A baixa vazão de água verificada atualmente no rio Negro, no Estado do Amazonas, é consequência do regime fraco de chuvas do começo do ano na região - influência direta do fenômeno climático El Niño. Uma relação da seca com mudanças climáticas, como o aquecimento global, é uma hipótese levantada por especialistas, mas não confirmada.
Com exceção de abril, as chuvas mensais no período úmido, no primeiro semestre, ficaram abaixo da média dos últimos 30 anos, e isso foi um dos motivos da vazão do rio diminuir ao longo do ano, segundo Francisco de Assis Diniz, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Abril foi o mês em que mais choveu, mas já era fim do período úmido, e maio voltou a ser seco, explica ele.
A falta de chuvas no começo do ano ocorreu por influência do El Niño, aumento anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico que muda padrões de transporte de umidade e o regime de chuvas no país. No Norte e Nordeste, chove menos. No Sul e Sudeste, mais.
Outros rios da região amazônica estão sofrendo baixa de vazão, como o rio Solimões, que atingiu em 11 de outubro o menor nível desde o início das medições, em 1982. O rio Negro chegou no domingo ao seu menor nível desde 1902, quando a estação de monitoramento do Porto de Manaus foi fundada. Apesar de ter voltado a chover em setembro, a previsão é de que a vazão baixe ainda mais até que as chuvas se intensifiquem a partir de novembro, segundo previsões do Inmet.
A expectativa de chuvas fortes é por conta da influência do fenômeno climático La Niña, com início confirmado em agosto, e que ao contrário do El Niño, favorece a umidade no Norte e Nordeste e a seca no Sul e Sudeste do país. A La Niña é o resfriamento anormal das águas do Pacífico. O impacto sobre os rios, porém, com a recuperação da vazão, só deve ser sentido a partir de janeiro, diz Diniz. Da mesma forma que a resposta na vazão dos rios às poucas chuvas no começo do ano veio tardiamente, a recuperação também demorará a chegar, explica o especialista.
A Defesa Civil informa que há 27 municípios em situação de emergência em decorrência da seca no Estado do Amazonas. Do total, seis cidades tiveram o estado decretado na sexta-feira. O problema ocorre após o Estado viver em 2009 um dos seus anos mais úmidos. No ano passado, 38 municípios decretaram estado de emergência em função das chuvas.
A variação do clima, com anos úmidos seguidos de períodos secos, com seus extremos acentuados, pode ser uma consequência do aquecimento global, segundo Diniz, do Inmet. Se a tendência é de seca, verificamos uma seca mais forte, se é de chuvas, mais chuvas, diz. No entanto, essa relação ainda não é comprovada.
Na opinião de Marcos Ximenes Pontes, um dos coordenadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), episódios extremos [grandes secas e grandes cheias do rio] estão ficando cada vez mais frequentes e mais agudos. Para ele, esses fenômenos confirmam as hipóteses de que as mudanças climáticas estão ocorrendo. Entretanto, ele acredita que é preciso fazer estudos mais aprofundados para avaliar se é um momento de exceção ou tem a ver com a mudança climática.
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), também choveu abaixo da média, neste ano, em outros países amazônicos, como a Bolívia, a Colômbia, o Equador, o Peru e a Venezuela. Isso trouxe impacto para os rios brasileiros, já que os países abrigam as cabeceiras de afluentes do rio Amazonas.
Cheguei aqui buscando foto desse episódio, que pena que não tem, vale a pena postar a foto.
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