bem durante o Fórum, que termina domingo, 1º de fevereiro. Um representante indígena, em nome de todos os povos, leu uma mensagem para pedir permissão aos seus ancestrais para participar do evento. Neste momento, vários curiosos se aproximaram para acompanhar a celebração. Alguns, inclusive, até subiram em árvores para observar tudo de perto.
Segundo Marcos Apurinã, coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), cerca de 3,5 mil índios de 200 etnias de todo o mundo participam do evento. Segundo ele, a manifestação foi feita de última hora, pois, na verdade, na manhã de ontem seria realizada uma conferência entre os índios. Entretanto, como a tenda que seria reservada para a reunião não ficou pronta a tempo, decidiu-se pelo protesto em defesa da Amazônia.
O objetivo, segundo Apurinã, é sensibilizar a humanidade de que preservar a Amazônia é uma questão urgente. 'A floresta não tem língua para falar, mas nós, indígenas, entendemos o que ela sente e ela também nos entende', disse o coordenador da Coiab. O representante da tribo Kaipó, Ireo Kaiapó, que veio a Belém com mais 187 índios, disse que o FSM será um espaço de discussão para definir os rumos da construção da hidrelétrica de Belo Monte. 'Estamos em busca de saúde e dos direitos dos índios e para lutar contra a construção da usina, que vai destruir o meio ambiente', asseverou.
Maloca
Os índios Tembé de várias aldeias estão provando suas habilidades na construção de uma grande maloca ao lado das instalações do Programa Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia (Poema), na Universidade Federal do Pará (UFPA). 'A Maloca do Povo Tembé' ficará pronta amanhã e será um grande palco para que os indígenas apresentem aos participantes do Fórum Social Mundial as principais manifestações de sua cultura e para outras etnias, assim como os problemas que enfrentam hoje.
'É um espaço reservado para discussões sobre os direitos de todos os povos indígenas', disse o líder Valdeci Tembé, da aldeia Sussuarana. A maloca de 100 metros quadrados fica às margens do rio Guamá. A estrutura não tem um esteio central. A sustentação é feita pela 'uirakuera', uma peça forte de madeira com cerca de apenas um metro, que sustenta as vigas laterais no centro do telhado. A 'uirakuera' foi colocada ontem presa no alto do andaime no fim da tarde.
Comércio
Durante o Fórum, os Tembé vão aproveitar o espaço para expor e comercializar o artesanato produzido com palha, sementes, penas e fibras amazônicas. Um grupo de 34 índios, entre eles quatro mulheres, ainda vai construir mais duas pequenas casas para serem usadas como cozinha e um espaço de acomodação. Depois do evento, FSM, 'A Maloca do Povo Tembé' terá muitas utilidades. Será usada como centro de formação para professores, um centro de informática para alunos indígenas e como sede da Associação do Povo Tembé.
Toda a madeira que está sendo usada na construção do espaço foi extraída durante cinco dias da reserva Tembé, com autorização, e trazida para Belém em caminhão. São esteios, vigas e caibros de macucu, laçador, pintadinho e broqueiro. Eles trouxeram também a palha de ubim, cipó de timbó açu e pachiuba, para construir a cobertura. Segundo os Tembé, essa é a parte mais trabalhosa, porque a palha precisa ser toda amarrada.
Cerca de 20 índios, a maioria do grupo, estão fazendo a amarração das palhas na pachiuba para montar o telhado. Todo o aprendizado dos Tembé sobre carpintaria e construção faz parte da cultura que é passada de geração para geração. Para não atrasar a construção, os Tembé carpinteiros se apropriaram de tecnologia e estão usando motosserra e furadeira elétrica para parafusar toda a maloca e garantir mais segurança para a obra.
Construção da Maloca do Povo Tembé na UFPA atrasa e gera reclamações
Moradores de comunidades tradicionais do Pará abriram um canal direto de diálogo com autoridades locais e nacionais no Encontro dos Povos das Águas da Amazônia Paraense, iniciado ontem. Com o evento, promovido pela Gerência Regional de Patrimônio da União (GRPU), pescadores, seringueiros e extrativistas esperam ter mais acesso às políticas públicas, principalmente na área da educação. O encontro vai até sábado, 31, no auditório do Convento dos Mercedários.
A reunião do Conselho Nacional de Seringueiros com a Central de Usuários das Reservas Extrativistas Marinhas e o Movimento dos Pescadores do Estado do Pará tem como objetivo a troca de experiências. As organizações conseguiram, com apoio da GRPU, iniciar um diálogo com autoridades governamentais, como a senadora Marina Silva (PT), o procurador geral do Estado, Felício Pontes, e outros membros do governo do Estado.
Um dos objetivos, diz Lorena Moreira, uma das coordenadoras do evento e representante dos movimentos sociais, é a regularização fundiária de ribeirinhos, que já vem sendo conquistada aos poucos. Segundo ela, o GRPU já deu termo de uso da terra para quase quatro mil famílias. Porém, ainda há quase outras dez mil por receber o título. Um pedaço de terra é essencial, mas não suficiente, segundo ela.
Assistência
Os ribeirinhos querem participar do gerenciamento costeiro junto com o GRPU, assim como ser abrangidos pelos programas sociais como o Bolsa Família e assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). 'Há poucos com Bolsa Família, mas muitos ainda precisam. Queremos mostrar que existimos e o governo não pode mais nos ignorar', afirma.
A educação é a principal carência levantada por Luiz Carlos Araújo de Fariais, presidente da Associação de Usuários da Reserva Extrativista Chaguaré Mato Grosso, localizada a nove quilômetros do centro do município de Santarém Novo, no nordeste do Pará. Mesmo sem muito luxo, as 850 famílias associadas têm conseguido sobreviver, apesar da dependência de atravessadores para repassar produtos como camarão, peixe e turu.
A partir do Encontro dos Povos das Águas, Luiz Carlos espera conquistar ainda mais ganhos para si e para sua comunidade. 'Tenho certeza absoluta que vamos avançar muito. No momento, precisamos de escolas de qualidade para nossos filhos e de condições para nós mesmos escoarmos a produção', diz.
Painéis mostram história dos povos
Uma outra atração do Fórum Social Mundial é a tenda 'Cartografia dos Povos e Comunidades Tradicionais', localizada na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Na tenda estão expostos painéis sobre a luta, conquistas e toda a produção de povos e comunidades tradicionais da Amazônia, como das Mulheres Quebradeiras na Defesa do Babaçu Contra as Carvoarias, no Médio Mearim (MA), e a dos quilombolas de Monte Alegre (MA), na luta pelo título definitivo de suas terras, assim como de povos ribeirinhos, pescadores e artesãos do Pará.
A tenda é parte integrante do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia - Povos e Comunidades Tradicionais (PNCSA), composto por pesquisadores e movimentos sociais com atividades em todas as regiões do Brasil. O projeto é coordenado pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O projeto se relaciona com grupos de estudos de diversos países, como da Colômbia, Guiana Francesa, Venezuela, Argentina e países da Europa.
A UFPA integra o PNCSA por meio de um grupo de alunos de doutorado, mestrado e de especialização do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea). Constam da programação na tenda oficina, exposição fotográfica, de publicações e diálogos com representantes dos movimentos articulados e dos pesquisadores participantes do PNCSA.
Antes de começar o ato, os índios Xavantes fizeram um ritual de purificação para que tudo corra bem durante o Fórum, que termina domingo, 1º de fevereiro. Um representante indígena, em nome de todos os povos, leu uma mensagem para pedir permissão aos seus ancestrais para participar do evento. Neste momento, vários curiosos se aproximaram para acompanhar a celebração. Alguns, inclusive, até subiram em árvores para observar tudo de perto.
Segundo Marcos Apurinã, coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), cerca de 3,5 mil índios de 200 etnias de todo o mundo participam do evento. Segundo ele, a manifestação foi feita de última hora, pois, na verdade, na manhã de ontem seria realizada uma conferência entre os índios. Entretanto, como a tenda que seria reservada para a reunião não ficou pronta a tempo, decidiu-se pelo protesto em defesa da Amazônia.
O objetivo, segundo Apurinã, é sensibilizar a humanidade de que preservar a Amazônia é uma questão urgente. 'A floresta não tem língua para falar, mas nós, indígenas, entendemos o que ela sente e ela também nos entende', disse o coordenador da Coiab. O representante da tribo Kaipó, Ireo Kaiapó, que veio a Belém com mais 187 índios, disse que o FSM será um espaço de discussão para definir os rumos da construção da hidrelétrica de Belo Monte. 'Estamos em busca de saúde e dos direitos dos índios e para lutar contra a construção da usina, que vai destruir o meio ambiente', asseverou.
Maloca
Os índios Tembé de várias aldeias estão provando suas habilidades na construção de uma grande maloca ao lado das instalações do Programa Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia (Poema), na Universidade Federal do Pará (UFPA). 'A Maloca do Povo Tembé' ficará pronta amanhã e será um grande palco para que os indígenas apresentem aos participantes do Fórum Social Mundial as principais manifestações de sua cultura e para outras etnias, assim como os problemas que enfrentam hoje.
'É um espaço reservado para discussões sobre os direitos de todos os povos indígenas', disse o líder Valdeci Tembé, da aldeia Sussuarana. A maloca de 100 metros quadrados fica às margens do rio Guamá. A estrutura não tem um esteio central. A sustentação é feita pela 'uirakuera', uma peça forte de madeira com cerca de apenas um metro, que sustenta as vigas laterais no centro do telhado. A 'uirakuera' foi colocada ontem presa no alto do andaime no fim da tarde.
Comércio
Durante o Fórum, os Tembé vão aproveitar o espaço para expor e comercializar o artesanato produzido com palha, sementes, penas e fibras amazônicas. Um grupo de 34 índios, entre eles quatro mulheres, ainda vai construir mais duas pequenas casas para serem usadas como cozinha e um espaço de acomodação. Depois do evento, FSM, 'A Maloca do Povo Tembé' terá muitas utilidades. Será usada como centro de formação para professores, um centro de informática para alunos indígenas e como sede da Associação do Povo Tembé.
Toda a madeira que está sendo usada na construção do espaço foi extraída durante cinco dias da reserva Tembé, com autorização, e trazida para Belém em caminhão. São esteios, vigas e caibros de macucu, laçador, pintadinho e broqueiro. Eles trouxeram também a palha de ubim, cipó de timbó açu e pachiuba, para construir a cobertura. Segundo os Tembé, essa é a parte mais trabalhosa, porque a palha precisa ser toda amarrada.
Cerca de 20 índios, a maioria do grupo, estão fazendo a amarração das palhas na pachiuba para montar o telhado. Todo o aprendizado dos Tembé sobre carpintaria e construção faz parte da cultura que é passada de geração para geração. Para não atrasar a construção, os Tembé carpinteiros se apropriaram de tecnologia e estão usando motosserra e furadeira elétrica para parafusar toda a maloca e garantir mais segurança para a obra.
Construção da Maloca do Povo Tembé na UFPA atrasa e gera reclamações
Moradores de comunidades tradicionais do Pará abriram um canal direto de diálogo com autoridades locais e nacionais no Encontro dos Povos das Águas da Amazônia Paraense, iniciado ontem. Com o evento, promovido pela Gerência Regional de Patrimônio da União (GRPU), pescadores, seringueiros e extrativistas esperam ter mais acesso às políticas públicas, principalmente na área da educação. O encontro vai até sábado, 31, no auditório do Convento dos Mercedários.
A reunião do Conselho Nacional de Seringueiros com a Central de Usuários das Reservas Extrativistas Marinhas e o Movimento dos Pescadores do Estado do Pará tem como objetivo a troca de experiências. As organizações conseguiram, com apoio da GRPU, iniciar um diálogo com autoridades governamentais, como a senadora Marina Silva (PT), o procurador geral do Estado, Felício Pontes, e outros membros do governo do Estado.
Um dos objetivos, diz Lorena Moreira, uma das coordenadoras do evento e representante dos movimentos sociais, é a regularização fundiária de ribeirinhos, que já vem sendo conquistada aos poucos. Segundo ela, o GRPU já deu termo de uso da terra para quase quatro mil famílias. Porém, ainda há quase outras dez mil por receber o título. Um pedaço de terra é essencial, mas não suficiente, segundo ela.
Assistência
Os ribeirinhos querem participar do gerenciamento costeiro junto com o GRPU, assim como ser abrangidos pelos programas sociais como o Bolsa Família e assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). 'Há poucos com Bolsa Família, mas muitos ainda precisam. Queremos mostrar que existimos e o governo não pode mais nos ignorar', afirma.
A educação é a principal carência levantada por Luiz Carlos Araújo de Fariais, presidente da Associação de Usuários da Reserva Extrativista Chaguaré Mato Grosso, localizada a nove quilômetros do centro do município de Santarém Novo, no nordeste do Pará. Mesmo sem muito luxo, as 850 famílias associadas têm conseguido sobreviver, apesar da dependência de atravessadores para repassar produtos como camarão, peixe e turu.
A partir do Encontro dos Povos das Águas, Luiz Carlos espera conquistar ainda mais ganhos para si e para sua comunidade. 'Tenho certeza absoluta que vamos avançar muito. No momento, precisamos de escolas de qualidade para nossos filhos e de condições para nós mesmos escoarmos a produção', diz.
Painéis mostram história dos povos
Uma outra atração do Fórum Social Mundial é a tenda 'Cartografia dos Povos e Comunidades Tradicionais', localizada na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Na tenda estão expostos painéis sobre a luta, conquistas e toda a produção de povos e comunidades tradicionais da Amazônia, como das Mulheres Quebradeiras na Defesa do Babaçu Contra as Carvoarias, no Médio Mearim (MA), e a dos quilombolas de Monte Alegre (MA), na luta pelo título definitivo de suas terras, assim como de povos ribeirinhos, pescadores e artesãos do Pará.
A tenda é parte integrante do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia - Povos e Comunidades Tradicionais (PNCSA), composto por pesquisadores e movimentos sociais com atividades em todas as regiões do Brasil. O projeto é coordenado pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O projeto se relaciona com grupos de estudos de diversos países, como da Colômbia, Guiana Francesa, Venezuela, Argentina e países da Europa.
A UFPA integra o PNCSA por meio de um grupo de alunos de doutorado, mestrado e de especialização do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea). Constam da programação na tenda oficina, exposição fotográfica, de publicações e diálogos com representantes dos movimentos articulados e dos pesquisadores participantes do PNCSA.
JB - Novas terras para os arrozeiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem decreto transferindo 6 milhões de hectares de terras da União para o estado de Roraima. O total corresponde a cerca de 25% do território do estado, de acordo com o governador José de Anchieta Júnior (PSDB). Para tornar oficial a transferência, o governo planejou publicar no Diário Oficial da União de hoje medida provisória que permitirá ao governo transferir as terras, o que não é permitido atualmente pela legislação a não ser para fins de reforma agrária.
Em seguida, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) fará o georreferenciamento, mapeando a área para definir espaços que podem ser destinados à agricultura, pecuária e outras atividades. Só então o governo editará o decreto. Anchieta Júnior negou que a transferência seja uma compensação pela demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. São questões distintas, não há compensação nenhuma alegou. A indígena, que está sendo resolvida no nível judicial, está no Supremo Tribunal Federal. Esse ato aqui é administrativo, e foi conduzido pelo governo federal e pelo governo do estado. Um dos argumentos do governo estadual, na ação que será julgada em fevereiro, é o de que Roraima perdeu grandes extensões para as reservas florestais e indígenas e, por causa disso, tinha sua soberania territorial como unidade federativa ameaçada.
Durante a assinatura da MP, Lula também tocou na polêmica. Nós estávamos em dívida com Roraima desde a celeuma de Raposa/Serra Sol reconheceu o presidente. Lula disse ainda esperar que em breve o STF tome uma decisão final sobre a terra indígena. No próximo mês deverá ser retomado o julgamento da constitucionalidade da demarcação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, iniciado e interrompido duas vezes em 2008. Segundo o governador José de Anchieta, as terras transferidas serão utilizadas para receber os produtores de arroz que devem desocupar a terra indígena. Os arrozeiros, como são conhecidos, eram os principais opositores da demarcação contínua defendida por comunidades indígenas. Estas terras serão também uma opção para que as pessoas que saíram e sairão de Raposa/Serra do Sol venham ocupar essas terras.
É o caso dos arrozeiros concluiu. O gesto do presidente Lula é a grande solução política para acomodar os interesses que gravitam em torno da polêmica gerada desde 1998 com a decretação da reserva contínua às quatro etnias regionais. A área representa o tamanho de quase quatro Raposa/Serra do Sol, que tem 1,7 milhão de hectares. O decreto pacifica uma região conflagrada no ano passado com a eclosão de conflitos que exigiram a presença permanente de tropas federais espalhadas por vários pontos da reserva. Em maio, dez índios foram feridos a tiros por funcionários da fazenda do líder dos arrozeiros, o ex-prefeito de Pacaraima Paulo César Quartiero, numa tentativa de invasão á propriedade.
Uma semana depois, o fazendeiro foi preso pela Polícia Federal como mandante, mas acabou sendo libertado pela justiça duas semanas depois. A doação da área agora facilitará a saída dos arrozeiros assim que o STF confirmar, em fevereiro, o decreto pela área contínua. Com oito dos 11 votos, o governo já ganhou. Tropas da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança ainda estão na área.
Em seguida, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) fará o georreferenciamento, mapeando a área para definir espaços que podem ser destinados à agricultura, pecuária e outras atividades. Só então o governo editará o decreto. Anchieta Júnior negou que a transferência seja uma compensação pela demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. São questões distintas, não há compensação nenhuma alegou. A indígena, que está sendo resolvida no nível judicial, está no Supremo Tribunal Federal. Esse ato aqui é administrativo, e foi conduzido pelo governo federal e pelo governo do estado. Um dos argumentos do governo estadual, na ação que será julgada em fevereiro, é o de que Roraima perdeu grandes extensões para as reservas florestais e indígenas e, por causa disso, tinha sua soberania territorial como unidade federativa ameaçada.
Durante a assinatura da MP, Lula também tocou na polêmica. Nós estávamos em dívida com Roraima desde a celeuma de Raposa/Serra Sol reconheceu o presidente. Lula disse ainda esperar que em breve o STF tome uma decisão final sobre a terra indígena. No próximo mês deverá ser retomado o julgamento da constitucionalidade da demarcação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, iniciado e interrompido duas vezes em 2008. Segundo o governador José de Anchieta, as terras transferidas serão utilizadas para receber os produtores de arroz que devem desocupar a terra indígena. Os arrozeiros, como são conhecidos, eram os principais opositores da demarcação contínua defendida por comunidades indígenas. Estas terras serão também uma opção para que as pessoas que saíram e sairão de Raposa/Serra do Sol venham ocupar essas terras.
É o caso dos arrozeiros concluiu. O gesto do presidente Lula é a grande solução política para acomodar os interesses que gravitam em torno da polêmica gerada desde 1998 com a decretação da reserva contínua às quatro etnias regionais. A área representa o tamanho de quase quatro Raposa/Serra do Sol, que tem 1,7 milhão de hectares. O decreto pacifica uma região conflagrada no ano passado com a eclosão de conflitos que exigiram a presença permanente de tropas federais espalhadas por vários pontos da reserva. Em maio, dez índios foram feridos a tiros por funcionários da fazenda do líder dos arrozeiros, o ex-prefeito de Pacaraima Paulo César Quartiero, numa tentativa de invasão á propriedade.
Uma semana depois, o fazendeiro foi preso pela Polícia Federal como mandante, mas acabou sendo libertado pela justiça duas semanas depois. A doação da área agora facilitará a saída dos arrozeiros assim que o STF confirmar, em fevereiro, o decreto pela área contínua. Com oito dos 11 votos, o governo já ganhou. Tropas da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança ainda estão na área.
Envolverde - Fórum Social Mundial tem desafio histórico

Por Alejandro Kirk*
A crise capitalista e cinco presidentes se reunindo em Belém comprovam o grande desafio diante desse Fórum: tornar-se uma força global em prol da mudança.
Dados disponíveis sugerem que não existe nenhum propósito social de importância histórica no final das contas. Um “Paraíso na Terra”, um planeta gerido pelos princípios elementares de justiça e igualdade não é inevitável: tudo pode acontecer, inclusive o autoextermínio da vida humana.
No entanto, essa é a hora em que o instinto de autopreservação precede qualquer outra consideração. Nesse estágio de degradação do nosso mundo, o FSM carrega uma pesada responsabilidade, que também é um dever com a humanidade. O teólogo brasileiro Frei Betto forneceu uma poderosa e simples resposta a esse dilema no encontro de Teologia da Libertação, em Belém, realizado semana passada: ou o socialismo passa a existir ou a raça humana deixará de existir.
Mas nem todos estão captando o sinal dos tempos, talvez estejam subestimando as dimensões da sobrecarga capitalista. Alguns, inclusive seguidores antigos do FSM, já haviam descrito não muito tempo atrás o Fórum como um morto-vivo sem valor.“Ele falhou em fornecer novos caminhos para uma mudança global como muitos de nós esperávamos”, o líder de uma ONG de comunicação internacional me disse em dezembro último, quando a crise havia acabado de estourar.
Ao invés disso, aqueles que rapidamente entenderam a situação foram exatamente os comandantes do capitalismo. O sociólogo filipino Walden Bello nos alertou que uma “Social Democracia Global” como resposta está a caminho, implementando muitas das demandas reivindicadas pelos movimentos sociais globais e pelos países em desenvolvimento.
O sociólogo português Boaventura Santos me disse, em uma entrevista na rádio, que eles estão fazendo exatamente o que haviam rejeitado sumariamente como algo inaceitável, durante os últimos 30 anos, por meio da polícia global, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio. Essa crise, ele acrescentou, é o que os países em desenvolvimento têm enfrentado permanentemente por décadas.
Esses movimentos, disse Bello, não devem enganar ninguém: não é um novo mundo de comércio justo, igualdade, verdadeira democracia e bem-estar para todos que eles estão procurando, mas sim salvar o sistema corporativo transnacional com o dinheiro público, grande parte dele vindo de países em desenvolvimento, devido a acordos e práticas financeiras injustas.
Cinco presidentes progressistas da América Latina – sendo eles da Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Venezuela – também acreditam que essa edição do Fórum possui conotações especiais e estão se preocupando dessa maneira. Já foi antecipado que eles vão assinar, bem aqui na bacia do Amazonas, no Brasil, um pacto político. Teriam eles escolhido esse local de encontro se o FSM fosse um morto-vivo?
Sejam quais forem suas muitas diferenças nas prioridades e métodos para mudar, a sinalização dos presidentes é clara. O velho debate sobre o caráter e a missão do FSM parece estar completamente tomado por urgências atuais. Muitos dos participantes mais antigos do FSM acreditam hoje que o Fórum, nascido como um ato de resistência quando o neoliberalismo parecia eterno, tem a responsabilidade de se tornar um agente de mudança, não pela compreensão duradoura adquirida pelos debates e trocas de conhecimento, mas sim pela adoção de posições e planos de ação para alcançar o único alvo global possível, como descrito por Bello: a ampliação da democracia, a reforma das Nações Unidas e seu corpo global, como o FMI e o BM, aumentando o controle da população sobre a economia e o estado em todo lugar.
O alvo final, como colocado por apoiadores do plano constitucional do presidente boliviano Evo Morales, não é se “desenvolver” pelo modelo dos países do norte, mas viver bem. Assim é o novo paradigma global e o solo sobre o qual o pontapé inicial desse Fórum foi dado.
* Alejandro Kirk é editor-chefe do IPS-TerraViva. Suas opiniões não necessariamente refletem aquelas do IPS-TerraViva.
(Envolverde/IPS/TerraViva)
Folha - Patrocínio de estatais para Fórum Social é de R$ 850 mil
Por JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
ANA FLOR
ENVIADA ESPECIAL A BELÉM
Evento não ocorreria no Brasil sem apoio de empresas do governo, diz fundador
Para participantes, ligação com as instituições pode direcionar politicamente o encontro; contrapartida para empresas é publicitária
Quatro empresas estatais contribuíram com R$ 850 mil para a organização do Fórum Social Mundial deste ano, que acontece até o dia 1º de fevereiro em Belém (PA).
Petrobras (R$ 200 mil), Banco do Brasil (R$ 150 mil), Caixa Econômica (R$ 400 mil) e Eletronorte (R$ 100 mil) afirmam que a contrapartida do patrocínio foi publicitária -anúncios no material impresso do encontro e nos locais onde as palestras são realizadas.
No caso do Banco do Brasil, houve também o acerto para que a instituição fosse o banco oficial do evento.
Nas placas espalhadas pela UFPA (Universidade Federal do Pará) e pela UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), os dois principais locais onde o encontro acontece, a reportagem viu os logotipos da Petrobras e da Caixa, mas nenhum da Eletronorte.
A questão de como bancar o fórum é polêmica. Como o encontro se pretende apartidário, há participantes que dizem que a vinculação com empresas gerenciadas pelo governo federal cria a possibilidade de que ele seja, do ponto de vista político, "chapa branca".
Em 2003, por exemplo, o evento conseguiu arrecadar R$ 1,8 milhão com Petrobras e Banco do Brasil -valor já corrigido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Para as edições de 2004 e 2005 do fórum, a Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais) recebeu, em valor também corrigido, cerca de R$ 640 mil dos Correios por meio da SMPB Comunicação, agência de publicidade de Marcos Valério. O publicitário é acusado de ser o articulador financeiro do esquema do mensalão.
À época, a associação se disse "perplexa" e afirmou que desconhecia a possibilidade de que o dinheiro pudesse ter uma origem irregular.
Autofinanciamento
Para Cândido Grzybowski, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), fundador do evento, "não haveria fórum no Brasil" se não houvesse apoio de estatais.
"Mas este ano foi o que teve o menor valor [das estatais]", disse. Segundo Grzybowski, a "pequena" ajuda das empresas ligadas ao governo federal é resultado de uma maior eficiência do autofinanciamento -pelo qual as próprias entidades que compõem o Fórum Social o financiam por meio, por exemplo, do pagamento de taxas de participação.
Grzybowski nega que os investimentos feitos pelas estatais direcionem a orientação política do encontro. "Não há condicionamento. Nunca me impuseram nada como agenda. A Petrobras não faz outros patrocínios?", afirmou.
Além dos valores das estatais, o Fórum Social atraiu para cidade de Belém investimentos públicos -dos governos federal e estadual- recordes, de aproximadamente R$ 145,3 milhões para as áreas de infraestrutura, segurança e saúde.
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
ANA FLOR
ENVIADA ESPECIAL A BELÉM
Evento não ocorreria no Brasil sem apoio de empresas do governo, diz fundador
Para participantes, ligação com as instituições pode direcionar politicamente o encontro; contrapartida para empresas é publicitária
Quatro empresas estatais contribuíram com R$ 850 mil para a organização do Fórum Social Mundial deste ano, que acontece até o dia 1º de fevereiro em Belém (PA).
Petrobras (R$ 200 mil), Banco do Brasil (R$ 150 mil), Caixa Econômica (R$ 400 mil) e Eletronorte (R$ 100 mil) afirmam que a contrapartida do patrocínio foi publicitária -anúncios no material impresso do encontro e nos locais onde as palestras são realizadas.
No caso do Banco do Brasil, houve também o acerto para que a instituição fosse o banco oficial do evento.
Nas placas espalhadas pela UFPA (Universidade Federal do Pará) e pela UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), os dois principais locais onde o encontro acontece, a reportagem viu os logotipos da Petrobras e da Caixa, mas nenhum da Eletronorte.
A questão de como bancar o fórum é polêmica. Como o encontro se pretende apartidário, há participantes que dizem que a vinculação com empresas gerenciadas pelo governo federal cria a possibilidade de que ele seja, do ponto de vista político, "chapa branca".
Em 2003, por exemplo, o evento conseguiu arrecadar R$ 1,8 milhão com Petrobras e Banco do Brasil -valor já corrigido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Para as edições de 2004 e 2005 do fórum, a Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais) recebeu, em valor também corrigido, cerca de R$ 640 mil dos Correios por meio da SMPB Comunicação, agência de publicidade de Marcos Valério. O publicitário é acusado de ser o articulador financeiro do esquema do mensalão.
À época, a associação se disse "perplexa" e afirmou que desconhecia a possibilidade de que o dinheiro pudesse ter uma origem irregular.
Autofinanciamento
Para Cândido Grzybowski, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), fundador do evento, "não haveria fórum no Brasil" se não houvesse apoio de estatais.
"Mas este ano foi o que teve o menor valor [das estatais]", disse. Segundo Grzybowski, a "pequena" ajuda das empresas ligadas ao governo federal é resultado de uma maior eficiência do autofinanciamento -pelo qual as próprias entidades que compõem o Fórum Social o financiam por meio, por exemplo, do pagamento de taxas de participação.
Grzybowski nega que os investimentos feitos pelas estatais direcionem a orientação política do encontro. "Não há condicionamento. Nunca me impuseram nada como agenda. A Petrobras não faz outros patrocínios?", afirmou.
Além dos valores das estatais, o Fórum Social atraiu para cidade de Belém investimentos públicos -dos governos federal e estadual- recordes, de aproximadamente R$ 145,3 milhões para as áreas de infraestrutura, segurança e saúde.
Líderes no OESP - Fórum Social Mundial repreendem EUA pela crise
Por - STUART GRUDGINGS - REUTERS
Tamanho do texto? A A A A
BELÉM - Um grupo de presidentes esquerdistas sul-americanos culpou na quinta-feira os Estados Unidos pela crise econômica global e disseram que o capitalismo está em crise.
O presidente socialista da Venezuela, Hugo Chávez, liderou as críticas durante o Fórum Social Mundial na capital paraense, dizendo que a má administração econômica de Washington estava levando caos ao mundo.
"Miséria, pobreza e desemprego estão crescendo, e a maior parte da culpa é do capitalismo global", disse Chávez enquanto era saudado por fãs que carregavam bandeiras vermelhas.
"Nós estamos enfrentando uma crise do sistema capitalista global e das políticas econômicas irresponsáveis do governo dos Estados Unidos", disse ele.
Chávez lidera um bloco de líderes latino-americanos anti-Estados Unidos, e juntou-se em Belém a alguns de seus aliados mais próximos, como os presidentes do Equador, Rafael Correa, do Paraguai, Fernando Lugo, e da Bolívia, Evo Morales.
Correa e Lugo incendiaram a plateia no ginásio de uma universidade local ao cantar músicas como "Comandante Che Guevara", em tributo ao falecido revolucionário argentino.
Chávez também conclamou o novo presidente dos EUA, Barack Obama, a devolver as instalações na baía de Guantánamo a Cuba, depois de saudá-lo por fechar o controverso campo de detenção colocado ali pelo antecessor, George W. Bush.
Cerca de 100 mil ativistas compareceram ao fórum, fazendo campanha por causas que vão do anarquismo à preservação da Amazônia e o retorno ao comunismo no estilo soviético.
O fórum também atraiu líderes governamentais determinados a lustrar suas credenciais esquedistas, particularmente neste ano em que a crise financeira tem levado economias à recessão e forçado países a socorrer seus sistemas bancários.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de linha mais moderada que os colegas, chegou a Belém na quinta-feira, levando consigo vários ministros e desprezando o Fórum Econômico Mundial, na Suíça, a que ele compareceu no passado.
Lula, ex-metalúrgico, tem culpado os Estados Unidos e o "cassino" capitalista dos especuladores pela crise. Ele deveria encontrar-se com os outros quatro presidentes na quinta-feira, antes de falar para uma platéia estimada em 10 mil pessoas no centro de conferências do evento.
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BELÉM - Um grupo de presidentes esquerdistas sul-americanos culpou na quinta-feira os Estados Unidos pela crise econômica global e disseram que o capitalismo está em crise.
O presidente socialista da Venezuela, Hugo Chávez, liderou as críticas durante o Fórum Social Mundial na capital paraense, dizendo que a má administração econômica de Washington estava levando caos ao mundo.
"Miséria, pobreza e desemprego estão crescendo, e a maior parte da culpa é do capitalismo global", disse Chávez enquanto era saudado por fãs que carregavam bandeiras vermelhas.
"Nós estamos enfrentando uma crise do sistema capitalista global e das políticas econômicas irresponsáveis do governo dos Estados Unidos", disse ele.
Chávez lidera um bloco de líderes latino-americanos anti-Estados Unidos, e juntou-se em Belém a alguns de seus aliados mais próximos, como os presidentes do Equador, Rafael Correa, do Paraguai, Fernando Lugo, e da Bolívia, Evo Morales.
Correa e Lugo incendiaram a plateia no ginásio de uma universidade local ao cantar músicas como "Comandante Che Guevara", em tributo ao falecido revolucionário argentino.
Chávez também conclamou o novo presidente dos EUA, Barack Obama, a devolver as instalações na baía de Guantánamo a Cuba, depois de saudá-lo por fechar o controverso campo de detenção colocado ali pelo antecessor, George W. Bush.
Cerca de 100 mil ativistas compareceram ao fórum, fazendo campanha por causas que vão do anarquismo à preservação da Amazônia e o retorno ao comunismo no estilo soviético.
O fórum também atraiu líderes governamentais determinados a lustrar suas credenciais esquedistas, particularmente neste ano em que a crise financeira tem levado economias à recessão e forçado países a socorrer seus sistemas bancários.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de linha mais moderada que os colegas, chegou a Belém na quinta-feira, levando consigo vários ministros e desprezando o Fórum Econômico Mundial, na Suíça, a que ele compareceu no passado.
Lula, ex-metalúrgico, tem culpado os Estados Unidos e o "cassino" capitalista dos especuladores pela crise. Ele deveria encontrar-se com os outros quatro presidentes na quinta-feira, antes de falar para uma platéia estimada em 10 mil pessoas no centro de conferências do evento.
OESP - Amazônia não resiste 30 anos, diz bispo do Xingu
Por Roldão Arruda
Em Belém, d. Erwin diz que presidente Lula deveria ser incisivo para conter ''desastre''
"A Amazônia está indo para o brejo." Foi assim que o bispo d. Erwin Krautler, da Diocese do Xingu, no Pará, definiu a situação atual da região, ao participar ontem de evento no Fórum Social Mundial, em Belém, que no primeiro dia foi dedicado inteiramente ao debate sobre a questão amazônica. "No ritmo de destruição que tenho presenciado, desde que cheguei à região, em 1965, não dou mais do que 30 anos para que a maior parte da floresta esteja devastada."
D. Erwin não quis fazer comparações entre as ações de diferentes presidentes. Mas ressalvou que Luiz Inácio Lula da Silva poderia fazer mais para conter o desmatamento: "O governo deu passos importantes. Mas Lula teria de ser mais incisivo para conseguir evitar o desastre."
A residência episcopal da Diocese do Xingu fica em Altamira, no oeste do Pará. De acordo com d. Erwin, naquela região já existem municípios em que a cobertura florestal original não passa de 10% do total: "Os outros 90% já vieram abaixo."
Segundo o bispo, respeitado como um dos mais importantes líderes católicos do Norte do País, o ritmo de destruição é menor em áreas de reservas indígenas e extrativistas. "Por isso é que considero a criação dessas reservas um passo importante para a salvação da Amazônia."
D. Erwin é um dos três bispos do Pará atualmente ameaçados de morte por sua ação social. Ele vive sob permanente proteção policial - fato do qual reclamou ontem: "Até na hora da missa tenho de conviver com aqueles dois homens armados."
O evento de que participou ontem, na Tenda Irmã Dorothy, no campus da Universidade Federal Rural do Pará, foi organizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). A seu lado estava d. José Luiz Azcona, da Diocese de Marajó - outro ameaçado por pistoleiros da região. "Querem me matar porque denunciei a exploração sexual de crianças e menores", afirmou.
ORGANIZAÇÃO
Diferentes movimentos sociais aproveitam o fórum para se organizar. Ao lado da Tenda Irmã Dorothy, que reúne militantes das bases sociais da Igreja, funciona a do Conselho Nacional de Movimentos Sociais. Mais adiante, a dos quilombolas. O Movimento dos Sem-Terra, como em outras edições do Fórum, realiza um evento à parte, fora do campus.
Pela manhã, durante mesa-redonda na Tenda 50 Anos da Revolução Cubana, a senadora e ex-ministra Marina Silva (PT-AC) defendeu a mudança no modelo de desenvolvimento para a preservação da Amazônia. Ela disse que o Fórum de Belém ocorre num momento de interpelação ética. "Ações de pessoas como Chico Mendes e Nelson Mandela anteciparam o futuro, o momento em que vivemos. Devemos a eles essa consciência. E que futuro estamos reservando para as gerações que ainda não nasceram?", argumentou.
O repórter viajou a convite da Funai
Em Belém, d. Erwin diz que presidente Lula deveria ser incisivo para conter ''desastre''
"A Amazônia está indo para o brejo." Foi assim que o bispo d. Erwin Krautler, da Diocese do Xingu, no Pará, definiu a situação atual da região, ao participar ontem de evento no Fórum Social Mundial, em Belém, que no primeiro dia foi dedicado inteiramente ao debate sobre a questão amazônica. "No ritmo de destruição que tenho presenciado, desde que cheguei à região, em 1965, não dou mais do que 30 anos para que a maior parte da floresta esteja devastada."
D. Erwin não quis fazer comparações entre as ações de diferentes presidentes. Mas ressalvou que Luiz Inácio Lula da Silva poderia fazer mais para conter o desmatamento: "O governo deu passos importantes. Mas Lula teria de ser mais incisivo para conseguir evitar o desastre."
A residência episcopal da Diocese do Xingu fica em Altamira, no oeste do Pará. De acordo com d. Erwin, naquela região já existem municípios em que a cobertura florestal original não passa de 10% do total: "Os outros 90% já vieram abaixo."
Segundo o bispo, respeitado como um dos mais importantes líderes católicos do Norte do País, o ritmo de destruição é menor em áreas de reservas indígenas e extrativistas. "Por isso é que considero a criação dessas reservas um passo importante para a salvação da Amazônia."
D. Erwin é um dos três bispos do Pará atualmente ameaçados de morte por sua ação social. Ele vive sob permanente proteção policial - fato do qual reclamou ontem: "Até na hora da missa tenho de conviver com aqueles dois homens armados."
O evento de que participou ontem, na Tenda Irmã Dorothy, no campus da Universidade Federal Rural do Pará, foi organizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). A seu lado estava d. José Luiz Azcona, da Diocese de Marajó - outro ameaçado por pistoleiros da região. "Querem me matar porque denunciei a exploração sexual de crianças e menores", afirmou.
ORGANIZAÇÃO
Diferentes movimentos sociais aproveitam o fórum para se organizar. Ao lado da Tenda Irmã Dorothy, que reúne militantes das bases sociais da Igreja, funciona a do Conselho Nacional de Movimentos Sociais. Mais adiante, a dos quilombolas. O Movimento dos Sem-Terra, como em outras edições do Fórum, realiza um evento à parte, fora do campus.
Pela manhã, durante mesa-redonda na Tenda 50 Anos da Revolução Cubana, a senadora e ex-ministra Marina Silva (PT-AC) defendeu a mudança no modelo de desenvolvimento para a preservação da Amazônia. Ela disse que o Fórum de Belém ocorre num momento de interpelação ética. "Ações de pessoas como Chico Mendes e Nelson Mandela anteciparam o futuro, o momento em que vivemos. Devemos a eles essa consciência. E que futuro estamos reservando para as gerações que ainda não nasceram?", argumentou.
O repórter viajou a convite da Funai
O Globo - O desafio é construir uma nova ordem
Opinião
Por LUIZ DULCI
O Fórum Social Mundial, cuja 9 edição ocorre em Belém, é sem dúvida o maior e mais importante espaço de debate da sociedade civil internacional.
Ao idealizá-lo e realizá-lo com tanto êxito, desde 2001, os mais diversos movimentos sociais de cinco continentes demonstram, antes de mais nada, uma notável capacidade de mobilização unitária. Mas, sobretudo, comprovam que a sociedade civil irrompeu definitivamente como um novo e relevante ator na cena global.
A mensagem central do Fórum é inequívoca: a globalização não pode restringir-se aos capitais, à indústria cultural e ao pensamento conservador. Os trabalhadores, as organizações não-governamentais, os movimentos alternativos, o pensamento transformador também podem — e devem — mundializar a sua atuação.
Inspirado em bela e justa consigna — Um Outro Mundo é Possível —, o Fórum nunca escondeu o seu principal objetivo: acumular forças na perspectiva de uma nova ordem econômica, social e política, baseada em outro modelo de desenvolvimento.
Há quem julgue a sua fragmentação temática carente de uma plataforma unificadora, e o seu pluralismo político não hegemonizado por nenhuma corrente ideológica ou partidária, entraves à incidência prática do Fórum. Penso o contrário.
Creio que o seu maior trunfo é justamente essa estrutura em mosaico, não-diretiva, isenta de quaisquer constrangimentos doutrinários ou táticos. É o que explica, em boa medida, o fascínio, o extraordinário poder de atração que ele exerce em milhões de pessoas por todo o planeta. Seu formato original e suas energias assumidamente utópicas não prejudicam em nada — ao contrário, potenciam — a repercussão que o Fórum tem na opinião pública. Em matéria de mudança social, dizia o saudoso Helio Pellegrino, o que importa não é a espuma das águas mas a força do rio que passa por baixo.
Foi com essa fisionomia libertária que o Fórum conseguiu incluir e/ou fortalecer na agenda dos povos temas cruciais para a democracia e a justiça social no século XXI: o combate à pobreza e à desigualdade econômica, a sustentabilidade ambiental, a participação social, o multiculturalismo, o respeito à diversidade étnica e de gênero, a tolerância interreligiosa, entre tantos outros.
Frente à gravíssima crise internacional, gerada nos países ricos mas com impacto brutal sobre todas as nações, em especial as mais pobres, os ideais do Fórum adquirem enorme atualidade e pertinência.
Pois a crise mundial não é, obviamente, apenas econômica ou financeira.
Estamos assistindo, na verdade, à ruína teórica e prática — e ética — do modelo neoliberal imposto ao mundo nas últimas décadas.
Junto com vários dos bancos e empresas mais poderosos do planeta, o que desmoronou foi o dogmatismo predatório do chamado Consenso de Washington.
Foi o poder absoluto dos capitais, sem regras nem transparência, alheios a qualquer supervisão pública, pairando acima dos indivíduos, das sociedades e das instituições.
Foi a atrofia irresponsável do estado democrático. A insensata subordinação de toda a vida social à lógica mercantil.
A sociedade civil, os movimentos populares e os governos progressistas não podem, por isso mesmo, enfrentar a crise apenas mitigando seus efeitos perversos e defendendo conquistas sociais — ainda que esta seja uma tarefa indispensável. Precisam ir além, ampliando a luta para que o mundo adote outro modelo de desenvolvimento e de governança, fruto de uma compreensão ética e solidária da vida econômica e do estado democrático.
Não basta remover os escombros do neoliberalismo. O desafio é construir uma nova ordem pósneoliberal.
Por LUIZ DULCI
O Fórum Social Mundial, cuja 9 edição ocorre em Belém, é sem dúvida o maior e mais importante espaço de debate da sociedade civil internacional.
Ao idealizá-lo e realizá-lo com tanto êxito, desde 2001, os mais diversos movimentos sociais de cinco continentes demonstram, antes de mais nada, uma notável capacidade de mobilização unitária. Mas, sobretudo, comprovam que a sociedade civil irrompeu definitivamente como um novo e relevante ator na cena global.
A mensagem central do Fórum é inequívoca: a globalização não pode restringir-se aos capitais, à indústria cultural e ao pensamento conservador. Os trabalhadores, as organizações não-governamentais, os movimentos alternativos, o pensamento transformador também podem — e devem — mundializar a sua atuação.
Inspirado em bela e justa consigna — Um Outro Mundo é Possível —, o Fórum nunca escondeu o seu principal objetivo: acumular forças na perspectiva de uma nova ordem econômica, social e política, baseada em outro modelo de desenvolvimento.
Há quem julgue a sua fragmentação temática carente de uma plataforma unificadora, e o seu pluralismo político não hegemonizado por nenhuma corrente ideológica ou partidária, entraves à incidência prática do Fórum. Penso o contrário.
Creio que o seu maior trunfo é justamente essa estrutura em mosaico, não-diretiva, isenta de quaisquer constrangimentos doutrinários ou táticos. É o que explica, em boa medida, o fascínio, o extraordinário poder de atração que ele exerce em milhões de pessoas por todo o planeta. Seu formato original e suas energias assumidamente utópicas não prejudicam em nada — ao contrário, potenciam — a repercussão que o Fórum tem na opinião pública. Em matéria de mudança social, dizia o saudoso Helio Pellegrino, o que importa não é a espuma das águas mas a força do rio que passa por baixo.
Foi com essa fisionomia libertária que o Fórum conseguiu incluir e/ou fortalecer na agenda dos povos temas cruciais para a democracia e a justiça social no século XXI: o combate à pobreza e à desigualdade econômica, a sustentabilidade ambiental, a participação social, o multiculturalismo, o respeito à diversidade étnica e de gênero, a tolerância interreligiosa, entre tantos outros.
Frente à gravíssima crise internacional, gerada nos países ricos mas com impacto brutal sobre todas as nações, em especial as mais pobres, os ideais do Fórum adquirem enorme atualidade e pertinência.
Pois a crise mundial não é, obviamente, apenas econômica ou financeira.
Estamos assistindo, na verdade, à ruína teórica e prática — e ética — do modelo neoliberal imposto ao mundo nas últimas décadas.
Junto com vários dos bancos e empresas mais poderosos do planeta, o que desmoronou foi o dogmatismo predatório do chamado Consenso de Washington.
Foi o poder absoluto dos capitais, sem regras nem transparência, alheios a qualquer supervisão pública, pairando acima dos indivíduos, das sociedades e das instituições.
Foi a atrofia irresponsável do estado democrático. A insensata subordinação de toda a vida social à lógica mercantil.
A sociedade civil, os movimentos populares e os governos progressistas não podem, por isso mesmo, enfrentar a crise apenas mitigando seus efeitos perversos e defendendo conquistas sociais — ainda que esta seja uma tarefa indispensável. Precisam ir além, ampliando a luta para que o mundo adote outro modelo de desenvolvimento e de governança, fruto de uma compreensão ética e solidária da vida econômica e do estado democrático.
Não basta remover os escombros do neoliberalismo. O desafio é construir uma nova ordem pósneoliberal.
Envolverde - Fórum Social Mundial: Crises valorizam a Amazônia

Por Mario Osava, da IPS
Belém, 29/01/2009 – A mudança climática que obriga conter o desmatamento, as fontes energéticas tradicionais como verdugos dos povos locais e a necessidade da soberania alimentar foram temas centrais do Fórum Social Mundial em uma jornada dedicada à Amazônia. O dia de ontem, segundo da nona edição do FSM, representou a reativação do Fórum Social Pan-Americano, interrompido em 2005. Os povos florestais destacaram com música, danças, declarações e discursos os efeitos e as novas ameaças das crises ambiental, energética e econômica que pesam sobre seu destino e o da humanidade.
Os impactos amazônicos de atividades voltadas a interesses alheios e distantes, com as petroleiras e mineradoras, protagonizadas por multinacionais, e a necessidade de harmonizar “natureza, cultura e sociedade”, foram realçadas em um ato que mesclou uma declaração lida em várias línguas, apresentação de danças e rituais indígenas, cantores e grupos musicais. A Confederação Nacional de Comunidades do Peru Afetadas pela Mineração informou sobre os danos sofridos por indígenas e camponeses de seu país, enquanto membros do grupo indígena Assurini, do Brasil, dançaram sua rejeição à grande central hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.
As represas foram um dos fatores que tornaram menos sustentável, nos últimos 20 anos, o modo de vida de populações ribeirinhas na Amazônia brasileira, junto com a pressão demográfica e uma política oficial de credito, afirmou Sylvain Colmen-Dale, da associação francesa de solidariedade Erro. Os ribeirinhos tinham uma tradição produtiva “relativamente durável, não predadora”, embora vivendo em “um ecossistema fragil, de terras inundáveis”, destacou em um painel sobre agricultura, agrocombustível e mudança climática no Dia Pan-Amazônico.
Tucuruí “mudou a produção e a subsistência” das populações que vivem em municípios afetados do Pará, porque a represa reduzi dramaticamente os peixes ao impedir que subam o rio para a reprodução, explicou Luciana Costa, da Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes. A piscicultura em tanques é uma alternativa que sua associação não-governamental, apoiada pela Erro, desenvolve para compensar a escassez de pescado. Outra orientação dessas entidades é recuperar a diversificação produtiva dos ribeirinhos. Mas, contra isso conspira o crédito oficial, que favorece poucos produtos, como a laranja, segundo a ativista.
As hidrelétricas, que fazem do Brasil campeão de matriz energética baseada em fontes renováveis, enfrentam a resistência de indígenas e outras populações amazônicas porque inundam extensas áreas, deslocam milhares de famílias e provocam outros impactos sociais, como a migração atraída pelo emprego temporário na sua construção. O governo tem planos de construir três grandes centrais nos próximos anos para atender o aumento do consumo energético e garantir o crescimento econômico.
A defesa da natureza amazônica contra as atividades de desmatamento foi expressa de forma artística e musical por indígenas do Brasil, como os marubo, e os os kichwa do Equador, que acrescentaram outro dado alarmante da mudança climática: o desaparecimento das nevadas na cordilheira dos Andes, que afeta os rios e o abastecimento de água. Por outro lado, mulheres da Via Camponesa, organização internacional que reúne numerosos setores rurais, inclusve o Movimento de Afetados pelas Represas, cantaram a “soberania alimentar” como bandeira contra a fome e o agronegócio de monoculturas, que gera insegurança alimentar e ambiental.
Todas estas são ameaças e desafios que se discute no Fórum Social Mundial, que terminará no domingo, com ampla participação indígena e de outras populações amazônicas, como os quilombolas (membros de comunidades afro-descendentes), os extratores de produtos florestais e os pescadores. A Amazônia provavelmente será a prioridade da Ordem Franciscana a ser aprovada em sua assembléia de maio no Vaticano, espera João Gierse, sacerdote católico dessa missão, presente no FSM e no ato-show dos povos amazônicos.
“Ecologia e teologia se complementam, os conhecimentos da ecologia remetem à visão de Deus”, ao confirmar certos princípios como a comunhão trina, disse à IPS o missionário alemão, que vive no Brasil há 19 anos. Em sua opinião, a Igreja Católica, inclusive a missão franciscana, ainda peca por não assumir a questão ambiental. “A evangelização deveria incluí-la”, disse Gierse se referindo ao bispo Luiz Cappio, que fez duas greves de fome em defesa do rio São Francisco, ameaçado por um projeto de transposição de suas águas para o nordeste. É um exemplo dessa atitude, assinalada pela vocação ambiental de São Francisco, reconhecido pela Igreja há 800 anos, disse.
Gierse sempre atuou no nordeste, em uma dedicação mais social, mas diz que sua visão se ampliou há pouco quanto ao ambiental. Atualmente reforça seus conceitos em São Paulo, onde faz curso de mestrado em missão que inclui a dimensão ecológica, sonhando cumprir novas missões na Amazônia. (IPS/Envolverde)
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